gimme some tenderness, please?
 

 
Dormir tarde, acordar cedo: posologia para um cérebro que não funciona.
 
 
   
 
6.30.2005
 


A minha música predileta dos Pastels é Classic Line Up porque Classic Line Up é o título de canção mais stáili dos últimos tempos.
Here´s to shutting up:
 
Eu ganhei uma Lomo do Du.
Uma colorsplash toda linda e maravilhosa e incrível e cor-de-rosa e fofa.
E agora eu quero lomografar todas as coisas e todas as pessoas e usar todos os filtros.
Vixe, vou ter que arrumar uns freelas porque meu salário de fome não vai sustentar o vício.
Ogêno, brigada por ter devolvido o Du.

Here´s to shutting up:
6.27.2005
 
_minutagem regressiva

Agora falta só um dia e meio. Um dia e meio pro Du chegar.
Afff, Eduardo, não deixa mais a menina sozinha todo esse tempo, não.
Ela brigou com metade dos amigos dela sem motivo, brigou cinco vezes com você por telefone (duas delas de gritar e chorar e dar piti e ter ataque de mulherzice), decidiu morrer umas nove vezes, engordou dois quilos, teve umas 12 crises de depressão, ficou arrumando várias coisas idiotas pra fazer e teve uma 23 crises de cefaléia. Sem contar a saudade que pingava no topo da cabeça, feito tortura chinesa. Promete que não vai mais fazer isso com ela?
Here´s to shutting up:
 
Jabuticabaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Ligue suas caixas de som e entre. Não vou repetir.

Depois, dá uma pasada aqui:

Neísa Pantera.
Here´s to shutting up:
6.25.2005
 
_mantendo e refazendo o flow

parte I

Eu e o Michael conversávamos sobre o Black Dice, o que o Gui gosta mas eu não.
Daí o Michael reclamava que aquilo não era música.
E eu defendia que era revolucionário, do ponto de vista crítico-conceitual.
Que não deixa de ser música, apesar de parecer um amontoado de barulho pulando feito uma batata quente de ouvido em ouvido.
Michael discordou, mas eu acredito que o Black Dice é tipo o Velvet da década 00. Imagine quanta gente falou que o Velvet não era música?
Black Dice vai ser uma referência, disso eu não tenho dúvidas.
Assim como Aphex Twin foi, indiscutivelmente, vanguarda na música eletrônica.
Defendi o Black Dice, apesar de não gostar, porque acredito que eles são muito avançados, que eles são vanguarda, que eles fazem música de uma maneira muito peculiar.
E falei também que somos conservadores em se tratando de música: conhecemos um formato padrão (melodias, percussão, com ou sem guitarras).
Atrelamos demais a idéia de música ao lance da melodia. Se a música não tem melodia, ela deixa de ser música?
Então por que a gente gosta de Velvet? Velvet não é melodioso na maioria de suas músicas, o Lou Reed parece uma puta velha cantando (fugindo de toda a idéia de que o cantor deve, no mínimo, cantar bem), aquelas músicas do white light/white heat parecem um tiro no ouvido e a gente segue amando o Velvet.
Então por que a gente vai falar mal de Black Dice?
Conservadorismo. Conservadorismo puro: a gente não consegue se desvincular da melodia, a gente não consegue ver além do formato convencional.
Do ponto de vista simplista, o Gui ou o Du, ou quem gosta dessas bandas "estranhas", pode ser visto como revolucinário?
Não sei.
Mas conservadores eles não são.

parte II

Discordo de metade do que eu escrevi no texto anterior.
Eu não duvido nem um pouco que o Gui ame Black Dice, e não dúvido que ele veja esse tipo de música como expressão artística.
Até eu vejo como expressão artística.
Na verdade muita coisa pode ser expressão artística, desde que esteja diretamente atrelada à idéia de arte.
Mas a revolta inicial era:
primeiro) a crítica não é especialista. Tanto a crítica quanto o jornalismo foram deturpados ao longo desses anos. E crítica e jornalismo se tornaram uma coisa só, o que é um erro. Tem jornalista falando de direito tributário, tem jornalista falando de clonagem e tem jornalista falando de cinema. E todos se acham supra-especialistas.
segundo) o quão hermética é a arte hoje em dia. Mas não porque ela nasce hermética, mas porque a crítica pernóstica deixa a arte hermética. Eu também não duvido que o Black Dice adoraria tocar para as massas.
terceiro) arte é qualquer coisa que, se vier com uma frase bonita no pacote, se torna intocável.
quarto) a arte foi hermetizada com o advento da indústria cultural. Expliquemos: é muito mais fácil ver o Charlie Brown no Faustão do que escutar um disco inteiro do Black Dice, ou sair de casa para ver um quadro ou qualquer atitude desse tipo. A arte foi ainda mais elitizada pelos próprios apocalípticos, em virtude do descaso, ou da alienação, dos integrados. Não estamos discutindo aqui se a alienação é forçada ou espontânea.
*
Na verdade eu nem queria colocar a arte no meio. É só queria mal dizer a crítica mesmo.
Outra verdade: eu sou muito contraditória. Eu me contradigo frase a frase, atitude a atitude.
*
Uma última verdade: você tem que ter muita força de vontade para buscar a arte hoje em dia. Porque mais escondida que ela, só o Bin Laden. E a crítica, que deveria existir para ajudar, atrapalha. O gatekeeper das redações está reduzindo o número de informações que chega até nós, e pior, as pasteurizando. O jornal te dá o mínimo que você deve saber e muito, muito vomitado. Infelizmente.
Here´s to shutting up:
6.24.2005
 
_frases soltas no vento

* não leio. não leio porque é maisdomesmo. sabe, eles não vão falar nada que eu não sei. pra que eu vou ler? acho que eu já li tudo o que eu precisava saber nesta vida. não quero ler nada sobre o bloc party. eu tô pouco me fodendo pro bloc party. eu não quero ler nada sobre o wandula. porque eu fui no show do wandula e nada que falem sobre eles vai superar o que eu escutei e vi ontem. por isso eu estou passando para um estágio de ignorar a crítica. de ignorar o jornal. de ignorar esses montes e montes de besteiras que saem publicadas por aí. porque arte não é para ser lida, aderiada, decorada, conceituada. arte é para ser amada. arte é puro sentimento. ARTE É SÓ SENTIMENTO. ou você ama ou você odeia. me desculpe. foi pra isso que nasceu a semana de arte conceitual. pra provar que qualquer coisa pode ser arte se houver, por trás daquilo, um conceito. descole black dice do conceito que ele carrega consigo. a música deles (me perdoem os que gostam) é uma merda. aquilo, perdão, não é música. barulho. caos. aquilo não é e nem nunca vai ser música. aquilo é puro e simples conceito. feito esses quadros aqui de baixo.
arte tem que ser assim: para as massas. arte tem que vir em forma pura e ser amada de forma pura. arte que precisa de explicações deixa de ser arte para ser conceito. e pode ser revolucionário, mas o que está em cheque não é a capacidade de revolução ou a idéia de subversão implícita naquilo, e sim a arte poder ser amada por qualquer ser humano. desde os que lêem críticas até os analfabetos do interior de Maranhão.
se sou ou pareço ser conservadora, pouco me importa.
então, deixe-me concluir: não leio o que as pessoas escrevem sobre música ou sobre pintura ou sobre literatura ou sobre cinema. não leio porque aquilo que eu ler vai influenciar na minha relação com o objeto amado. pode me fazer gostar mais, pode me fazer gostar menos, pode me fazer desgostar. e eu não quero. quero tirar minhas próprias conclusões, quero amar sem influências. e não leio porque nada do que escrevem é novo. pra que eu vou ler sei lá quem escrever sobre um disco que eu já escutei 50 vezes? eu já escutei, eu não preciso saber o que pensa aquele crítico.
revolucionário é a arte desligada do conceito. como picasso. como truffaut. como machado. como dylan. você não precisa de uma crítica para amar essas caras. você só precisa conhecer.
Here´s to shutting up:
6.23.2005
 
_hoje

Wandula na Milo às 23 (mais ou menos) e aniversário da damas Adriana, Angélica, Brisa e Ju Alencar no Copan em seguida.
Vou nos dois, viu? E por muito pouco não encararei a festa junina da trip hoje. Preguiça profunda de agüentar o povo da firma.
Here´s to shutting up:
 
Eu curti o lance do unibanco voltar a usar o logo antigo. Istáááili!
Here´s to shutting up:
6.22.2005
 
- ummmm. Beibe...posso deitar a cabeça no seu ombro?
- vem cá.
- tô Alex hoje. Queria ter um cano na mão. Quantos eu espancaria?
- você não espanca ninguém...
- beibe, não me deixa pior.
- posso te beijar?
- claro.
- desculpa.
- de que?
- de ter te beijado.
- mas eu deixei.
- ah, então tá.
- ...beibe.
- oi.
- quanto tempo a gente ainda vai ficar deitado nesse sofá?
- o dia inteiro?
- hummm, o dia inteiro...
- por que? Você quer alguma coisa?
- busca umas cervejas no supermercado?
- só se for carlsberg.
- ótimo. É melhor do que a que eu queria.
- você gosta, é?
- gosto. É frutada. Me lembra maçã no colégio. Só que não tem mais colégio. E não tem mais maçã. Só tem cerveja. E você.
- ...
- você tem uns buracos na bochechas. Quando você sorri, sabe, faz duas covas que não são bem covas.
- são bueiros?
- haha. Palhacinho.
- então?
- a cerveja.
- ah, é. Mas tá frio...
- mas o que a gente vai fazer, então?
- não sei. Eu posso ficar aqui e a gente cochila daí eu te acordo beijando todo o seu rosto.
- mas você já fez isso ontem.
- não foi ontem. Faz uns meses já.
- a gente pode ir pra cozinha fazer bolo de cenoura.
- não tem ovo.
- nem sono.
- mas tem você.
- aaaah, voxê...imita o homer simpson. É, assim, com os dedinhos.
- ...
- hahaha. massa.
- Você ainda tá chateada?
- Tô.
- Mas o que você tem?
- não sei. Furia. Ciúme. Tristeza. Raiva. Medo.
- ao mesmo tempo?
- ao mesmo tempo.
- e não quer passar?
- não. Parece visgo de rabada.
- hahahahaha. "visgo de rabada"! hahaha
- sério. Vira uma cola. Tá aqui colado.
- onde.
- no coração.
- e é ruim, né?
- é. Parece que o visgo vai sufocar. Tipo prender o coração.
- entendo...me sinto assim às...
- seu ombro é bom.
- ...vezes. Obrigado.
- de nada. Quer dizer, obrigada você pelo ombro e tudo.
- magina. Então acho melhor eu buscar nossa cerveja.
- nossa? haha. Você também vai beber?
- claro. E eu lá sou homem de te deixar sozinha nessa fossa?
Here´s to shutting up:
6.21.2005
 
SEMANA DE ARTE CONCEITUAL

E para finalizar nossa semana de arte conceitual (que, enquanto sucesso, foi um estrondo!), filas e filas na porta, ingressos esgotados com 6 semanas de antecedência, brigas entre pessoas de óculos de massa, cabelo mod e all star, que falavam um dialeto incompreensível (que variava entre "indie", "the O.C.", "arcade fire" e "eu sou beeeem melhor do que todos vocês"); importamos uma obra única, quase unânime (Nelson Rodrigues diz que toda unanimidade é burra), já que a burrice passa longe desta artista genial.



Pétria Chaves pintou este quadro num momento muito inspirado de sua vida. "Brisa entre Dois Corpos" propõe toda a possibilidade de encontro entre as interpretações plausíveis de um relacionamento. A tal brisa, como podemos ver em preto soprando pela tela, pode vir num momento muito intenso entre os amantes, assim como pode ser a falta de contato entre eles, deixando passar o vento cortante da solidão e do gosto amargo do desejo e da separação. Chaves deu sua própria interpretação da forma, dizendo que "você poderá perceber a brisa negra que venta entre todos os corpos de todas as raças e cores, representando assim a igualdade entre os indivíduos", depois de um gole em sua típica caipirinha de limão e antes de dar um trago em seu típico marlboro vermelho.
Pétria Chaves tinha apenas 19 anos quando deu essas pinceladas. Podemos perceber a fortíssima influência cubista de Picasso sobre seu estilo, sempre igual e sempre diferente. Questionada, a pintora disse que não saberia o que fazer se não fosse a arte. Tinha uma mania bela e curiosa de apelidar seus amigos com nomes de grandes pintores, fotógrafos e escritores do século 20. Vivia rodeada de artistas, músicos e, argh!, jornalistas.
Revelou, em meados de 2005, sua faceta hippie-blueseira confessando que pintara "Brisa entre Dois Corpos" escutando Janis Joplin, o que influência muito no entedimento do quadro enquanto relação de paz e amor. Sua boca vivia cheia de sabores, sejam das desventuras ou das alegrias, seus olhos cheios de cores e era muito Alice no próprio País das Maravilhas que criara.
Procuremos prestar atenção, ainda, ao fundo roxo, dando uma clara noção de calma enquanto violeta.
Alguns anos depois de pintar "Brisa entre Dois Corpos", Pétria se tornou uma viciada em ópio. O poema "O Opiário", de Fernando Pessoa, foi encontrado todo despedaçado sob sua cama. Seus quadros se tornaram a expressão máxima da escola de arte que ela mesma criara: o parcimonianismo. Uma arte de traços únicos, incomparáveis e inovadores. Surgida durante o pós-modernismo e artes contemporâneas que não diziam nada, Pétria Chaves, Fernando Vives, Evelyn Carvalho, entre outros patóticos, desdenhosos e malandros, compuseram uma espécie de "boemia paulistana" na década de 00. Sempre vistos entre a Vila Madalena e a rua Augusta (o que formava uma contradição: eram bichos-grilos ou eram putos?), estes artistas sempre acompanharam Pétria, durante toda sua vida.
Pétria, ao final da vida, trocou São Paulo por Turin e a arte pelo crochê. Depois de ter pintado 1.992 quadros, alguns com os pés, outros com a boca (dito que o parcimonianismo só queria causar mesmo), escrever 13 livros, entre poesias e contos e ter tomado umas 5.000 caipirinhas, a artista se dizia satisfeita com o seu trabalho. Perguntada sobre sua faceta hippie, na semana passada, Pétria respondeu: "não escuto mais nada disso. Troquei tudo pelo Stock Hausen and Walkman e Aphex Twin". Rebatida de que essas seriam bandas antigas, que estavam fora de moda, a tréplica foi simples: "talvez o hippismo esteja mesmo em escutar coisas antigas, desencravar seus CDs e curtir aquele som chiado, grave e urgente, como toda arte deve ser".

* * *

A todos os visitantes, o nosso muito obrigado.
A gente sabe, humildemente, que a sua vida nunca mais será mesma depois desses quadros.
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6.20.2005
 
perdeu o medo, né, querida?

A menina só fala comigo pra perguntar do Eduardo.
"E o Edu? Tá em Londres?"
"E o Edu, tá bem?"
Ela nunca olha na minha cara. Quando olha, fala do Eduardo.
Próxima vez vou ser bem delicada:
Não te interessa, vadia.
Ou melhor:
Tô, o telefone dele é esse. Você não precisa mais falar comigo. Pode falar direto com ele.
Porra!
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6.17.2005
 
PAUSA NA SEMANA DE ARTE CONCEITUAL

Crianças são criaturas muito brilhantes e muito incríveis. Shiny Happy People...
Pessoinhas muito pequenas e muito espertas e muito doces e muito admiráveis.
Eu adoro, adoro, adoro. Às vezes entram crianças nos ônibus ou ficam perto de mim em algum lugar e eu me divirto um bocado.
Shiny happy little people. I love it.
Daqui a pouco: a arte incomparável e delicada de Pétria Chaves.
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6.16.2005
 
SEMANA DE ARTE CONCEITUAL

Como o movimento no nosso museu caiu nas últimas semanas, exportamos um obra única enquanto conceito experimental que envolve técninas com materiais inesperados. A obra "Mona Lisa Róquenrou Estilizada com Catarro Tuberculoso" foi uma das primeiras obras do ucraniano radicado na Brasil, Zégas Affonso de André. Zégas está estritamente ligado à arte de ser primo Henrique Affonso de André enquanto parente chupinhador, morcegando as técnicas do primo e as apimorando.



Esta obra, de efeito único sobre os olhos do espectador passivo da nova arte enquanto conceito expandido, foi sendo desenvolvida por longos meses. Perto do finalizá-la, Zégas enfrentava uma forte gripe do frango que nem sabera ter se tornado uma tuberculose, e espirrou no quadro, fazendo aquela bela marca no canto direito do quadro. A harmonia entre a Mona Lisa Róquenrou e o catarro sanguinolento é impressionante: elas se equilibrando, dando uma perfeita idéia de divisão parcial de espaços enquanto arquitetura pós-moderna.
Zégas recebeu inspiração, além de Leonardo da Vinci, de grandes pintores neo-clássicos, modernos e surrealistas, como Giardino del Lago, Pablo Picasso e Salvador Dali, respectivamente, lógico. Podemos observar a influência surrealista no canto superior esquerdo, que tem um casa vermelha flutuando brevemente sobre um espaço que, ao que parece, é uma estrada que leva ao infinito. O Infinito de idéias, de liberdade, de tempo; a vida sem deadlines. Talvez esse fosse o sonho mais profundo de Zégas, o fim do Deadline!
Observemos também a delicadeza das linhas que montam a bela Mona Lisa Róquenrou: de mãos levemente repousadas sobre o colo, olhos passivos e calmos, a piscadela do olho direito, seios fartos e maternos, a boca que nos remete a um sorriso delicado e disfarçado (dito que, na época que o quadro foi efetivamente pintado, era proibido sorrir. A Igreja Agnóstica do Sagrado Coração da Umbanda dizia ser uma reação rocambolesca, logo, horrenda enquanto ato público, assim como o sexo é proibido nas ruas hoje em dia!) e os quadris largos, de matrona, logo nos lembrando as nonas italianas do começo do século 20.
O verde ao fundo quis representar os arrozais e morangais que Zégas costumava amar sua amada enquanto amante dileta, Yramaia Yvanovitch. Yramaia fugiu muito jovem com um rapazola russo deixando Zégas muito solitário. Diversas vezes foi encontrado bêbado, nas sextas-feiras de carnaval, dormindo sob chuva nas sarjetas de Kiev, sua cidade natal. Frequentemente fumava dois maços de cigarro em uma única noite, a espera da morte. Há relatos de uma história de que ele tentara a morte, dirigindo em alta velocidade em uma estrada escura e tortuosa do país, indo de encontro ao carro de um ótimo médico de uma cidadezinha local. Ele saiu vivo do acidente, mas quase matou metade dos seus amigos do coração.
Zégas foi um grande homem: íntegro, responsável, torcedor do sãopaulofc entre outras façanhas. Outras artes do artista podem ser encontradas na Tate Galery, em Londres, e no Museu do Louvre, em Paris.
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6.15.2005
 
PAUSA NA SEMANA DE ARTE CONCEITUAL

No trampo: escutando Devendra Banhart e lendo o livro "Deus segundo Laerte" que a Didi me emprestou.
Poderia haver momento mais divertido?


E você? O que tá esperando pra mandar sua arte para katianogueira@gmail.com?

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6.14.2005
 
SEMANA DE ARTE CONCEITUAL



Com uma fixação na situação dos bóias-frias de Guariba e nos vendedores de sorvete da Vila Belmiro, Henrique Affonso de André, genial artista Português do século 21, pintou, nos idos de 2005, em mouse sobre o pad, sua obra "Homem morrendo com raio de sol". Numa manhã desocupada do funcionário público - que antes tentara a carreira jornalística mas foi seduzido pelas benesses oficiais -, tentou traduzir a tirania do Astro-Rei contra aqueles que o desafiam trabalhando sem boné, chapéu ou protetor solar. Inspirado no projeto de lei do deputado federal Lobbe Neto (PSDB), que obriga o SUS a distribuir filtro solar aos trabalhadores braçais, colocou o azul em destaque, como uma evidente referência à sua simpatia aos tucanos. Como influências, além dos óbvios Bottero e Da Vinci, Affonso de André também escancara sua admiração e inspiração nas obras de Flamboyant Letreiros, seu ídolo de infância. Atacado por fortes dores intestinais durante a confecção do quadro, é possível ver diversas falhas, que segundo alguns críticos são intencionais, e querem mostrar ao mundo como as distâncias entre banheiros e salas em repartições públicas podem influenciar negativamente a arte.
Affonso de André transparece também, com a ausência de roupas no "homem", suas constantes indagações sobre o porquê das contínuas e estagiárias usarem
roupas curtíssimas sem serem admoestadas pelos superiores.
Affonso de Andre morreu de cirrose aos 97 anos. Sendo um Affonso de André, morreu cedo. Henrique Affonso de André veio muito pequeno de sua cidade Natal, Lisboa, mudando-se para a nossa terra e abraçando a causa: era um ufanista.
Pode-se encontrar facimente outras obras clássicas do pintor, como "Chuva Fina no Meu Parabrisa Vento Forte no Portão" e "Motorhead é Melhor que Pão com Bosta". Além de pintor, foi escritor, publicando o livro "Como Aprendi a Viver sem o Cotis" e ator, estrelando o filme "Um Tucano Muito Louco". Profundíssimamente deprimido pela viagem de sua amada Michele Bardott, embriagava-se com Gin quente enquanto pintava suas obras e costumava xingar petistas para matar o tempo. Completamente atemporal, Affonso de André torcia para o Santos, um time de futebol que, na época, já não ia muito bem.
Affonso de André foi um artista multifacetado, de personalidade forte e muitíssimo inteligente. Não era uma aluno muito aplicado, demorou oito anos para se formar em Letras na Universidade Federal de São Carlos antes de se mudar para São Paulo e virar catedrático da FFLCH, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Este quadro pode ser classificado, por fim, como uma das obras mais importantes do século 21. Entre tantos outros pintores, Affonso de André se destacou por ser um gênio, incompreendido na época, mas um grande gênio. Um crítico de arte da época classificou o pintor como "falastrão, malandro e enganador", jutificando que Affonso de André não fazia bons quadros, que suas obras eram conceitualmente paupérrimas.
Mas o tempo salvou a reputação de um dos maiores homens do nosso século.

ps. texto escrito por Henrique e adaptado por mim
Here´s to shutting up:
 
PAUSA NA SEMANA DE ARTE CONCEITUAL
voltaremos a seguir com o quadro "Homem Morrendo com Raio de Sol", de Henrique Affonso de André.

EU
AAAAAAAAAA
AAAAAAAAA
AAAAAAAA
AAAAAAA
AAAAAA
AAAAA
AAA
AA
MO
O

THEE BUTCHER'S ORCHESTRA.
MESMO.

* * *
Eu ODEIO ODEIO ODEIO daniel belleza e os corações em fúria. Meu, essa banda é uma merda sem tamanho. Ah! E odeio quem gosta deles também.
Pronto, falei.
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6.13.2005
 
SEMANA DE ARTE CONCEITUAL

Enquanto todos os pobres mortais zombam da capacidade criativa e artística de Kátia Mello enquanto gênio, ela continua criando.
O segundo quadro da semana é "Sem Título-1", obra criada no complexo photoshop, já que a artista usa um computador sem o recurso mais básico e erudito de toda a pintura mundial: o paintbrush!
Ela encontra-se em sua casa neste momento, por problemas de criação intestinal profunda e não conseguiu scannear a obra de Roberta Bob Saviano para estar disponibilizando aos seus visitantes.



Sempre preocupada com o verde e e sua força sobrenatural, Kátia Mello nos coloca à vista um sapo, símbolo de reconciliação. Este quadro, conhecido como "sapo pensando em música", foi pintado em meados de 2005 numa tarde ensolarada e regada a Donovan e Animal Collective. A força da nota musical estritamente ligada a idéia de reconciliação e pax nos faz acreditar que a artista estava em um bom momento de criação. Mas não. Mello estava profundamente perturbada por ter passado o dia dos namorados sozinha, assistindo futebol na TV e planejava matar sua colega de quarto, Mirian Kelly.
A idéia de reconciliação surgiu após uma sessão de terapia e uma visita a um templo budista, o que a fez acreditar que ela só tinha uma saída - e ela devia ser colocada em prática: mandar a colega catar coquinhos na descida.
De modo muito polido enquanto educação, Kátia avisou a colega de que entrara num momento espiritual e que a colega deveria se retirar do local para que não atrapalhasse mais a energização do ambiente. Mirian Kelly colocou o rabo entre as pernas enquanto cão que caiu do caminhão da mudança e se foi para sempre.
Então Mello pendurou o quadro na sala de sua casa. Alguns anos depois o quadro foi roubado e vendido no mercado negro a 18 milhões de dólares, dinheiro este que foi usado para comprar o passe do jogador Robinho do Santos.
Agora Kátia está a procura desta peça magnífica, profundamente fundamentada nos conceitos de arte enquanto animalização dos sentimentos e sentimentalização dos animais, e oferece a recompensa de um incrível final de semana em Monte Alto com tudo pago, com o direito de comer duas coxinhas na Band, tomar um guaraná Tupinambá no Kynity, city tour e by night no carro do Zé Galinha e visita monitorada ao museu de paleontologia.
Here´s to shutting up:
6.10.2005
 
SEMANA DE ARTE CONCEITUAL

Baseada no fotolog do Six de ontem, nos quadrinhos do Adão dessa semana e na matéria sobre Matissè na Bravo! desse mês, a idéia de arte conceitual vem se apresentar enquanto conceito neste blogue.
A arte enquanto expressão máxima do sofrimento humano.
A arte enquanto expressão mínima das mãos do pintor.
O blogue enquanto instalação artística de um mundo cansado dos produtos chulos da indústria cultural.
Vamos ao primeiro quadro da semana:



Este quadro é conhecido como Mulher Chorando, mas o seu nome real é "Mulher Chorando no Campo pelo Marido que foi Morto na Guerra e nunca mais Retornará aos seus Braços para lhe Cantar a Breve Canção do Crepúsculo". Pintado em 10 de junho de 2005, por Kátia Mello, este quadro demorou cerca de intermináveis 17 segundos para ficar pronto. O material utilizado é plástico, válvula, vidro, mouse e muita, muita cara de pau.
A artísta pintou os horrores da guerra fazendo um fundo vermelho se sobrepondo ao céu azul, tirando toda idéia de paz enquanto céu azul. A lágrima se chocando com o vermelho-sangue do céu (que pode muito bem ser o vermelho do crepúsculo que nunca mais será recebido com uma breve canção cantada pelo marido que morreu na guerra) dá a sensação de abandono profundo enquanto campo aberto muito vazio.
O quadro invoca ainda os heterônimos de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos, e Ernest Hemigway, o grande escritor da guerra enquanto históriador romancista. Se a sua ótica resolver olhar por outro ângulo enquanto intepretação profunda de gente pra lá de chata, a pintura invoca os traços do russo Skovitch Karenstein, e os traços retos e possessivos de Henri Matissè.
Por fim, a artista passou pertubados anos longe do seu amor Edward Branches, o que pode ser detectado nos seus traços retos, duros, típicos de quem ficou preso naquela bolha sentimental que ultrapassa os limites da psicanálise.
No sábado último, Kátia foi presa assistindo, ininterruptamente, os filmes de Woody Allen e se recusando a comer chocolate. Há rumores de que ela enlouqueceu depois que foi a um show de volta-caça-níquel do Smiths.
Amanhã:
A Arte de Roberta Bob Saviano. Vida e obra desta inesquecível pintora clássica.
Here´s to shutting up:
6.9.2005
 
Entreguei, Henrique. Entreguei pra Deus, isso sim haha.

Já passou. Tô escutando Manitoba e dando um risinho bobo e pensando que vou fazer sonoterapia no final de semana.

Ultrassom hoje na Milo. Quem perder vai dormir no tapete. Palugas, te vejo lá ou a gente vai junto? O buzão sai a qualquer hora. É só combinar.

"Ooooi, pró-seco espumante! Tudo bem, digitador tresloucado?"

Comprei uma sacola de chocolates e vou me entupir de açúcar até o final do expediente. Prometo.

Faz uma semana e meia que o Du foi viajar, mas parece que faz uns 6 meses. Deusducéu.

Tô com saudade do Bruno e da Criz e do Gui.

Acho que eu estava entrando em estado de choque ontem. Era 9:18, a 12 minutos da entrega do TCC e a impressora se recusava a...imprimir!
Eu sentei na beirada da cama e fiquei de boca aberta e não escutava o que as pessoas me falavam, nem piscava. Tava passada.
Daí o Fê ligou e falou que a entrega tinha mudado pra hoje e eu comecei a gritar e eu e a Dri colocamos Fela Kuti pra comemorar e ficamos feito duas hippies drogadas (de tanto pixel e cartucho da HP que tomamos!) rindo, sentadas no tapete da sala. Rindo convulsivamente e chorando ao mesmo tempo. A possibilidade de passar mais um ano na Cásper Líbero quanse me matou. Ufa.

Escuta Manitoba aí também. É tãããão legal!

Definitivamente AS COISAS SEMPRE DÃO CERTO NO FINAL.
DEUZÉPAIII!!!

Ah! Tô apaixonada pelo rapazinho do O.C.
Não sei o nome dele...o namorado da Summer...ah, sei lá, o mocinho que tava falando na reprise de hoje "uau, dois discos do Bright Eyes estão na parada blá blá blá".
Ele é lindo. Completamente lindo.

Here´s to shutting up:
6.8.2005
 
Dia de entrega do TCC:

Tô tipo "merda expansiva".
haha.
Here´s to shutting up:
6.7.2005
 
É sempre assim, chega fechamento, fica todo mundo com a macaca. E eu? Eu fico desejando a morte de um por um dessa redação.
E fico entoando o mantra paunocu.....paunocuuuu.....paunocuuuuuuuuu.....paunocuuuuuuuuuuu....
Ninguém merece. Sem contar que eu tô nuns dias que é só olhar pra mim que eu tenho vontade de chorar. Chamou meu nome? Eu mordo o beiço com força pra não acabar falando "vai tomá no cu, me deixa em paz!"
Eu quero morrer.
Deus, por que algum imbecil disse que a vida é uma dádiva.
A VIDA É UM PAU NO CU SEM VASELINA.
A VIDA É UMA MERDA.
A VIDA É UMA COISA QUE SÓ QUEM É MUITO IDIOTA GOSTA. TIPO É O TCHAN, CIA DO PAGODE, ESSAS MERDAS AÊ.
A VIDA É COISA PRA TROUXA.
ACHO QUE JÁ DEU A HORA DE METER A GILETTE NOS PULSOS E PARAR DE RECLAMAR.
O INFERNO NÃO PODE SER MUITO PIOR QUE AQUI MESMO.
Here´s to shutting up:
6.6.2005
 
Óqueeeeei, Eduardo. Pode voltar pra casa.

Eu te amo.

E não é pouco.
Here´s to shutting up:
6.5.2005
 
Parte 1

Olha, eu até poderia te amar, se não fosse tão difícil para mim amar do jeito que eu amo.
Poderia mesmo, se não me custasse tanta força e intensidade. É. Eu te amaria com a força de um tigre lutando com uma zebra. Te amaria a cada minuto e cada segundo e cada suspiro e a cada falta de ar. Te amaria cada vez que eu olhasse para o céu, cada vez eu entrasse no mar e cada vez que eu pisasse descalça na grama fresca depois da chuva. Te amaria tanto que minhas veias poderiam estourar de paixão. Te amaria desnudo ou vestido, te amaria sujo ou limpo, te amaria magro ou gordo, te amaria de qualquer jeito se não fosse tão difícil amar. Te amaria quando dorme e quando acorda e te amaria a pele, os cabelos, o cheiro, a cor dos olhos, o gosto da saliva, o pênis, as orelhas, o pescoço, o som da sua voz e te amaria por completo ou amaria cada pedaço de você e juntaria tudo dentro de mim - o que vai dar um amor tão gigante que não vai caber em mim, por isso eu não vou te amar. Jogaria o jogo da tua amarelinha e amaria seguir tuas regras, obedeceria e acreditaria em cada palavra tua, mas é muito difícil amar. Não que seja difícil amar alguém como você - que é incrivelmente bonito e esperto - mas é difícil para mim deixar o amor nascer, já que e dói tanto. Por isso eu sei que eu nunca vou te amar: porque o meu amor te seria excessivo e entediante, de tão ilimitado. Não vou te amar por toda minha vida, como diz a música, não vou te amar nem por um segundo. Não vou amar tudo o que você faz e não vou te seguir pelo resto da vida. Não vou dividir minha cama com você, muito menos meus sonhos. Não que você não mereça, mas cada vez que você me deixa sozinha, me sinto deitada na groelândia: uma cama gigantemente vazia e gelada segura meu corpo e o silêncio destrói cada célula auditiva que se suicida de saudade de você. Por isso eu não quero te amar, porque eu não quero esse monte de coisa fervendo dentro de mim. E eu te amaria mesmo, dividiria meus doces e livros com você - isso não me importaria, contanto que você dividisse o seu gozo e o seu suor comigo - mas nunca vai caber em mim. Porque o amor que você faz nascer ultrapassa os limites das minhas entranhas, cérebro e peito e eu nunca agüentaria viver feito um balão cheio de gás hélio que flutua contente pelo universo.

Parte 2

Me arrasto toda torta pela casa. Pois não caminho - me arrasto. Olho pela janela, as milhares de janelas. Sufocada, dolorida, calejada, toda dolorida de saudade. Eu nunca quis te amar, eu nunca quis ser tua Hilda Hilst. Alimento os peixes - pois eles não têm culpa do meu descompasso com o universo - e volto pro sofá. Minhas virilhas doem como se eu tivesse perdido ontem a virgindade. O estresse alcança cada nervo do meu corpo. Desejo morrer a cada segundo cada vez que te amo. Vou para o quarto, pego uma foto nossa e forço o choro. Que não sai, a não ser uma ou duas lágrimas magras. Lembro de você e olho para a parede branca, complacente. Há dez minutos queria chorar e agora já não quero mais. Penso em outra Pessoa. E em outra e em mais outra. E desejo que todas morram. Mas que morram rápido e furiosamente e que nunca mais volte a encontrá-las. Penso em visitar a igreja, mas uma preguiça - ainda maior do que a que eu estava sentindo antes - me toma. Queria dormir para sempre. Não suporto o mundo sem você. Eu que nunca quis te amar. Me arrasto - dessa vez mais rapidamente - até outro quarto. Sento ao computador, roou uma unha e me ponho a pensar: cade você? Está frio e meus dedos estão duros e eu não quero escrever. Sinto ódio. E não é pouco.

Parte 3

Pois quando você pegou o avião e deixou a ilha da rainha, meu coração já se alegrou. Não haveria mais lágrimas ou angústias ou pessimismo ou vontade de deixar essa vida. E Alice voltou a viver no País das Maravilhas que todos devemos guardar no coração. Pois eu nunca quis te amar. Usei escudos e armaduras e todo tipo de defesa, mas não há ternura no mundo que não quebre corações de pedra. Não que eu tivesse um antes de amar-te inteira, mas o amor não era um bom negócio para mim. Porque eu costumo amar muito mais do que ser amada, apesar de nunca falar isso para quem eu amo. Então você derreteu tudo o que poderia congelar meu peito e me deixou mole e me viciou. E de todas as dependências que eu tenho na vida, a mais intensa é você - física, química e psicológica - dependo, dependo. Pois agora amo-te inteira, inteirinha, cada pêlo, cada pele, cada dente, cada olho, cada orelha, cada pulmão, cada pedacinho de mim já te ama. Amo-te de longe ou de perto, amo-te incondicionalmente - como nos livros com finais felizes. Amo-te até quando está aborrecido, com bico e olhos de peixe morto. Amo-te a qualquer momento, não importa que momento é esse. E amo-te de madrugada também, naquelas horas que eu uso pra chorar mas não posso te ligar para falar sobre esse amor. Amo-te de maneira sobrenatural: antes de de te conhecer eu já sabia que você era o amor da minha vida e te escrevia poesias e versos e frases pelas paredes do meu quarto. E cada vez que eu olho para a janela e penso em pular, tem só uma coisa que me segura no sofá, que me faz ficar: você. E isso só me faz te amar mais, porque você protege a minha vida mesmo estando a umas 12 horas de distância de mim. Por isso arranho minhas pernas e choro e mordo o travesseiro todo dia antes de dormir. Saudade se tornou um sentimento auto-destrutivo para mim. Para mim, que nunca quis te amar.

Here´s to shutting up:
6.3.2005
 
Daniela me viciou.
Here´s to shutting up:
6.2.2005
 
*O problema do universo é a humanidade*

A solução está nos livros. Todas as verdades do mundo estão resumidas em palavras que estão distribuídas nos livros. Livros fazem da sua vida, basicamente, uma coisa muito mais fácil de ser enfrentada. Terminei Alice ontem e o trecho final é impagável. Tudo mundo sabe o final da estória, certo? Não vou estragar a leitura de ninguém, acredito.
Então leia:
"Por fim, ela imaginou que esta mesma irmãzinha [Alice] seria no futuro uma mulher adulta, que ela conservaria nos anos mais maduros o coração simples e amoroso da sua infância, que ela reuniria ao redor de si outras crianças, fazendo os olhinhos brilharem desejosos de mais uma história estranha, talvez até com o sonho do País das Maravilhas do passado, e que ela se compadeceria de suas tristezas simples, lembrando-se da sua própria infância e dos dias felizes de verão".

Junte as palavras certas e as enfileire e mude vidas.
Raduan Nassar e Clarice Lispector o faziam (não que Nassar esteja hoje morto, mas ele abandonou a literatura para cuidar da agricultura, justificando que "a terra é sempre criativa") de maneira densa, profunda e muito humana, muito verdadeira. E não são textos impenetráveis, tampouco herméticos. São, sim, cheios, transbordando de sentido e pequenas frases a serem absorvidas e interpretadas pelos nobres "corações selvagens" de seus leitores.
A verdade está em qualquer lugar que você procurar, desde que você a queira encontrar.
Há fases da vida (não só da minha, acredito que nas várias vidas que compõem o planeta) que achamos a verdade no cinema, num bolo de chocolate, na música, na TV, na internet, no amor etc. etc.
Hoje eu vou comprar alguns livros. Decidi isso como quem decidi ir para um SPA.
E não pense que é assim "ela nunca comprou livros, que bosta", porque é, é assim sim, no fim do mês eu tenho que escolher se eu levo um CD, um livro ou faço algum luxinho. E eu sempre escolhi os CDs. Os livros estão na biblioteca para quem quiser lê-los, mas agora eu quero tê-los em casa, lidos, na estante.
E há outra verdade no universo, só que essa talvez nem esteja nos livros, mas está aqui dentro do meu coração: não é tão ruim ser pobre. Eu fico tão feliz quando ganho/baixo um disco ou sobra um troco pra ir ao cinema ou junto os amigos para fazer um foundie lá em casa, que não há dinheiro no mundo que pague felicidades tão simples.
E eu estou cansada de ser triste e ficar contando moedas pra pagar a conta de telefone e no final do mês não ter comprado nada que eu gosto e que me deixa feliz e que vai fazer de mim uma pessoa melhor (porque eu sou bem melhor quando estou de bom humor).
Por isso os livros. Que com suas verdades farão terapia em mim.
Here´s to shutting up:
6.1.2005
 
"Kátia, você matou seu blogue de novo"
Não.
"Então por que não volto mais aqui?"
Não volto mais no universo.
"Ah"

* * *

Só pra constar nos autos:



Meu primo mais querido do universo, enho, e eu, sábado passado.
We´re natural born killers.
Fazê o quê, né?

Here´s to shutting up:

 

 
   
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