3.31.2005
"Acho que eu poderia afirmar que eu sou uma tarada pela blank generation".
eu, há uns 10 minutos atrás. Sou mesmo, e daí?
Que morra quem não é. haha.
Here´s to shutting up:
3.30.2005
Entra no Google e vê a homenagenzinha trimassa pro Van Gogh.
Here´s to shutting up:
1ª lei de Murphy: tudo que pode dar errado, vai, invariavelmente, dar errado.
2ª lei de Murphy: a menstruação desce, invariavelmente, quando veste-se uma saia branca.
Comprovado.
Here´s to shutting up:
Fala se a gente é fina ou não é:
(saiu no JB de ontem!!!)
Conexão Blogger, por Cid Andrade
Pérolas
Quando estiver no computador, trabalhando como uma louco, e sentir que é o momento de dar uma parada para desanuviar a cabeça, não pense duas vezes: confira o blog Dá pra repetir?. O site é obra de três paulistas de vinte e pouquinhos anos, que decidiram anotar ''pérolas'' proferidas por amigos, conhecidos, ou até mesmo por estranhos na rua. "Balbúcias fora de contexto, psicotrópicos fortíssimos, Deus-não-é-pai-mas-que-Deus-hein? e tudo junto ao mesmo tempo. Não gostou? Desligue e ligue de novo", diz o cabeçalho do blog. Se dão ao trabalho de (tentar) contextualizar as frases, mas o resultado é que elas estão lá meio soltas, no meio do caminho entre os números relativos e os absolutos. Melhor impossível, pois nos dão oportunidade de botar a imaginação para funcionar.
Hã? Dá para repetir?:
'
'Você faz locução, canta? Pois deveria. Você tem um talento, do tipo Ivete Sangalo'' - Em meio a frutas e verduras, numa louca sessão de compras no supermercado. Seria esse um elogio à minha voz de garoto fanho?
''Manhattan connection para mim é como Black Sabbath: só vale a formação original'' - Bruna Paixão, jogando a sinceridade na mesa do bar.
''Mas é engraçado... Porque antes de tudo eu tenho uma ternura por mulher... Ternura mesmo. Sabe como indiano tem com vaca?'' - Carlos, sem dó de colocar os animais como eles são.
''Se meu nariz estiver sujo você pode me avisar, tá?'' - Eu, tentando estabelecer o alto nível de amizade com um querido.
(Postados por Marsilea.)
''As mulheres são injustas com os pedreiros... porque o cara tá lá todo estourado. Ele podia te jogar um tijolo na cabeça mas não, vai lá e te faz um gracejo!'' - um amigo defendendo, e com razão, reconheço, os trabalhadores de obras que não hesitam em mandar um ''gostosa'' nas ruas.
''Porque sexo é cortesia da casa. Amor, a combinar'' - diálogo de carnaval.
''Wagner Love? Wagner Love é nome de cantor de ragga, né...?'' - Dunia, estranhando os nomes dos jogadores de futebol da atualidade.
''São Paulo é a Blade runner tropical'' - Definições de um carioca radicado. Óbvio, feita no bar.
(Postados por Adriana.)
''A Pitty é a Shakira da América Latina'' - Anaí. Mas eu pensava que colombiana já fosse latina...
''Minha avó 'tranfuga' roupa na máquina'' - Daniel. Ah, claro.....
''A menina? Parece que colocaram fogo na cara dela e apagaram com um tamanco!'' - Aranha, descrevendo a menina que um amigo anda beijando por aí.
''Kátia, acho que eu entrei na lavandeira!'' - Joselito, confuso com o banheiro decorado com calcinhas e toalhas por todos os lados.
''Eu quase pedi o castelo da She-ra, mas achei meio gay. Eu gostava do microfone da Xuxa também... Acho que eu era uma criança drag-queen'' - Igor Faustino, lembranças remotas de uma infância doce... demais!
''Maria-mole é o marshmellow de país subdesenvolvido'' - Gabriel.
(Postados por Katia.)
http://daprarepetir.blogspot.com
Entra, nêgo.
A gente tá postando muito pouco, mas dá uma olhada nos arquivos pra ver os tempos áureos do perolês.
Here´s to shutting up:
3.28.2005
Fala que ficou bonitinho, vai. Fui eu que fiz.
Here´s to shutting up:
Olha, vou falar a real. Eu tô cansada. Eu tô muito cansada e entediada. E o mundo anda me entediando porque viver é uma merda. A vida é uma grande e fedida merda.
As pessoas em geral são escrotas, os trabalhos em geral são imprestáveis, os lugares são chatos e irritantes e cheios das pessoas escrotas.
Perdi a fé. Completamente e não-gradualmente. Foi assim, pá, foi-se a fé. Como um tiro no escuro. Desses que a gente não sabe o que vai acertar.
Não sei se o problema sou eu ou o mundo. Sei que eu olho, leio, vejo, escuto e os bocejos tomam conta de mim. Rola um tédio imenso e incontrolável quando leio alguns blogues, quando vejo alguns trabalhos, quando escuto algumas bandas. Rola um tédio até em conversar com algumas pessoas.
Tédio infinito. Talvez Savarese se lembre de quando eu achava que tudo era "genial" ou "sensacional". Falava genial pra quase tudo que cruzava meu caminho. Agora acho tudo muito babaca, acho muita coisa imbecil, acho muita coisa com cara de má-vontade, feita por gente trouxa que acha que tá enganando alguém.
E deve haver dentro das pessoas um desses bichinhos que incitam a vida, ou que instigam a continuar aqui neste mundo de merda. E o meu bichinho morreu. Parece que havia uma cortina sobre meus olhos e ela caiu. E agora eu vejo o mundo como ele é e tudo dói.
E ando nervosa também. Tenho vontade de matar pessoas. Tenho vontade de falar umas verdades. De ser sincera em tempo integral.
Minha garganta fechou agora. Vontade de chorar. De raiva. Fico julgando o tempo todo. E não quero só julgar, quero virar pra pessoa e avisar: "olha, eu penso que você é um trouxa, babaca, que alguém falou que é genial e você acreditou. Agora tá aí, pagando de genial. Olha, você não passa de um montinho de bosta de cachorro".
Aiai. Ou falar: "calabocaaaaaaa, pára de falar imbecilidades por um minuto!" Ou mais, falar de uma vez: "olha, eu não gosto de você, será que dá pra sumir da minha vida pra sempre até um de nós morrer?"
Talvez o problema não seja o mundo. Talvez seja eu. Talvez eu precise mudar minhas leituras, precise admirar outros quadros e esculturas, precise voltar os meus velhos e clássicos discos, precise ficar só no Truffaut e nos seus amigos da Novelle Vague, talvez eu precise parar de freqüentar essas baladas onde o som é alto demais e minha paciência, inversamente proporcional, é baixa demais, talvez eu precise ir nuns botecos com meus velhos amigos, tomar velhar bebidas e discutir velhos papos e dar aquelas velhas risadas e me preocupar com coisas menores, como pagar a conta de gás ou fazer barra na calça que ficou comprida, e parar de me importar com as pessoas que estão me tirando do sério, pronto, ser mal-educada logo com esses idiotas, parar de me irritar com o jornal e com os absurdos do senado, é, a sinceridade há de não doer, e se doer, vou falar logo: então vai tomar um pau no cu, que é o que você tá precisando.
Cansei. Estou profundamente cansada. Cansada a ponto de não agüentar mais. A ponto de explodir.
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3.23.2005
Aê: primeira entrevista com a Ruth Lemos pós-fama.
Aqui.
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3.22.2005
aiai, eu não consigo terminar o cartaz do The Wanteds.
Eu preciso terminar o cartaz, ai, juro.
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3.21.2005
"Michael Gira has done a large amount of work. Some of is sound nice and much of it is dark. Much more is very nasty. I guess that is why he has such a large Goth that following that pays attention to his every move. Recently Gira has created a lot of folk music and good tunes. He has embraced narratives and told stories. Much of this album is vocal and acoustic guitar. Not much of the dark vibe can overpower these songs. "The Kid Is Already Breaking" is a song about Devendra Banhart. There are plenty os songs about children and time passing. Gira uses mostly the Akron/Family as his backing musicians on this record. Of course there are some frequent collaborator like Siobhan Duffy on here too. There are plenty of new sounds on this record. It os a good place to start listening to his music. Michael Gira will always be an american musical genius. Maybe more people can find this out in the future?"
Extraído de SFburning
The Kid is Already Breaking, do Angels of Light (sing other people).
Essa música é muito, muito bonita. E foi feita pro Devendra Banhart.
Baixaê, se encontrar. Aliás, baixa o CD inteiro. Não consigo parar de escutar.
Valeu, Gui.
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Do you wanna dance?
Oh, babe, eu já sabia.
* * *
Volta depois. Agora eu vou almoçar.
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3.18.2005
Eu estou me sentindo diferente hoje. Não sei o porquê. Me sinto diferente de um mês ou dois atrás. Me sinto diferente, até mesmo, de uma semana atrás.
Me sinto melhor. Me sinto feliz. Me sinto forte. E sinto que o amor voltou, docemente, ao meu coração.
Aconteceu muita coisa nos últimos dois meses. Coisa demais, um bocado de coisas. Coisas ruins, coisas estranhas, coisas boas, coisas maravilhosas.
Mal sei explicar porque meu coração se sente bem neste momento. Mas ele está leve, flutuando dentro do peito. E sorrindo. Meu coração está sorrindo neste exato momento. Ele está se sentindo vivo. Ele está se sentindo inteiro. Ele está se sentindo grande.
É muito bom sentir-se vivo de vez em quando. De vez em quando é bom saltar de uma cachoeira e sentir a água gelada bater no corpo; é bom fumar um cigarro ardido e tossir, tossir até se afogar, pra lembrar que você tem garganta e pulmões; é bom deixar um chocolate derreter na língua toda; é bom saber que a qualquer momento você vai se sentir muito feliz ou muito triste; e é bom saber, também, que seu corpo ainda treme, seja de frio ou de vergonha, que suas mãos ainda suam, seja de nervoso ou de calor, que seu coração ainda pulsa, seja de amor ou de ódio.
E coisas que há séculos eu não fazia ou sentia mais, voltaram com força: ruborizar ao conversar com alguém, rir o infinito de piada sem graça, sair pra jantar ou tomar cerveja com amigos, ter vontade de contar alguma coisa pra alguém, vontade de perguntar, vontade de cair e levantar, vontade de dançar, de abraçar, de amar amor grande e forte.
Eu voltei a viver. Talvez seja isso. Eu me sinto feliz porque eu voltei a viver. Porque eu curto o perigo e a glória de qualquer relacionamento/acontecimento.
Mas não foi sozinha que eu cheguei aqui, não.
Tem algumas pessoas muito especiais que fizeram parte desse processo.
E não fique chateado se eu não falar seu nome ou se eu esquecer de alguém. Amo todo mundo igual. Ou quase. Mas amo. Que? Vai duvidar?
Dú, Nanaxú, tia Li, Vives, Bob, Lô, Dri, Nô, Luís Mauro, Pé, Chico, Bruno, Zéga, Cá, Fer, Lulina, Michael, Asta, Enin, Palugas, Rê, Crizi, Gui, Daguito, Artur etc. etc...
Obrigadaaaaaaaaaaaa. Por existir, principalmente.
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3.17.2005
Os Besouros
Montei uma banda que toca versões punk e em português das músicas dos Beatles.
Quem quiser entrar, é só avisar.
O repertório é esse:
- A Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta
- Ajude!
- Tem Sido Uma Noite Difícil
- Mexe e Rebola
- Quero Segurar Sua Mão
- Ontem
- Não Me Deixe Mal
- Revolução
- Tour Misteriosa e Mágica
- Ela Te Ama
- Você Não Pode Comprar Meu Amor
- Submarino Amarelo
- Campos de Morango Para Sempre
- Tudo o que Você Precisa É Amor
Bom, por enquanto são essas. Se quiser sugerir mais alguma...
Here´s to shutting up:
Olha, se eu fosse você, não perderia nenhum dos dois:
Pocket show do Cadão Volpato às 21:00 na Casa do Saber, lançando o disco "Tudo o que eu quero dizer tem que ser no ouvido".
(R: Mário Ferraz, 414 - Itaim)
&
Show do Antebraço às 23:00 na Milo Garage, com três baterias e tudo, lançando seus tímpanos ao vento.
(R: Minas Gerais, 203A - Higienópolis)
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3.16.2005
Aniversário de Boneca:
Bibis fofa, filha do Rê e da Lari.
Rê, dá beijo nela por mim, tá?
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3.15.2005
João mora na periferia. Tem quatro filhos, uma esposa e uma kombi. João trabalha numa editora, é motorista. João se chateia com as pessoas que não falam oi pra ele, não todas, só as que ele já levou para algum lugar. João é sincero, não tem papas na língua. E quando abre a boca, não é um desastre. Fala bem, discorre bem, discursa bem. João tem revoltas, como todo ser humano deve ter. Eu olho pro João e desejo que ele seja feliz.
* * *
Sebastiana é doce. Mora em Pinheiros. É solteira, mora em um apartamento de 400 mts quadrados, tem carro, iPOD e um gato angorá, e coleciona selos. Sebastiana é feia: tem olheiras enormes, nariz que não combina com seu rosto, lábios finos e caídos, cabelos secos e despenteados, ombros declinados, pernas tortas e se veste mal. Mas é doce, terna, querida. Sebastiana é triste, não teve muitos amores, não coleciona amigos, detesta se olhar no espelho. Eu olho pra Sebastiana e desejo, profundamente, que todos vejam como seu coração e sua alma são lindos. Mas ninguém vê.
* * *
Fábio é bonito. Tem olhos verdes como dois pistaches, nariz fino e bem desenhado, boca vermelha feito um morango maduro, cabelo pretensiosamente bagunçado e usa roupas legais. Escuta hardcore, desses bem ruins. Nunca leu um livro. Nunca vibrou de paixão. Nunca sorriu com prazer. Fábio se preocupa em fazer pose o tempo todo, se preocupa em ser bonito o tempo todo, se preocupa em parecer cool o tempo todo. Fábio é oco. Eu olho pra Fábio e desejo que ele morra.
* * *
Duas crianças bem pequeninas e o pai delas reviram o lixo de um condomínio de luxo nos Jardins. Não sei o nome deles. Ninguém sabe. Ninguém os vê, mesmo revirando lixo feito animais. Têm fome, têm vergonha. Mas precisam sobreviver. Ao mesmo tempo reservam as latas de alumínio e o papelão para fazer algum trocado depois. Passo do lado e finjo que não vejo, como fazem todas as outras pessoas. Meu coração dói. Meus olhos se molham. Eu olho para trás e os vejo. Desejo morrer.
* * *
E assim a vida segue. Com muita coisa, mas muita coisa mesmo, fora do lugar.
Here´s to shutting up:
Ah, eu tô um carvão hoje.
Nem eu tô me suportando.
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3.14.2005
La Derrubadera
eu não tive aula disso, mas aprendi rapidinho como é que se faz.
Bom, sou a "derrubadera" agora. Derrubo pautas reunião após reunião, com gôsto. A gente não teve aula disso, teve?
É, não teve. Três anos de Jornalismo Básico e eu nunca tive uma aula de "reunião de pauta". Delicadamete faço desmoronar todas as idéias da pessoa em dois segundos. "Não, não", daí jogo um argumento qualquer e derrubo a pauta da pessoa sem ela ter tempo de respirar.
O que há de mau nisso?
Aprendi rapidinho a achar todas as sugestões um bocado chatas e a me livrar delas antes que a pessoa se ache dona de uma grande idéia. Ninguém tem grandes idéias desde Fernando Vives, o iconoclasta. Né não?!
Bom, mas é isso e nada mais.
O brinquedo é meu e eu brinco na hora que eu quero e do jeito que eu quero. Não gostou, vai embora.
Afinal, se não houver um ditador nessa espelunca, a coisa não vai pra frente, ou vai pra frente de maneira torta.
Pronto, falei. Mando mesmo. Oras!
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3.11.2005
Foi assim que se procedeu o caso: tudo morreu bem devagarzinho, devagarzinho igual noite passa, devagarzinho igual estrela apaga, devagarzinho igual lágrima cai, devagarzinho tão inho que não havia jeito de diagnosticar. Mas devagarzinho galinha enche o papo, devagarzinho o dia chega, devagarzinho a música toca, devagarzinho criança dorme quando mama. E devagar assim, a dor só poderia se estender pra milhares de anos. Mas a dor também vem devagar, e vem só depois que tudo acaba. Devagar balão de gás hélio pára de flutuar, como muitos sonhos. Devagarzinho assim, fui esquecendo sua voz, a maciez dos seus cabelos, o calor de suas mãos, o som da sua voz, o carinho dos seus beijos. Devagarzinho assim tudo foi se esvaindo, desprensiosamente, delicamente, sem intenção de sê-lo. Mas foi-lo. Devagarzinho como não haveria de querer-me que isso tudo acontecesse, e devagar a raiva cresce cada vez que tento me lembrar e não consigo.
Devagarzinho a gente vai descobrindo o que dói e o que não dói, não enfiamos a mão no fogo, não pulamos num rio congelado, não entramos na jaula do leão e devagarzinho fui me acovardando e me acomodando de modo que via tudo desmoronando na minha frente e não conseguia levantar uma mão para fazer algo. E devagarzinho aprendi a chorar escondido e a engolir angústias quando não eram para elas desabrocharem no meu peito. E devagarzinho, quem aprende a segurar o choro, aprende a fazer os outros chorarem, se tornando cruelíssima pessoa sem perceber.
E muitas coisas se tornam pequenas demais para quem é cruel, pouca coisa importa.
Mas depois de ver e sentir morrer bem devagarzinho aquilo, devagarzinho cresceu em mim um sentimento avesso ao mundo, de inadaptação e de desprezo por tudo que não queria sentir e mal conseguia dominar.
Mas de cada tombo e de cada devagarzinho que se sucedia, fui tirando lições preciosas, dessas que quero guardar no coraçãozinho frágil que seguro no peito. E se há dor, dessas que vêm, engolem a gente, cospem e nos deixa no limbo, há a esperança que vem nos salvar. A vontade de saber qual será a lição daquela dor.
Então bem devagarzinho a coragem há de voltar, devagarzinho a ternura e compaixão voltam também, sem pedir. Como muita coisa acontece sem a gente pedir mesmo.
E bem devagarzinho as estrelas apagam mesmo, não há como impedi-las, e bem devagar os balões se esvaziam, mas gente trata de encher outros e devagarzinho a gente percebe que "a vida é cheia de som e fúria e vazia de significado" como disse Shakespeare, sem querer ser profeta nem nada, só avisando que por mais que você queira entender tudo o que acontece, não vai conseguir, pois aquilo não tem sentido algum. O único sentido é continuar buscando o som e a fúria.
*Réquiem pra mamãe Lisete, que agora vê a fúria e o som da vida lá de cima.
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3.10.2005
"Tanta gente se esqueceu
Que o amor só traz o bem
Que a covardia é surda
E só ouve o que convém
Meu amigo volta logo
Vem olhar pelo meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo".
(Todos Estão Surdos - Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
"Só ando sozinho
E no meu caminho o tempo é cada vez menor
Preciso de ajuda
Por favor me acuda
Eu vivo muito só
Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo
Eu piso mais fundo
Corrijo num segundo
Não posso parar".
(As Curvas da Estrada de Santos - Robertos Carlos/Erasmo Carlos)
É por isso que ele é o rei.
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3.9.2005
Da série: "A pergunta do repórter, a resposta do policial"
Jornal que passa na Globo às 7:30 da manhã, hoje:
Repórter: o que você acha do gerundismo?
Calouro da USP: Eu acho que o gerundismo é a evolução da língua.
E eu acho que você é a involução da vida, beócio.
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3.8.2005
Do bombom que está me olhando
(porque é superlegal atualizar o blogue ou ganhar na loteria)
Tem um bombom sentado a uns 14 centímetros de mim me olhando fixamente. Fito-o com carinho e tesão, mesmo sabendo que nada vai acontecer. Fiz promessa e não posso comer chocolate até o dia 16 de março. Tá foda, principalmente nestes últimos dias de cumprimento. Domingo eu tive delírios súbitos e todos envolviam alguma coisa de chocolate. Devil´s food cake, mousse de chocolate, pão de mel, rolinho de banana com chocolate, sorvete de chocolate, corneto, cobertura de chocolate, milk-shake de brigadeiro do Hobby's, aquela coisa toda.
Nunca mais prometo ficar sem chocolate. Só de lembrar do capuccino da Kopenhagem, me dá vontade de chorar.
E o bombom me olha. Está tentando me seduzir. Me ganhar. Me dominar. Mas eu juro, não vai conseguir.
;-)
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3.3.2005
Aaaaaaaarg!
Tive um pesadelo horrível essa noite. Estava numa festa indie, lotada de indies e tava rolando umas música indies.
Tinha uma lousa verde (dessas de colégio) num canto da festa e os indies iam até lá e escreviam um nome de banda indie que eles curtiam etc. etc.
Só que sabe como indie é, tem sempre que ficar falando uns nomes imbecis de banda que ninguém conhece só pra mostrar que sabe mais que o outro. Foda.
Daí eu olhava a lousa e não conhecia nenhuma banda que tava lá e começava a me sentir muito mal. Comecei a sentir muita raiva dos indies, eu estava num sofá ou algo desse tipo, e chegava o meu professor de sociologia do primeiro ano da faculdade e perguntava: Kátia, que bandas são aquelas da lousa?
E daí eu dava um piti e xingava os indies um monte, falava horrores e ia embora.
Daí eu acordei e lembrei que é verdade: eu não suporto mais os indies.
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3.2.2005
Meu, esse mino é um escrotoooooooooooooo.
Odeio muito, profundamente.
Desde o dia em que ele pisou em casa pela primeira vez (que o conheci, no caso), achei ele um escroto.
Daê que ele trampava na Trip, nhé, nhé, nhé, "ai, ele trampa na trip, ui", era 2002, tínhamos acabado de entrar na faculdade e a Trip ainda era legal.
Ficamos toda derretidinhas, "ele escrevia no Givago, ui, ui"...em dez minutos de conversa, eu desisti. Desisti de suportar. como uma pessoa pode ser tão irritante em tão pouco tempo?
Eu desacredito na capacidade que as pessoas têm de ser desagradáveis tão rápido.
Agora ele freela aqui do meu lado. Almocei um dia com ele. Aquele asco e repulsa de 2002 voltaram com mais força.
Outro dia tentei dar bom dia. A raiva se alimentou.
Desisti de suportá-lo de novo.
Será que ele nunca vai perceber que ele não passa de uma carcaça, de um currículo vagabundo, que não ultrapassa uma revista moderninha demodè e um zine morto???
Será que ele nunca vai perceber que tudo que tem dentro dele é morto, é putrefato, é podre?
Ele pode ter escutado todas as bandas obscuras da história da Islândia, ter lido todas as matérias de Hunter Thompson e os livros do Edgar Allan Poe e ter assistidos todas as peças de teatro em cartaz, mas ele é oco.
OCO. VAZIO.
Oco porque não sabe dividir experiências, porque não sabe conversar, porque não sabe compartilhar sentimentos e conhecimento.
Toda forma de se apoderar de cultura e guardar para si, sem dividir, sem ensinar, sem retransmitir, é inválida. É natimorta. Se torna oca, apodrece dentro da gente.
Por essas e outras, ele é um escroto supremo. Tão cheio de si, tão orgulhoso com sua cultura que ninguém sabe qual dimensão tem.
Nem ele, talvez.
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