2.28.2005
Eu me relaciono assim com o meu corpo
Uma série de frases que podem indicar, ou não, o bom relacionamento humano com seus órgãos e membros
- Eu sou uma fábrica de lágrimas (hoje, na firma)
(Sou mesmo. Lágrimas saem dos meus olhos com a mesma facilidade que bananas são vendidas nas feiras. Choro quando bocejo, choro quando rio, choro quando espirro, choro quando choro, choro de raiva, choro de amor, choro de admiração, choro várias vezes ao dia. Voluntária ou não, a lágrima me é figura recorrente.)
- Minha coluna não é de gelatina (agosto de 2004)
(Poizé. Antes fosse. Acho que é de vidro ou de plástico duro, desses que quebram com facilidade. Essas vertebras tão gastas se estilhaçam com freqüência irritante. Sem contar que eu tenho um grau aê de escoliose, minha coluna parece um ponto de interrogação. Já me conformei em ser uma pessoa torta. Não me conformo é com as dores de quadril e pescoço que acabam com meu humor.)
- Minha cabeça borbulha (setembro de 2004)
(Sou dispersa. Já avisei meu chefe. Este cerebrozinho tão fofo vai de mal a pior. Ultimamente tem borbulhado de maneira tão intensa, que pensamento e idéias se confundem. Troco o nome de bandas, esqueço o nome de diretores, não guardo mais trechos de livros, atropelo horários, ando disléxica, pulo deveres sem um pingo de intenção. Isso que dá entrar em stand by e religar a qualquer momento. Tenho que evitar que essa panela de pressão exploda.)
- "Meu peito é de sal de fruta fervendo num copo d'água" (bom, essa dos Mutantes. Peguei pra mim em 2001)
(Ferve o tempo todo. Não escolhi sentir com tanta intensidade, é inato. Amo profundamente, odeio profundamente, sinto saudade profundamente, me solidarizo profundamente. Olha, é bom e é ruim. E prefiro ser assim do que ser uma pessoa sem sentimentos.)
- Menstruação é uma coisa muito desonesta (meados de 2003)
(É isso, ué. Quem menstrua sabe. Cólica, sangue púrpura e grosso descendo pelo meio das pernas, mais cólica, TPMs assassinas, cólica de novo, seios e barriga inchados feito fígado de ganso que vai virar foie grass, cólica que vira dor nas costas, fraldinhas pra trocar, mais e mais cólicas. Homem nunca vai ter de passar por isso. A Mara Gabrili bem que tentou, mas ela nunca vai me convencer de que mentruação é uma coisa legal.)
- Não existe pé bonito (sábado passado)
(Não existe mesmo. E pé não precisa ser bonito, só precisa funcionar)
- Cabelo é um grande lance (semana passada)
(Cabelo é muito enfeite. Cabelo mal cortado pode destruir a beleza de alguém. Cabelo, então, é tipo uma ameaça, né?)
- Deve ser uma delícia ficar grávida (janeiro de 2005)
(E não? Deve ser incrível carregar um filhote na barriga. Deve ser incrível pensar que dali vai sair um serzinho fofo, rosa e chorão, que vai te acordar às 3:00 da manhã de uma terça-feira e, ainda assim, você não vai se chatear. Que seu coração vai ficar na boca por qualquer dorzinha de ouvido. Que cada vez que ele chutar, você vai querer mostrar pra todo mundo. Que os hormônios da gravidez deixam o cabelo mais forte e a pele mais lisa e toda grávida fica linda. E que você vai usar aquelas roupas largas, confortáveis e legais de grávidas.)
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2.25.2005
Eu não me importo. Eu simplesmente não me importo se você se importa. Não ligo a mínima pras coisas que você pensa ou pros desejos que você sente. Mesmo porque eu mal os conheço. E se os conhecesse também, nada mudaria. Eu continuaria não me importando. Dar de ombros é bem legal. Não me importo mais, percebi hoje, em fazer moral. Porque eu era cheia dessas de fazer moral. Mas depois dos 16 ou 17 anos você percebe que sendo autruísta ou 'destruísta', o tratamento dispensado pelas pessoas pouco muda. É o lance daquela estrofe do Morrisey: In my life, why do i give valuable time to people who don't care if i live or i die. Então parei de me importa, porque 97% das pessoas com as quais nos relacionamos nem querem saber se estamos vivos ou mortos.
E quando você me encontrar por aí, vai perceber que eu realmente não me importo. Ou vai perceber que eu realmente me importo. São os 3% restantes. Porque é um lance de culpa "se eu não me importo, ela também não se importa". Mas talvez quem não se importa não percebe que eu não me importo.
A gente só percebe que não significa nada pra alguém quando damos importância para essa pessoa e ela não retribui. É um lance meio "pequeno príncipe": "é o tempo que gastamos com uma pessoa que a faz tão especial".
É isso sim. Ninguém gasta tempo com quem não se importa.
A pessoa só nos importa quando gastamos tempo pensando nela. Conversando com ela. Amando-a à distância ou à proximidade.
Digo isso tudo porque minha cabeça deu um clique quarta-feira, enquanto conversava com a minha esposa no Asterix. E na quinta-feira, conversava com outra esposa na padaria, enquanto almoçávamos. Toda a teoria foi concluida ali. Há pessoas que são apaixonantes, outras que são inócuas e as últimas que são escrotas, anti-clímax por essência. Pois são com as inócuas e escrotas que eu não me importo.
O processo foi desencadeado por uma história relatada na quinta-feira passada, na praça de alimentação do Bristol, por um amigo apaixonante. Saí daquele lugar, depois da chuva, com imenso asco preso na garganta, de uma dessas pessoas escrotas. Queria matar, queria morrer.
Por fim, digo que não me importo mais com quem não se importa. Cansei de perder tempo. Cansei de queimar neurônios por estar nervosa. E tenho dito.
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2.24.2005
SAMAMBAIAAAAAAA!!!!!!!!!! TE QUIEEEERO!!!!!!!
(HAHAHA, piada interna. Essa só a Lorena e o Jadyr entendem.)
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Oração da quinta-feira
Todo dia é quinta-feira? Todo dia talvez possa ser uma quinta-feira. Um ano repleto de quintas-feiras. E seja lá o que isso significa, um ano de quintas-feiras.
Eduardo fez uma música que falava de um ano de sábados. Mas eu não quero um ano de sábados. Quero um ano de quintas-feiras.
Pra começar: as quintas-feiras têm Centro Cultural Batidão no Milo Garage, o que significa que muita coisa pode acontecer. Quintas-feiras se tornaram, também, o último dia da semana pra mim. Nas sextas eu não não tenho aula e o trabalho funciona em stand by a base de café. Nas quintas-feiras tudo acaba em sexo ou em sanduíche. Não que não façam diferença para mim, pois há dias que você quer só sexo e outros que você quer só sanduíche, mas eu gosto muito dos dois. E tanto o sexo quanto o sanduíche das quintas-feiras acontecem em horários peculiares, naquele momento que precede o sentido da razão do universo e outras filosofias iluministas e depois da queda da baba elástica da inércia sonolenta. Embriaguez de cansaço sem estar com o cansaço aflorado e atrapalhando, mas com os sentidos todos misturados. Esse momento costuma vir depois de 20 horas com o cérebro no ar. E é bem gostoso, lisérgico, engraçado.
Então que todos os dias sejam quintas-feiras. Instituidas, em minha vida, como o início do fim de semana. E desejo também que todos tenham muitas quintas-feiras em seus meses, mais do que as costumeiras quatro. E que assim seja. Até que venham os anos repletos de sábados, que serve tão somente para o descanso e para a diversão mais primitiva. E que venham depois os anos repletos de domingos, o dia mais ensolarado da semana na minha cabeça, porém o mais angustiante.
E que venham, também, um ano de sextas-feiras no bar com os amigos. Com muitas sextas-feiras nas quartas e nas segundas, pois ninguém é de ferro e todo bom cristão merece uma fresquinha em boas companhias.
Amém.
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2.22.2005
O chiclete tem vida própria. Tiro-o da boca com esmero e jogo no cinzeiro. Ele se contorce, se encolhe, escolhe o lugar que vai permanecer calado até o dia de ir para o lixo. Olho-o vermelho vivo, brilhante de baba e já sem gôsto. Da cor do meu sangue. Ovulo. Ovulo gota a gota. O ovário dói, reclama e prenuncia uma tremenda TPM. Dessas que me deixarão arrasada, inchada, chata e psicótica. Há coisas fora do lugar, sabemos. Só não discutimos porque tudo pode acabar em pizza. E eu odeio pizza e chôro. Odeio muitas outras coisas, mas me impressiona com a minha capacidade de odiar o meu ódio. Me impressiona, também, o medo. Perco-o em algumas horas ou dias. E sinto medo de mim algumas vezes. Nada que sufoque o seja proibitivo, o medo apenas existe para que eu o engula.
Abrem-se as cartas. O tarô não disse nada que acontecera nos meses seguintes. Apenas trouxe aquelas ilusões idiotas. Apesar de que "ilusões idiotas" é uma redundância, afinal, toda ilusão é, invariavelmente, idiota. Enfim, não voltei mais lá. Mas foi de graça. Não ando pagando pra ser enganada. Aliás, não ando pagando nem pra escutar a verdade.
Enxergo razões onde elas não pareciam existir. O niilismo está aqui, latente, mas esqueço de exercitá-lo em alguns momentos. Acabo acreditando no amor, acredito em coisas que parece que nunca deixarão minha cabeça, me encanto com a doçura das pessoas, enfim, acredito com veemência em algumas coisas.
Às vezes as coisas parecem ir mal. E definitivamente a vida pode se tornar uma cama de gato. Mas eu deixei de acreditar no pessimismo. Agora sou uma otimista, dessas que se irritam com os pessimistas. Porque eu passei dois meses vendo que tudo pode piorar all the time, numa queda constante. Então parei de duvidar que tudo pode piorar e passei a acreditar qe tudo pode melhorar all the time.
Oras, até que o niilismo funcionou em mim.
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Antes que o chefe venha, antes que o telefone toque, antes que passe um abimonista do meu lado:
Mudei o título do blogue, porque o título tem outro dono. E este outro dono senta atrás de mim e poderia lê-lo a qualquer momento. E nesse qualquer momento eu morreria de vergonha e me esconderia embaixo da mesa. E então tudo estaria perdido. Tudo não. Só a dignidade de fã.
Mas eu volto logo. Logo que me acostumar com o esquema aqui da redação. Logo que eu descobrir o horário que dá pra postar sem ninguém ver.
Logo, garanto. Minha cabeça, afinal, está fervendo de idéias novas.
A gente está bem, né?
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2.19.2005
Júlia, Corazza, Fernando e Luís Mauro:
Esqueçam o Franz Ferdinand ou a cena de Recife. A capa é do Devendra Banhart.
(deve ser bem legal aprontar uma dessas!)
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2.16.2005
Dia do repórter. E daí?
Poizé. Podia mudar para "dia do repórter desempregado", que assim eu e minha turma teríamos o que comemorar.
Viva o desespero.
***
Você também vai viciar. Clicaqui.
Aproveita pra ver a delícia cremosa do U.N.K.L.E. feating Thom Yorke, "Rabbit in hour Headlight", do Jonathan Glazer , o très bien "Sexy Boy", do Air dirigido, pelo Mike Mills, e todas as delícias do Spike Jonze.
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2.15.2005
Tô "gribada".
Ká e Happy na formadera do Guto. Ele bem que tentou me ensinar a dançar forró. Não conseguiu.
***
Fui visitar minha futura casinha hoje.
Não consigo escrever. Não consigo nem aguentar minha cabeça no pescoço.
Deixa pra lá.
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(meio atrasado, mas tá valendo, não?)
***
"Kátia é uma profissional do eu-lírico. E que eu-lírico, hein?"
A melhor frase de todos os tempos do ano passado. Não consigo parar de rir.
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2.14.2005
Se viver dá tanto trabalho, você vai desistir?
Ando perigosamente sistemática. Não sei se eu sempre fui, e só reparei agora, mas ando neuroticamente sistemática.
Sistemática com as palavras, as que se repetem e as que não combinam, sistemática com os horários, sistemática com a posição das coisas no meu quarto bagunçado, sistemática até com o comportamento alheio. E talvez seja um lance de querer controlar tudo que está ao meu alcance, já que todas as outras estão completamente fora de controle.
O exemplo de hoje: combinei uma cerveja com um amigo meu. Escrevi: "a gente fica no bar das 8:00 às 10:00, porque eu tenho que ir pra uma balada depois".
Uma pessoa com comportamento normal marcaria a cerveja e, depois de algum tempo no bar, diria: olha, preciso ir embora, tenho compromisso agora.
Mas eu não. Eu sistematizei o encontro.
Que merda!
Isso tudo está me chateando. Porque eu fico pensando "oras, por que eu não deixo a vida acontecer?" Por que eu tenho que mapear todos os meus atos, pensar em como eu vou chegar, como eu vou embora, como eu vou encontrar tal livro, quantas cervejas eu vou beber, pra quem eu vou ligar, qual e-mail eu consigo responder, onde tem café, esse texto é bom, isso é ruim etc. etc.
Não quero mais pensar. Em nada disso. Não quero ter uma agenda, quero só decidir as coisas 5 minutos antes de sair de casa.
Não quero mais pensar que eu não posso dizer certas coisas a certas pessoas, quando na verdade eu só queria falar.
Não quero ficar presa nesse emaranhado de idéias e falsas noções da vida que passeiam pela minha cabeça.
Eu só quero viver. Simples assim.
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(O surto Wilco ainda não passou. E parece que não vai me deixar tão cedo)
Amanhã tem aula. Eu não tenho sono, mas amanhã tem aula.
Já estive pior este ano. Mas parece que desde que cheguei em São Paulo a vida começou a melhor. Meu TCC está na panela de pressão, cozindo. Apareceu emprego, apareceu bar, apareceu ensaio lulínico: sinal de que as coisas voltaram ao estado normal.
Amanhã eu vou a uma academia de ioga. É academia que chamam os lugares onde se pratica ioga?
Pois bem. Quero esticar o corpo e relaxar a mente. Meio coisa de maconheiro esse papo de "relaxar a mente", mas é isso que eu quero. Ioga, não maconha.
Vou me tornar uma pessoa saudável. Durante a semana. As sextas-feiras serão reservadas à destruição total em companhia de algum membro da Patota, senão do grupo todo.
Graças a um urso de pelúcia, conhecido nas redondezas como Vives, encontrei metade das pessoas que eu amo. A outra metade não compareceu ao festivo encontro friorento e alcoólico. Mas espero vê-los em breve.
Do outro lado da minha vida, causação. Daguito barbudo, o batidão *voltou* (pra alegria da nêga aqui, que ama as quintas-feiras friton com a bagun), ensaio de Lulina com um novo integrante (six, o baixista ilustrativo-twee), com a presença de Ana e Crizi na platéia e sanduíche lento e estressante no sábado. Resumo: não vá ao Memphis.
E eu decidi, antes tarde do que nunca, que eu vou "me jogar" em todas. Pode convidar, a Kátia vai. Dinheiro pr'O Jogo da Amarelinha pode faltar, pro buteco, não.
Vou pro orkut. O lance lá é tão lento que o sono há de vir!
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2.11.2005
Sabe, eu nunca tinha escutado o Summer Teeth do Wilco. Discão, fudido.
Rola uma vinheta na MTV de desenho animado, um prédio com algumas janelas acessas e em cada uma dessas janelas rola uma música diferente. Numa das janelas rolava uma música que me deixava doida, uma música linda, linda, dessas que tiram o ar da gente, que deixam a gente bobo e faz babar. Pensava, eu tenho que perguntar pra alguém o que é isso. Acabava esquecendo. Daí peguei o Summer Teeth, o único Wilco que eu nunca tinha escutado. Coloquei pra rolar enquanto mandava uns e-mails. E a faixa oito? Era a música da vinheta da MTV. Eu até chorei de felicidade.
Wilco é lindo. Wilco sempre vai fazer músicas para o meu coração. Wilco sempre vai me fazer chorar, seja de tristeza, seja de alegria.
Wilco é sentimento que não acaba mais. Wilco me rasga feito uma espada. Me destrói e faz me sentir inteira ao mesmo tempo. Wilco me bota a tristeza mais alegre pra fora. Por isso que "music is my savior" and "i got my name from rock and roll".
Por que o mundo pode acabar, as pessoas podem ir embora, a comida pode acabar, meus olhos podem sangrar, mas a música estará lá, verdadeira, intocada, linda, sempre pronta pra te fazer companhia. Música é a coisa mais sincera do universo.
O Jardel escreveu isso uma vez:
"Acontece que as canções não iam embora de repente, muito menos se esqueciam de dizer adeus. Elas simplesmente não iam embora. As canções não decepcionavam. As canções não faltavam nas horas confusas. E quando as pessoas iam embora sem dizer adeus, decepcionavam ou faltavam nos momentos cruciais, as canções estavam lá para me fazer companhia, para dizer o que precisava ser dito, para trazer o consolo, o amparo, o colo que ninguém ficou para oferecer ou imaginou que você precisava. Para mostrar que alguém também compartilhava das mesmas dúvidas, das mesmas angústias. Um alguém distante, inacessível, arrependido talvez, mais imaginário que real, mas que eternizou aquilo de uma forma tão singela que não permitiu que esses detalhes da realidade atrapalhassem o verdadeiro sentido".
O Jardel falou tudo o que música significa para pessoas como eu.
A vida me fez muito sozinha. Por mais que exista mil pessoas à minha volta, eu me sinto sozinha. E é a música que me deixa um pouco melhor, que me acompanha dia a dia no fundo da minha cabeça.
No fundo da minha cabeça toca música o tempo todo. Principalmente músicas belas e singelas, como Teenage Fanclub, Wilco, Belle and Sebastian, Jesus and Mary Chain, Smiths, Felt, Low, Built to Spill, Beach Boys, entre tantas outras. Essas músicas que, como leite condensado, pegam na garganta, arranham o esôfago sem piedade.
Música dá sentido pra minha vida. Só vivo porque existe música. E se a música acabar, acreditem, minha vida acaba junto.
Ah, a música do Wilco que eu procurava sem saber o que era chama "How to Fight Loneliness". Você precisar baixar. Você precisa, antes de morrer ou de mudar de cidade, escutar algo que te comova. Algo que te faça sentir vivo e limpo e pronto pra outra. Algo que te devolva a vontade de fazer as coisas que você gosta.
Daí, depois de escutar uma música que te deixe completamente drogado, mole e alucinado, aguente a vida procurando por outras canções que devolverão a leveza a seu coração.
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Kátia: kraut rock e samba no pé
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai, Caaaaadão!
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2.10.2005
There's rows and rows of house, with windows painted blue.
With the light from the t.v. running parallel to you.
But there is no sunken treasure, rumored to be.
Wrapped inside my ribs in a sea black with ink.
I am so out of tune with you, I am so our of tune with you.
If I had a mountain, I'd try to fold it over.
If I had a boat (or bone), you know I'd probably roll over.
And I leave it on the shore, I'd leave it for somebody.
Surely there's somebody who needs it more than me.
I am so out of tune with you, I am so our of tune with you.
All the leaves will burn and autumn fires then return.
All the fires we burn, all will return.
Music is my savior, and I was maimed by rock and roll.
I was maimed by rock and roll.
I was tamed by rock and roll.
I got my name from rock and roll.
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A Kátia é café-com-leite
(das remotas lembranças da infância e dos sentimentos que perduram neste peito amargurado)
Adendo: Cadão Volpato said: "(...) mas é um cara dado a pequenos rancores, como todo ser humano"
E como todo ser humano, a gente vai se alimentando de pequenos rancores.
Todo blogue "katiano" é igual, nasce num momento de desespero e morre num momento de depressão.
Meia dúzia de gatos-pingados pediu que eu voltasse. Eu não sei escrever e custo a entender o que as pessoas gostam de ler sobre mim.
Eu também não entendo bem o que gosto de ler das pessoas, mas as leio, dia a dia, post a post. É como se eu precisasse saber da vida delas pra continuar comprando margarina, tomando banho, ouvindo discos e dando risadas.
E essa relação virtual às vezes me parece um bocado incabível, desapropriada. Eu não telefono pra saber como você está, eu te leio. Os relacionamentos parecem, ao mesmo tempo, tão próximos e tão distantes. Porque eu li que você está se alimentando, trabalhando, dançando, trepando, dirigindo, então concluo que está tudo bem. Eu sei da sua vida. E a gente vai vivendo, achando que está tudo bem e na verdade pode não estar tudo bem, mas a gente não se fala.
Penso em quais circunstâncias o suicídio poderia ser evitado. Porque se alguém que eu amo se matar, eu me sentiria extremamente mal, doloridamente culpada. Mas o meu amigo que se suicidou sabia que eu o amava? Pois bem.
Os blogues são bem isso. Você acha que está sabendo da vida da pessoa, mas na verdade não está. E a vida anda tão corrida, né?, não dá tempo de ligar.
Mas tá aqui. Vocês pediram, "a gente vai estar fazendo o melhor para estar agradando vocês". Assim espero.
Passei as férias lendo alguma coisa. Samuel Beckett, Julio Cortázar, Luigi Pirandello, Machado de Assis, Graciliano Ramos. Sinto falta de ler alguns trechos para alguém. Tudo o que eu acho foda demais, preciso mostrar pra alguém. Um "crescendo" em uma música, um pedaço de texto num livro, uma cena de um filme no cinema, um quadro qualquer de um pintor que eu não sei o nome, uma foto de ponta-cabeça. Não sei se eu preciso mostrar pra pessoa me afirmar "olha, é foda mesmo", ou se é porque eu quero que as pessoas sintam o que eu senti.
E assim são meus textos.Eu não sei se espero compreensão ou cumplicidade.
Espero, sim, que as pessoas gostem. E que leiam e que comentem. E que no final fique tudo bem.
Porque eu sou café-com-leite: inofensiva.
*
Holden Caulfield porque não há personagem no mundo mais Kátia do que o Holden.
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2.3.2005
Vai começar tudo de novo. Bolas!
Parto marcado pro dia 10 de fevereiro, às 18:00 horas. Vamos ver se este vai pra frente.
É a Kátia, sim, aquela mesma.
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