4.29.2005
Sobre pessoas e músicas
O disco novo do Maurício Takara ficou um creminho. Creme desde a capa (luxuosa, em digipack, com arte espetacular de um amigo dele) até todos aqueles barulhinhos incríveis que ele mistura com as batidas insanas das músicas sem-nome dele.
Passei a tarde toda olhando pro disco (e mostrando pra todo mundo que passava ao meu lado), nervosa pra ir pra casa escutar. Quando cheguei, coloquei bem alto. 20 minutos depois, chega Michael em casa, abre a porta da sala e exclama: Nossa, com essa música, achei que tava rolando uma instalação de arte aqui em casa.
* * *
Bravo! de maio: Bob Dylan, vulgo Deus, na capa. Salve, Dylan. Chamada: "trechos inéditos do livro de memórias do compositor que o mudou a cultura pop". Tô com a minha no colo.
* * *
Ontem estávamos na Milo, eu, Michael, Crizi, Bruno e Gui nos preparando pra ir embora quando chega duas bibinhas fofas chamando a gente de 'sorridente'. Daí o Dago botou pra tocar Anthony and the Johnsons e um deles perguntou: o que é isso? Daí eu respondi: é Anthony...daí eles começar a ter uns ataques histéricos e piraram e acharam muito linda voz do traveco mais cool do momento.
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Os três primeiros discos do Jorge Ben foram relançados. Mais creme do creme. Agora a nossa casa tá assim: Afrosambas do Vinicius e Baden de manhã, Sacudin do Jorge Ben à tarde e Pérola Negra do Luís Melodia à noite. Phoda.
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Se eu não encontrar Pétria Chaves em 25 ou 26 horas, vou morrer de abstinência.
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Está chegando o ano novo Lulínico. Dia 13 de maio, no meio da loucura do Hype, com direito a contagem regressiva e tudo. Só falta saber onde vai ser (no SESC mesmo?)
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Meu novo vício em uma só palavra: asicstiger.
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4.26.2005
Bronca do motorista de ônibus, que antes tomou bronca do cobrador. Olhei com cara de paisagem. Não tô com vontade de brigar hoje. Acordei pacífica. Mas nem sempre é assim. Aliás, nem sempre tem sido assim. Penso que isso tudo não serve pra outra coisa senão crescer. "I don´t wanna grow up". Sou punk ainda. A mesma Kátia Punk dos 14 anos. Lembro bem dessa época. Era engraçada. Eu era pop e uma frase grudou na minha cabeça naquela época e me acompanha até hoje, apesar de eu nem ser mais daquele jeito. "Você é a menina mais rock'n'roll dessa cidade", ele disse. Não só ele, como um outro amigo, que me apresentou o Velvet. Não só o Velvet. O Byrds, o 13th Floor, o Yo La Tengo, o Electric Prunes, o Grapefruits e o Kinks. Nadavê, mas tudoavê.
Às vezes sonho que eu tô batendo em alguém e a pessoa não sente nada. Como se meus socos e tapas se igualassem a plumas. Sinto-me fraca e acordo me sentindo assim, perdedora, insignificante, impotente. Engraçado. E as pessoas que estão "apanhando" nos meus sonhos é sempre gente que eu não gosto/engulo no mundo real. E me sinto mais fraca que elas. Menor, pior. "Some girls are bigger than others and some girls mothers are bigger than other girls mothers". O Morrissey pode ter tentado expressar a frase no sentido real, mas na minha cabeça ela toma sentido figurado e algumas garotas são maiores que as outras por atitude, não por centímetros.
Eu eu gostava muito dessa música. Acho que porque eu queria ser uma garota maior do que as outras. Não todas as outras, digo, não quero ser maior do que todo mundo. Quero ser maior só que as garotas execráveis, escrotas, patéticas, esse tipo de coisa.
Alguns anos depois, quando tinha uns 17, discutíamos bêbados, eu, Michael e Júlio Punk (o que me passou o "codinome" por osmose e me apadrinhou com carinho) que as mulheres não funcionam. Não do jeito que deveriam. Daí eles chegaram a conclusão de que eu era a Eva e que Deus queria que todas as mulheres do mundo fossem como eu. Assim: desencanada, punk, sem aqueles "mulherzices". Mas eu envelheci 30 anos nos últimos 3 anos. As "mulherzices" desabrocharam dentro de mim. E afloraram e estão todas expostas como feridas abertas, sangrando, criando pus, incomodando. Não sou mais punk, não sou mais pop, não sou mais a "menina mais rock'n'roll da cidade". Sou só a Kátia. Mulherzinha, com direito a TPMs horrendas, frescurinhas, olhinhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada como Capitu. Não tive saída. Eu me sentia uma garota maior do que as outras, hoje já não sinto mais.
Mas não há medo que não possa ser atropelado. Não há angústia que não possa ser curada. Não há.
A gente cansa, mas a gente segue.
A gente segue, mas a gente xinga.
A gente xinga, mas a gente gosta de ser assim.
Né?
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4.20.2005
E Maher mostrou o caminho da luz
(principalmente da luz do holofote, que fez a gente suar um pouco)
O show da OPEN FIELD ontem foi incrível. Todas as famílias na platéia, até minha madrinha e meu padrinho foram, a Criz, a Karen e o Ricardo, a Bito, a vó e o vô do Gui, a imensa família italiana do Daguito, os 7294525 amigos da Lulins (que carrega Recife onde quer que ela vá), um menino que viu o show no Rio e veio pedir bis em Sampa, até o Fábio do Superbug tava presente. Aposto que sairam todos de coração convertido do lugar, sabendo que o mestre Maher tem razão. E viram a performance superstar do Ronex, a causada do Eugênio, a vibração de Yeah!, as meninas derretendo que nem chocolate sob os holofotes, a camiseta nova, a energia boa que rola etc. etc.
Se você ainda não é Open Field, não sabe o que está perdendo.
E só pra constar, vai rolar Open Field Church em Glasgow, na Escócia.
Membros do Belle and Sebastian, Teenage Fanclub, International Airport, Mogwai, Pastels e até o próprio Maher Shalal Hash Baz formarão a filial gringa da nossa igrejinha, num show que será realizado dia 30 de abril. Dá uma olhada aqui.
Fora Carvão!
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4.19.2005
Qualidade de vida e outras observações elementares
Quando eu penso em morrer (ninguém morre assim aos 21 anos, então a palavra deve ser suicídio), fico triste. Tenho vontade de chorar quando penso nas maneiras de como meu corpo pode ser abandonado pelo meu espírito. A morte é uma coisa triste. Mas, por exemplo, como ando morrendo um pouco por dia, só me entristeço um pouco por dia. Não tenho qualidade de vida. Cansei de São Paulo. Quero ir embora, quero ir pra casa. Não sei se vou, porque tenho um amor aqui. Os amigos duram à distância, mas os amores, não. Eu me lembro de uma vez que decidi morar em São Carlos. Tinha um ex-namorado na época, que ficou histérico quando descobriu. Ele se sentiu traído, abandonado, sei lá. Acabei ficando. Não pelo namorado histérico, pela faculdade mesmo, pela cidade e pelos amigos. Há uns meses decidi que tinha que ir embora pra Itália. Eu sabia que se eu fosse pra Itália não ia ser fácil (ninguém falou que seria), mas eu ia aprender um monte de coisas novas. Inclusive italiano, essa língua que eu acho incrível. E sabia que depois eu poderia ir até a França aprender francês e depois ir até a Inglaterra assistir uns shows de róque, dar um pulinho na Suiça pra comer uns chocolates e matar o intercâmbio na Holanda fumando uns baseados legalizados. Entre todas essas idéias e vontades, muitas outras coisas iam acontecer, coisas boas e coisas ruins, coisas. Se até o meu professor de metodologia - um gênio, diga-se passagem - foi garçom na França, porque eu - figura insignificante no mundo acadêmico e crítico - não lavaria pratos? Báh.
Então. A qualidade de vida. Não existe. Durmo mal, como mal, vivo mal, leio mal, trabalho mal, nada faço muito bem. Não tenho mais tempo de ir ao cinema, nem de escutar um disco inteiro. O Trânsito me chateia, a poluição deixou o meu nariz muito mais sensível do que já era - a rinite ataca, agora, três vezes ao dia - e não tenho dinheiro nem tempo pra fazer as coisas que me dão prazer.
Eu estou levando uma vida de merda. É isso. Eu não quero mais isso. Não amo mais o caos como amava há um ou dois anos. Acho que envelheci. Não quero mais acordar com buzinas na janela às 6:30 da manhã. Não quero mais comer fumaça de ônibus. Não quero mais engolir um sanduíche barato e vagabundo pra matar a fome sem perder tempo. Não quero mais dividir o quarto, não quero morrer de ciúme dos meus CDs, não quero deixar os livros encostados na prateleira por falta de tempo.
Quero ir embora. Pro interior. E arrumar um emprego idiota que me pague 4.000 reais por mês e eu possa comprar o Truffauts que eu quero assistir e os Pirandellos que eu quero ler. Quero sair de casa às 8:00 da manhã, voltar na hora do almoço, chegar em casa do trampo às 6:00 da tarde e passar o resto da noite abstraindo.
Mas eu não posso. Eu tenho um amor aqui.
Burra. Burra, fazer o quê? Antes tivesse endurecido o coração e nunca mais se apaixonado na vida.
Mas eu quero ir embora. Não quero mais brincar dessa brincadeira. Quero outra.
Tchau, São Paulo.
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CELEBRATION
HOJE TEM SHOW DA OPEN FIELD CHURCH NO TEATRO DO CENTRO DA TERRA.
MAS VÊ SE NÃO ENROLA PORQUE TEM SÓ 100 INGRESSOS.
O TEATRO FICA EM PERDIZES, NA RUA PIRACUAMA, # 19.
ALI ATRÁS DA EME-TÊ-VÊ.
SE QUISER O MAPA: www.centrodaterra.com.br
QUEM NÃO FOR, VAI PERDER YEAH! DO LCD SOUNDSYSTEM, DIAMOND SEA DO SONIC YOUTH, HAPPY TOGETHER DO TURTLES, TAKE ME OUT DO FRANZ FERDINAND, NOTHING TO BE DONE DO PASTELS, E MAIS UM MONTE DE COISAS LEGAIS.
É ISSO, FILHARADA.
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4.17.2005
Porque eu sou fina, criaram uma comuidade pra mim no orkut.
haha, engraçado.
(brigada, pikena Ana. Amo você. E brigada aos que entraram.)
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4.14.2005
Gostaria de saber, também, porque as pessoas mudam de repente.
Cruzei uma vadia hoje na faculdade, falei OI e ela, com cara de bunda, resmungou "ooo". Há a teoria de que eu sou amiga do ex-namorado dela e amiga da atual namorada do ex-namorado dela. Daí ela fica fazendo cara de bunda. PAUNOCU dela.
Não entendo. de repente, sem explicações, a pessoa fecha a cara, mal fala com você.
POR QUE FALTA SINCERIDADE ÁS PESSOAS? Tipo, essa idiota aí podia ter chegado e falado qualquer coisa, ter justificado essa merda toda, mas não, fica fazendo essas bichices, fica fazendo caretinha, biquinho. PAUNOSEUCUHELOÍSA. Eu não olho mais na cara dela. Você e esse seu jeitinho malemá.
Mas não é só ela não. Tem mais gente estranha aí comigo. Mas foda-se.
Pô, bixo, tô mal.
Nossa, tô muito mal.
:(
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Tem dias que eu almoço sozinha. Tem dia que eu não gosto. Tem dia que eu não ligo.
Mas hoje eu tava precisando ficar sozinha. Deu certo, sabe. Eu só não imagina como a gente faz pra engolir e soluçar ao mesmo tempo.
Inferno astral. Eu não sei nada sobre inferno astral, só sei que eu estou nele e que eu estou muito irritada.
Mas o apê novo é legal. Gostei. O melhor de tudo é que a Mirian não ronca. Beleza, beleza.
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Eu posso dizer:
"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. (...)
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado". (Vinicius de Morais)
"O negócio é sentar pra comer um bolinho".
(descontextualize e faça o que quiser com essa frase por apenas 1,99)
Se for o seu aniversário hoje, que se foda. Vai almoçar sozinho.
(essa é a parte mais legal de odiar alguém)
Não, eles não sabem. Há tantas coisas que tantas pessoas não sabem. E que eu, junto com elas, também não sei.
Não sei nem explicar porque doeu tanto ouvir aquelas palavras. Tá, seria fácil falar "você vai ficar dois meses na França enquanto eu fico aqui me afogando de saudade", mas é muito mais que isso. É algo como "sou viciada em você; como vou viver sem o seu cheiro; e quando eu tiver vontade dar uma trepada?; com quem eu vou brigar de brincadeira; enquanto você está lá eu vou definhar; hambúrguer não tem o mesmo gôsto; e quem vai me amar?; quem vai fazer bico e se chatear quando eu beber; cadê meu melhor amigo-namorado-irmão-pai-segurança; e agora que eu roí as unhas; a cama fica vazia; e eu fico sem vontade viver"...bom, isso é o começo. Só o começo.
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4.12.2005
Sem tempo. Foi mal aê.
Juro que volto quando der.
ha.
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4.6.2005
Boto o Devendra bem alto na sala. Isso é tudo que eu consigo fazer no momento. E tudo que eu preciso.
Volto pra me explicar e pra desabafar, porque preciso. Sou a favor da morte tanto quanto da vida. Sou a favor dos direitos e dos deveres. Sou a favor do ódio tanto quanto do amor. E amo e odeio com a mesma intesidade. Aliás, intensidade é coisa que não podem me cobrar. Tenho de sobra. Sou uma pessoa compulsiva, profundamente. Perdoe qualquer erro de digitação. Tenho pressa e minhas mãos não acompanham meu cérebro.
E lia*.
E quando li isso "ontem você chegou como sempre: perfumada, cabelo molhado, abraço e sorriso aberto. Encolhendo os ombros e os olhos, chorou um pouco, abraçou os ombros e fez charme. Depois, batata recheada, almoço e cama. Nossa coleção de pequenas intimidades. Amei você como nunca e como sempre, dormindo sobre meu peito, tão pequena dentro de si. Quando estou com você, tenho a impressão de que eu sou seu primeiro ocupante. Como se eu fosse o primeiro cara - e você uma virgem de 15 anos." chorei. Foi num soluço: e três lágrimas cairam de cada olho, seguidas, sem intervalo. Lágrimas gordas, doloridas e felizes como não sabiam ser. E o Devendra cantava "Love will be much better, lovewillbemuchbetterlovewillbemuchbetter - I KNOW".
Não evito, também, a dor de cabeça. Latejante, viva, perturbadora. Fumo um cigarro atrás do outro. A garganta arde. O útero de manifesta de maneira não muito diferente, está pior do que a garganta e a cabeça. Me sinto podre.
Podre por dentro e por fora. Meu estresse se manifesta de muitas maneiras, nenhuma muito ortodoxa. Dores nos ombros, na cabeça, barriga inchada, cabelos caindo, e a novidade da semana é a caspa.
Troco o disco. Tim Buckley combina com angústia.
Havia uma época que um amigo, ou ex, não sei, me chamava de Miss Desilusão. Argumentava que eu gostava de gastar meu tempo caindo em desilusões profundas. Mas sou também a Kátia-sorriso-fácil, a idiota que eu ainda não descobri se eu gosto ou detesto ser. Me sinto uma idiota cada vez que sorrio. Principalmente quando não é sincero. Daí, além de me sentir idiota, me sinto estúpida. Porque há umas seis ou sete pessoas no mundo que eu sorrio tendo vontade mesmo é de chutar a cabeça. E às vezes eu estou com raiva da pessoa, mas é só ela me soltar quatro ou cinco palavras e um mísero sorriso que eu já me derreto toda. E fica tudo bem.
Mas às vezes me sinto rejeitada também. Há pessoas que eu gosto, mas que me rejeitam. E não há solução. Daí o tempo vai passando e a angústia da rejeição vai se transformando em raiva. E eu fico mal quando essas pessoas aparecem na minha vida, porque rola um campo magnético muito forte e negativo e estranho que nos junta, nos faz trocar quatro ou cinco frases aleatórias e depois nos separa, me dando a impressão de rejeição efetivamente aderida. Eterna. É horrível.
A rejeição é, ao lado do desprezo, o sentimento mais dolorido da face da terra. Talvez seja por isso que eu sorrio para as pessoas que odeio: não quero que elas se sintam rejeitadas ou desprezadas, porque isso é sentimento que não desejo nem pra cachorro.
Mas nós, seres humanos, somos muito descuidados com os outros. Há os malvados, os que descuidam e humilham por opção e há os distraídos, que descuidam sem querer. Todos nós somos assim. Há os que cuidam de verdade, que se preocupam, mas estes são raros. Na verdade parece que só nos importamos com a vida alheia quando a fofoca é quente. Depois voltamos a ignorar. Esquecemos. Maldade não-intencional.
Mas é bom perceber que há cinco ou seis pessoas no mundo que se importam de verdade comigo, que me dariam um rim caso eu precisasse. Me senti extremamente feliz quando pensei nisso ontem. E eu faria o mesmo por umas dez pessoas aí, ou mais, não sei.
Enfim, perdi a fé. Na vida, em Deus, nas pessoas, nas soluções. Perdi daquele jeito - sem querer. E parece que a bola de neve não tem parada.
*Lendo JP Cuenca.
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Everything is dead and gone
Bom, é isso, né? A gente toma sustos. As pessoas costumam ir embora.
É, a gente não quer que pessoas de 20 e poucos anos vão embora, mas acontece. Não estou bem nem mal. Assisto impassível ao espetáculo da vida. Talvez ele já estivesse todo morto por dentro, com o coração destroçado, com a alma profundamente triste. Daí ele só se livrou do corpo.
Sou a favor do suicídio. Sou a favor do aborto, sou a favor da pena de morte, sou a favor da eutanásia e da ortotanásia.
Por que eu deveria ser contra?
O processo de partida da minha mãe foi ortotanásia. Um dia tiraram todos os medicamentos e recursos fúteis e começaram a recorrer a milhares de tratamentos paliativos. Não foi bom pra mim, porque a cada três ou quatro dias meu pai ligava falando "vem pra casa que sua mãe não passa de hoje", tipo numa terça-feira às 11 da noite. Chorava a noite inteira, pegava um ônibus às 6 da manhã pra Monte Alto, chegava lá e, logo que me via, ela melhorava. A gente não sabia como ou quando ela iria embora. Mas foi assim: ela não sentia mais dor, ela passava os dias entupida de morfina, lúcida e cruelmente enfraquecida, esperando a morte chegar e falando "eu não vou morrer lálálá"...foi melhor pra ela, tenho certeza.
Tem gente que não agüenta esperar a morte chegar. Quem somos nós para julgar a agonia, a pressa, ou a vontade de alguém? Daí a pessoa vai embora.
E quero deixar bem claro que se eu me acidentar e entrar em estado vegetativo, meta uma injeção de cicuta no meu pescoço e me deixe partir, pra onde quer que seja.
Não há porquê viver quando tudo dentro de você está morto, ou mecanizado. E também não há mais porquê viver quando todas as suas crenças morreram, quando você não ama mais as coisas que você faz e não ama mais as pessoas que estão perto de você. Sou a favor do suicídio, da eutanásia, de qualquer nome que queiram dar pra isso.
Sou mesmo.
E sou a favor do aborto e da pena de morte. E estou aberta pra quem quiser discutir qualquer um desses tópicos.
Mas, de qualquer forma, descanse em paz, Arthur. Tomara que no lugar que você está agora, você se sinta menos mal do que aqui.
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4.4.2005
Acho que é hora de trabalhar. Na verdade eu não acho que agora seja hora de trabalhar, mas amanhã eu tenho um fechamento e ainda nem comecei a matéria.
Na verdade eu acho que eu errei. Eu fui burra. A burra mais burra do mundo dos burros inteiro. Perdi três anos pensando em nada. Deveria ter pensado, seriamente, em um projeto SOLO. Kátia alone no TCC. Agora tenho que agüentar essas pautas ESTÚPIDAS que as pessoas sugerem. Tipo "vamos falar da músicas que se tornam jingles nas campanhas publicitárias". Daí eu tenho vontade de falar: calabocaaaaaaaaaaaaaa, SE MATA. minha filha. Será que você não enxerga que só música RUIM vira jingle de propaganda de carro? Então pra que a gente vai falar de música ruim?
QUE MERDA.
E toda segunda-feira eu fico mal humorada e minha semana vai melhorando gradualmente até quinta. Fico repleta de tédio olhando as pessoas sugerindo aquelas pautas de gente trouxa. É foda aguentar gente trouxa.
Eu até tive pesadela essa noite. Sonhei que gritava "eu acabo com esse grupo, fico só eu, o Fernando e a Adriana". Meu cérebro tá com essa idéia fixa.
Tô infeliz. Tô desgostosa com essa merda. Começou tudo empolgado, tinha umas cinco pautas na cabeça, tinha tudo pra dar certo, daí vem um professor trouxa chamado CARLOS COSTA (cai pro pau, bicha velha!) e caga umas regras e acaba com tudo.
NÃO ESTOU MAIS AFIM DE FAZER MERDA DE REVISTA DE MÚSICA NENHUMA. Eu quero que vá tudo pro inferno. Que tudo queime, que tudo SE FODA.
Se eu já me irrito com as pautas, imagine quando as matérias chegarem na minha mão? Daí eu vou INFARTAR. Tipo tia velha que infarta quando o filho engravida uma nêga imprestável por aí.
Olha, do jeito que as coisas vão, eu vou ter um colapso nervoso até junho.
Sexta-feira eu surtei.
São montanhas de coisas acumulando dentro de mim, sendo engasgadas e engolidas o tempo todo. Daí que sempre rola uns estopins.
Sexta rolou um estopim. Surtei. Chorei no caminho até a casa do Du, daí chorei mais no Du, daí eu dei um chilique, daí o Du me deu uns tapas na cara, daí eu parei de chorar. Foi foda.
E na verdade eu pouco me importo com o TCC e com a Cásper, eu só me importava em fazer umas matérias legais e me divertir, mas nããããããããããããããão, tenho que aguentar essas trouxices, quilos de bobagem. Tem uma das minas que só de ver a cara dela eu já tenho vontade de morrer. Morrer assim, cair dura.
Ah, mas uma coisa eu garanto. Alguém vai se fuder nesse TCC. Ou eu ou ela.
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