7.29.2005
Here´s to shutting up:
7.28.2005
O lance é que agora eu quero uma pinhole.
Mas vai custar carão pra brincar disso.
Here´s to shutting up:
7.26.2005
"Eu comprei uma televisão a prestação, a prestação.
Eu comprei uma televisão que distração, que distração"
TOCA RAUUUUL!
Estava escutando Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta: Sessão das 10 e passei a entender porque as pessoas gritam "toca Raul".
Não tem nada a ver com Trem das 7, Gita ou Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás.
Tem a ver com Dr. Pacheco e Eu Acho Graça.
"Alô...é da casa do Jorginho Maneiro? É verdade que você virou hippie?
Podes crer!"
haha, genial.
A história que incensa o disco: em 71 Raul trabalhava como produtor na CBS, onde conhecera o cantor Sérgio Sampaio. Os proprietários da gravadora foram viajar, deixando a empresa nas mãos do músico, que aproveitou a ausência dos chefes, chamou Sampaio, Mirim Batucada e Edy Star e gravaram o disco. Assim, sem autorização mesmo. O escracho, a psicodelia, o baião, o samba, o sarcasmo e as vinhetas vêm todas misturadas, como num grande bem-bolado heterogêneo, porém não-denso. É um disco divertido, engraçado, debochado, ousado, com cara de Frank Zappa. Quando os proprietários voltaram, tiraram os discos das lojas e mandaram Raul embora. Mas não adiantava mais: a obra-prima estava feita.
O que vem depois a gente já sabe: ele conheceu aquele imbecil do Paulo Coelho e foi fazer sucesso como bruxo Brasil afora. Mas eu tenho certeza que quando gritam "toca raul" é pela grã-ordem que esperam.
Here´s to shutting up:
7.25.2005
Tô no mundo da lua hoje.
Tô trocando os nomes das pessoas, tô esquecendo de fazer as coisas...vixe.
Melhor ir pra casa e sentar e escutar Syd Barrett.
Here´s to shutting up:
7.22.2005
Não tenho o que fazer e tô bicha hoje.
Kevin e Winnie. Cuti-cuti.
Here´s to shutting up:
Você não vai, é?
Cada um com seus problemas.
Já chorei vendo o trailer, como não vou lá chorar com o filme?
Tô agoniada, contando os dias pra esse filme estrear. Quero mesmo ver.
Tim Burton é gênio, não tem o que discutir.
Quadro a quadro a lisergia de Burton faz com que eu me esqueça de reparar falhas no roteiro (se é que elas existem, porque eu realmente não presto atenção!).
Cores, muitas cores. Um mundo fantasioso e divertido, ovelhas rosa, um gigante que derruba uma casa, música clássica explodindo a cabeça dos ETs; poxa vida, esse cara é um daqueles loucos doces que a gente logo que conhece se apaixona.
Um leigo soltou: "falaram que o remake não ficou tão bom quanto o original". Ah, vamos lá, você não pode fazer um remake de Hitchcock, ou nunca se atreverá a mexer com um Kubrick, mas quem é Mel Stuart? Um diretor de documentários que acertou na loteria com Willy Wonka and the Chocolate Factory.
Por que o Burton não poderia mexer nesse filme?
Dá uma chance.
E você acha que eu vou perder o Johhny Depp freak-delicinha? Não, não mesmo.
Pouca coisa é mais bonita do que a cena que eles passam por cima da cidade num "teleférico". É só isso que eu espero que o Burton não tenha matado.
Here´s to shutting up:
7.21.2005
It could have been a brilliant carrear
Tinha uma pilha de revistas ao meu lado. Sempre tem uma pilha de revistas na sala da minha casa. Daquelas revistas inúteis de cultura e ciência, que conseguem ir do nada ao lugar nenhum com muita destreza e habilidade. Eu escutava Belle and Sebastian. Belle and Sebastian, eu nunca tinha pensado nisso, é a banda da minha vida, minha terapia, a alegriazinha saborosa de João Guimarães Rosa em sete notas. Lembro-me quando comprei o Pet Sounds e, lendo o encarte, me impressionei com "God Only Knows": 10 instrumentos! É a orquestra comprimida e germinada com o rock. O mundo é perfeito como só deus sabe.
Malditas digressões. Tinha uma pilha de revistas. E já passava das duas da manhã. A noite tinha sido complicada: cérebro, papo, café, cerveja e x-maionese no Ibotirama não combinam.
Eu poderia pegar qualquer uma, mas escolhi a errada. claro, a Lei de Murphy, esta incansável. Eu não conseguia mais fumar ou cantar - quando cantava, engasgava e tossia, quando tragava, sentia náusea. Mas eu insistia no cigarro e no canto e já às tantas escutava pela vigésima vez a segunda parte de "Judy is a Dick Slap". Insisti mais um pouco em Seymour Stein, mas de quem Stuart falava? Do empresário ou de J.D. Salinger? Do empresário, decerto.
Abri a revista decidida a ler. Nem lembrei da possibilidade de passar raiva.
Já passava das quatro da manhã. Estávamos todos exaustos: a revista, o cigarro, o Stuart, eu, minha garganta. Troquei por Velvet, "i have made...big decision!" Minha cabea estava tomando decisões. Algumas doloridas, outras felizes. Naquele momento, naquela poltrona, sabia que poderia tomar qualquer decisão.
Então, cansada, devolvi a revista ao monte. Mas meu corpo, não. Então algo cresceu dentro de mim e parecia que ia explodir. Fui ate o banheiro, desconfiada e lentamente, e vomitei. Vomitei um rio, vomitei a alma, vomitei a vida. Vomitei com a alegria que nunca havia vomitado na vida. Vomito é persona non-grata para mim, mas este veio tão sincero - manifestação pura e simples da minha gastrite nervosa. E eu me senti curada: do meu ego, do meu medo, da minha dor.
Eu senti, enquanto namorava a privada, que eu poderia ser melhor do que toda essa merda. Essa era minha maior decisão: eu vou ser maior do que toda essa merda. Com ou sem você.
Então deixei o chão de pastilhas brancas, fui até a pia, escovei os dentes e voltei para a sala. Sentei na poltrona verde de baços negros, recoloquei Belle and Sebastian e acendi outro cigarro. "I was cured, all right!", eu sabia. E dali eu sairia engenheira civil, fotógrafa, enfermeira, cabeleireira, o que eu desejasse.
* * *
Nice day for a sulk
Essa é a canção da minha vida. Eu, aborrecida, andando de ônibus. quando eu tinha 16 anos, me via no andar de cima de um double-deck bus, escutando Belle and Sebastian no disc-man.
Quando estávamos no meu quarto - eu, Michael, Paulo - e começou a tocar Nice Day for a Sulk, dançamos alegremente em volta do Paulo, rodando, e fechamos os olhos e sorrimos como crianças em frente ao espelho, naquele maldito quarto circense: paredes cheias de retalhos das minhas vidas e dos meus amores, mãos, pés, assinaturas; tudo colorido e sem sentido.
Foram os dois minutos mais felizes da minha vida - e eu só descobri isso hoje.
Nada pode ser mais feliz do que dançar a canção da sua vida com pessoas que você ama. Aliás, pouca coisa é mais feliz do que amar ou dançar.
* * *
A noite foi densa como chumbo derretido caindo no ouvido. A morte é, antes de tudo, redentora. O primeiro demônio que ela te livra, é do teu ego. Nada há nada mais demoníaco do que ego. Mas deve haver outras maneiras de se livrar do ego sem ter de morrer. E esta era a noite de resolver, de descobrir. Primeiro passo era me livrar de todas as pessoas que alimentavam minhas paranóias. E de quem eu não poderia me livrar? Eu teria de conversar. Se livrar não é difícil. Difícil é falar "você me deixa paranóica".
* * *
Foi destas rodopiadas com canções bobas que nasceu o roteiro de "O Prazer foi Deles", filme baseado na canção da Nico com roupagem pós-moderna a.k.a. Quentin Tarantino.
Que nunca saiu do papel. Que nunca chegou no papel.
* * *
Voltei ao banheiro. Vomitei o que restava. Talvez peiote não me fizesse tão mal quanto a realidade.
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7.20.2005
Um dia foi assim:
Cassius: Ká, indies não fumam!
Kátia: Mas eu não sou indie. Sou panque.
Daí hoje foi assim:
Rafael: Você gosta de Dead Kennedys?
Como explicar que eu sou uma hippie-punk?
Como explicar que a concorrência entre Ramones e Jefferson Airplane lá em casa é ferrenha?
E que eu sou uma panque suja que gosta de um som podre, tipo Dead Boys?
(Daí chega o Eduardo e fala: Dead Boys é banda de segunda que plagiava sei-lá-quem - daí ele fala aqueles nomes de bandas que eu nunca ouvi falar na vida!)
E como explicar por que as pessoas são krautrock? São krautrock porque são incríveis (não posso mais falar "fudidas", fiz um pacto de não falar mais palavrões!).
Ué, o que eu quero dizer quando digo que a pessoa é krautrock?
Senta e escuta Can, oras. Daí você vai entender: ritmo hipnótico, música progressiva. Tem gente que é assim: quando começa a falar, te bota numa hipnose, progride, te leva junto no flow. Yeah!, amo os krautrocks.
Mas eu sou uma hippie-punk. Já tive uma fase punk, de só escutar Ramones, Stooges, Sex Pistols, Clash, Gang of Four, Television e tudo o que envolva a Blank Generation (já expliquei, né?) e tive uma fase de só escutar bandas hippies como Jefferson Airplane, Love, Byrds, Buffalo Springfield, Zombies, Monkees, Grateful Dead, mas agora as duas coisas se misturam em tudo o que escuto hoje em dia como Devendra Banhart, Joana Newson, DFA 1979, Libertines, Coral...hum, melhor eu parar de falar, porque tem mais música hippie do que panque aqui.
Eu gosto da sujeira. Eu gosto de música podre, oras. Se eu não gostasse de música podre, não ia escutar Jesus&Mary Chain, Guided by Voices, Sonic Youth, Pavement, Sebadoh, Beat Happening, Syd Barrett...
Música bem-feitinha é muito chato. Os hippies e os panques são sujos. Por isso que eles são legais! A garagem é o lugar mais legal de toda a história do rock! E os hippies e os punks não passam de um bando de garageiros com roupas diferentes (dada as devidas proporções).
É assim que eu sou uma hippie-punk!
Qualquer dia eu explico como eu sou uma twee-metaleira.
*Canções fazem parte das configurações básicas do meu coração.
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7.19.2005
Quando pequena, ainda muito miúda, tão miúda que mal sabia falar, Kátia brigou com Hipnos, o deus do sono, e talvez com Morfeu, o deus dos sonhos.
Cresceu menina de sono leve, sono de mãe. Acordava com os pássaros que pousavam perto de sua janela e com o barulho dos pratos sendo lavados pela empregada. Foi a maldição de Hipnos que a deixou assim: sono de vaca, dorme de olhos abertos e ouvidos atentos, acordando a qualquer ruído.
Sente imensa inveja de quem tem sono de deus: nada pesa na consciência de quem tem sono de deus, não há temor ou injustiça que atrapalhe o repousar. Há quem deite e durma e nada interfere, nem o barulho dos carros na rua, nem as máquinas de cortar árvores, nem os martelos nas paredes, nada. Kátia sente inveja.
Kátia tem sono de mãe: qualquer barulho tira-a do estado letárgico e alucinógeno e coloca-a atenta ao mundo a sua volta. Não tem, também, dificuldade em acordar. Quando toca o despertador, não depende de água na cara, ou luz do sol para perceber o que está acontecendo.
Sobre sua briga com Morfeu, Kátia não sabe confirmar sua desavença. Mas há noites que tem pesadelos e passa o dia a remoê-los, sofrê-los, pensá-los. Não gosta nem dos pesadelos, nem dos sonhos, que vêm todos muito malucos. Tem medo e tem angústia. Quando sonha colorido, gosta de lembrar. Colorido é como foto: fica parado num quadro atrás dos olhos e na frente da memória as imagens daquilo que sonhou.
Às vezes ela só queria um sono de rainha: sem ruídos, sem luz, sem nada. Apenas o corpo dela deitado em um colchão macio e confortável, uma coberta que esquente suas costas, um travesseiro que ela abraça em posição quase fetal e um cheiro de lavanda bem fraco, quase imperceptível, adornando seus cabelos espalhados pela espuma fofa.
E há noites que ela só quer deitar e sentir o peso do corpo dele ao lado dela, só pra dormir um pouco mais tranqüila pensando que o amor está seguro perto dela, que ele não vai escapar, que ele não vai ficar triste, que ele sempre vai poder dar abraços quentes nela. Quando dorme só, reza para que ele durma bem do outro lado da cidade.
Mas agora Kátia busca Hipnos. Ela está cansada de dormir mal e de se sentir velha o dia todo por causa disso. Kátia quer fazer as pazes, quer dormir em paz novamente.
*O sono faz parte das configurações básicas do meu coração.
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7.15.2005
Voce sabe bem que eu nao fan de futebol e tal, apesar de ser coringao e tal, eh uma coisa meio de religiao... vc nasce, saca? Ate pode mudar, desencanar, mas na hora de morrer vc eh enterrado como catolico, entende... Entao, como corintiano eu soh tenho a dizer uma coisa: a torcida do Sao Paulo eh a coisa mais mongol da historia do rock...putamerda. Que vergonha...
Du | 15-07-2005 15:31:04
legal que a comemoração dessa gente é com bomba em posto de gasolina, arrastão, trânsito caótico, depredação de onibus. eu ODEIO torcida organizada de futebol.
criz | 15-07-2005 15:57:36
Direito de réplica:
Primeiro: QUALQUER torcida de futebol é mongol.
Seja do São Paulo ou XV de Piracicaba, é mongol.
Eduardo, você é uma pessoa que já esteve em Londres? Em Glasgow? E nunca viu as brigas "hooligan" que rolam por lá? Pois é, não é nada muito diferente do que aconteceu aqui em SP, não.
Paulistano não tem muito do que se orgulhar: o templo da cidade é uma loja de sonegadores que vende calças de 15.000 reais e carros 750.000, o trânsito é caótico a qualquer hora do dia, o transporte público é precário e a polícia é a instituição mais corrompida de todas.
Poderia ter sido a torcida do corinthians lá, ou a do Santos (apesar de que esta contaria com quatro torcedores e um cão vira-latas comemorando) ou a do Palmeiras: a animalização seria um fato.
Outro "detalhe": a população odeia a polícia. É impressionante como há um ódio contra a polícia. Era inevitável um confronto, agravado pelo fato de os torcedores estarem em maior número do que os policiais.
Outro dia peguei ônibus com uns corinthianos. Sentimento comum: tive vontade de levantar e meter bala. Bala na cabeça, bala no peito, bala na perna.
Não há nada mais desagradável nessa vida do que corinthiano.
Agora me responda: quem meteu bala em um sãopaulino na porta do Morumbi? Dois corinthianos?
Não é porque é a torcida do São Paulo. É porque é povo. É porque você está lidando com massas e você não sabe qual será a reação delas.
Enfim, não estou compactuando.
Pelo contrário, manifesto aqui o meu repúdio a tudo o que aconteceu.
Afinal, a Paulista é a rua da minha casa, É A MINHA CASA. Eu amo a Paulista como pouca gente ama nessa cidade. A Paulista é a representação máxima do que é a minha vida aqui.
Mas não rolou depredação porque era sãopaulinos, e sim porque rolaria em qualquer caso. Isso não é argumento plausível.
E eu posso comemorar sim a vitória do meu time e não preciso ficar me culpando porque a "independente" ou a sei-lá-o-que depredou a rua da minha casa e deixar de ficar feliz por isso.
E CHUPA, gambazada. (só pra não perder o costume)
Here´s to shutting up:
Salve o tricolor paulista
Amado clube brasileiro
Tu é forte tu és grande
E dentre os grandes
És o primeiro
Ó tricoloooooor, clube bem amado!
As tuas glórias
Vêm do passado!
Daê, SPFC triiiiiiiiii da Libertadores.
Chupa, gambazada.
* São Paulo Futebol Clube faz parte das configurações básicas do meu coração.
Here´s to shutting up:
7.12.2005
"Não chore ainda não
Que eu tenho um violão
E nós vamos cantar
Felicidade aqui
Pode passar e ouvir
E se ela for de samba
Há de querer ficar
Seu padre toca o sino
Que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança
Que o samba é menino
Que a dor é tão velha
Que pode morrer
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Quem sabe sambar
Que entre na roda
Que mostre o gingado
Mas muito cuidado
Não vale chorar
Não chore ainda não
Que eu tenho uma razão
Pra você não chorar
Amiga me perdoa
Se eu insisto à toa
Mas a vida é boa
Para quem cantar
Meu pinho, toca forte,
Que é pra todo mundo acordar
Não fale da vida
Nem fale da morte
Tem dó da menina
Não deixa chorar
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Quem sabe sambar
Que entre na roda
Que mostre o gingado
Mas muito cuidado
Não vale chorar
Não chore ainda não
Que eu tenho a impressão
Que o samba vem aí
E um samba tão imenso
Que eu às vezes penso
Que o próprio tempo
Vai parar pra ouvir
Luar, espere um pouco
Que é pro meu samba poder chegar
Eu sei que o violão
Está fraco, está rouco
Mas a minha voz
Não cansou de chamar
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Ninguém quer sambar
Não há mais quem cante
Nem há lugar mais lugar
O sol chegou antes
Do samba chegar
Quem passa nem liga
Já vai trabalhar
E você, minha amiga
Já pode chorar"
Aaah, Chico, Chico, Chiquinho.
Vem cantar no meu ouvido, vem?
Here´s to shutting up:
A Trama Virtual (www.tramavirtual.com.br) é um lance muito complicado só pra mim ou pra todo mundo?
É raro carregar o site. Às vezes carrega pela metade. Quando carrega por inteiro, é raro ele completar a busca por algum artista.
Quando completa a busca por algum artista, o streaming (eu nunca baixei música lá. Não faço idéia de quão funcional é) não carrega a música e, conseqüentemente, não toca.
A estatística é mais ou menos essa: funciona uma vez por mês.
E quando funciona eu fico umas seis horas seguidas escutando tudo o que dá tempo, pra aproveitar a boa vontade do servidor.
Here´s to shutting up:
7.11.2005
roadrunner
"Nossa, ela é o tipo de menina que faz parte da comissão de formatura. Olha pra cara dela. Não é?"
5 minutos depois:
"Vem vê! Olha a foto dela com os caras da comissão de formatura! Ela é MESMO da comissão de formatura!"
1 minuto depois:
"Esse pessoal se agrega à comissão de formatura porque é loser e não tem amigo. Precisa arrumar uns amigos nerds da comissão pra sair na sexta-feira e tomar um 'chopps'."
Meio minuto depois:
"Sabe o que é pior? Trabalha de graça, se fode de graça, fica nervoso de graça. Pra no final do ano olhar pra chuva de papel e pensar 'oooolha, eu ajudei isso tudo a acontecer. Que lindo!'. "
haha, maldade. Mas que a menina é tíííípica "comissão de formatura", ah, isso é.
Here´s to shutting up:
Quantas vezes por dia você pensa em desistir?
Quantas vezes por dia você se sente mal?
Quantas vezes por hora você se sente vendido a preço de banana?
Quantas vezes por dia você pensa em virar hippie?
Quantas vezes por dia você sente que isso não é vida?
Quantas vezes por dia você se sente um bosta?
Quantas vezes por dia você se sente castrado?
Quantas vezes por dia você tem vontade de levantar da cadeira, xingar todo mundo e ir embora?
Quantas vezes por dia você se sente impotente?
Quantas vezes por dia você vê que o sistema está todo errado e que você não pode fazer nada?
Quantas vezes por dia você tem vontade de mandar tudo à merda?
Quantas vezes por dia você pensa em ser uma pessoa melhor?
Quantas vezes por dia seu estômago dói de nervoso?
Quantas vezes por dia você quer simplesmente dar uma volta no parque?
Quantas vezes por dia você sente que tem que tomar uma decisão que não agüenta mais ser postergada dentro de você?
Quantas vezes por dia você olha pela janela do escritório e percebe que não tem mais vida?
Quantas vezes por dia você sente que chegou a hora de chutar tudo?
Quantas vezes por dia por sente que seu corpo vai derreter, célula a célula, órgão a órgão?
Quantas vezes por dia você treme?
Quantas vezes por dia você tem vontade de chorar?
Quantas vezes por dia você acredita, com veemência, que sua vida não passa de uma comédia pastelão B?
Quantas vezes por dia você pensa em morrer?
Here´s to shutting up:
7.8.2005
vícios e virtudes pte. 1
não há virtude sem vício. e vive-versa.
Ela já dormia de olhos abertos. Estava tão magra que nem a face tinha mais gordura e a pele afundara e grudara nos ossos. Eu nunca sabia se ela estava morta ou dormindo. Esse era o desespero mais latente e vivo que pulsava dentro de mim. A pele tomou um tom avermelhado, forçoso, manchado, rubro feito sangue enferrujado. E a cada sorriso que ela dava, saltava-lhe da face magra dois vigorosos nervos, um em cada bochecha. E os olhos pareciam dois poços profudos e cansados.
Tenho fotos dela que foram tiradas dias antes dela partir. São um terror B indefectível.
Passava alguma madrugadas no hospital porque meu pai e minha madrinha já não tinham mais energia. Não dormia. Fitava-a adormecida como se assistisse um filho. A morte me acompanhava insone, sentava ao meu lado, me acompanhava no cigarro e no café, me seguia até o banheiro. Se havia algo realmente vivo dentro daquele quarto, era a morte.
E ela lutava não só pela vida, mas pela sua lucidez. Suas veias estava entupidas de morfina e ela ainda domava o cérebro como quem colhe flores num campo aberto. Tudo era vago e real, tudo era escuro e cortante como só a verdade consegue ser.
Ela via tudo em dobro, tamanha era a dose de remédios.
E ali dentro, dentro dela, não havia muito além de fé e amor. Todas as outras coisas já haviam sido exterminadas por tesouras e bisturis.
Um dia um demônio me disse que ninguém pode ser feliz sem mãe. A vida tem dessas de colocar demônios para nos infernizar.
Ela e tudo o que ela tinha pra falar me seguravam, como o pedaço da vela que ainda está pra queimar. Mas há luzes que se apagam e era como se minha energia tivesse sido minada e uma imensa anemia amorosa tivesse tomado todo o meu corpo.
Não era. Ainda é.
Tem imagens que nunca sairão da nossa cabeça, por mais neurônios que a gente queime com bebidas, textos e baseados.
* * *
Pois ontem parecia a última noite da minha vida. Há noites que parecem a última para mim. É muito parecido com um pânico, mas não chega a ser um pânico. É como aquelas anunciações nostradâmicas: hoje é o último dia da sua vida. O que você vai fazer? Daí eu entro numas de vida fodona e preciso - mas não é qualquer precisar, é um precisar tão interno e tão profundo e tão íntimo que eu não tenho controle - ingerir e aspirar tudo o que passa pela minha frente antes que tudo acabe e antes que meu estômago me autofagocite. É mais ou menos isso, a ansiedade me dá a impressão de que meu estômago vai me engolir. E a euforia - desta eu não sou nem um pouco a favor, nem sou amiga - vem em ondas bipolares. Em 20 minutos eu sou a pessoa mais feliz e rápida do recinto, e de repente eu sou a pessoa mais desgraçada, desprezível e frígida do mundo.
Então, era a última noite da minha vida.
Sentia meu ouvido feito um gramofone. Parecia que nada passaria dali, que estava tudo parado, que no instante seguinte uma enorme fenda se abriria e tragaria a humanidade. Em cinco segundos. E sentia tanto ódio e tanto amor e aquilo decerto não caberia em mim - então eu precisei me libertar.
Mas ainda há muito o que fazer.
Here´s to shutting up:
7.7.2005
E como haveria de ser, tudo voltou ao normal.
Voltei à vida "always on the run" que eu tinha há uns dois anos atrás, a vida que eu gosto, pra ser sincera.
Acho até que estou saindo daquela depressão fudida que eu tava...
Ontem eu fui ver o Mombojó (que botou umas participações especiais: Junio Barreto, China...) e hoje tem Del Rey (um projeto fudido do Mombojó com o China, tocando Roberto Carlos - reeeeei!) no Sesc Pompéia.
Depois eu o Bruno vamos adquirir a PAZ no show do Tony da Gatorra. Maratony pela PAZ! (by: Gui)
Tô com saudade do Tony. Toneeeeeeeeeeeeeeeee!
O Bruno conseguiu uma liminar que libera o Tony pra tocar onde quiser em SP por um mês.
E amanhã chega o Cadu, a Lê, o Dudu, o Dani e a Yra aqui em SP e a gente vai dar umas causadas interioranas pela cidade.
Vô levá eles pra passeá!!!!!!!!!!! Fudido. A.M.O. esses caipiras. Meus caipirinhas prediletos.
Here´s to shutting up:
7.6.2005
Este mês na festa da Peligro:
07/07 - Milionário & José Rico
14/07 - Chico Rey & Paraná
21/07 - Teodoro & Sampaio
28/07 - Duduca & Dalvan
* * * * * *
Se eu fosse você não perderia nenhum.
Tá ficando cada vez mais roots essa festa.
E os caipiras são bem mais legais do que os pit bulls e autistas que andam aparecendo na Milo.
Muito grata.
Here´s to shutting up:
7.5.2005
Acho que eu poderia falar que Wilco é uma das cinco bandas que eu mais quero ver ao vivo no mundo.
E eles vêm, eles vêeeeem, eles super vêm.
Obrigada, universo!
Here´s to shutting up:
Michael tá imitando o Rubber Johnny aqui do lado. Tô surtando de medo.
Here´s to shutting up:
7.4.2005
Levo os dedos ao nariz. As pontas dos meus dedos têm o seu cheiro.
É como se eu pudesse ter um pedacinho de você comigo agora.
É como seu eu tivesse roubado um pouquinho de você para deixar o meu dia mais feliz.
Eu não lavaria as mãos. Não quero perder o deu cheiro.
Lambo. Chupo. Não tem o teu gosto, mas não me custa imaginar.
Então imagino.
O telefone toca. É você. E pronto, você está aqui comigo. Tenho teu cheiro, teu gosto e tua voz.
A única coisa que falta é a força. A força do abraço que me choca contra teu corpo e me faz sentir viva.
Here´s to shutting up:
Ela perguntou: kate, por que você não escreve sobre música?
E eu respondi: é muito simples. Eu não posso escrever sobre música.
E ela rebateu: como não?
E eu respondi: para se falar de música precisa-se de embasamento, de contato, de experiência com música. Eu não vou chegar falando de nada que eu não me sinta respaldada a falar. Se eu nunca escutei Bach, não posso falar de Bach, muito menos de qualquer música clássica.
E ela falou: mas você escuta tanta coisa...
E eu disse: o que não significa nada. Você tem que ter ouvidos e dedos treinados para falar de música. Não quero escrever besteiras por aí.
E ela disse: mas tenta...
E eu: não. O jornalismo é ingrato. Ele nunca vai deixar você esquecer qualquer frase besta que você escrever. Então é melhor não escrever.
E ela: não acho, não. Então fala das coisas que você gosta.
E eu concluí: pra quê? Pra estragar tudo? Não, não. Melhor deixar as canções quietas. Não confio muito nos meus textos. Eles nunca conseguirão alcançar o efeito que a música produz em mim.
Here´s to shutting up:
7.1.2005
Eu sei que eu me afastei. Eu sei que eu deveria ter dito mais palavras na última vez que nos encontramos. Eu sei que eu deveria ter feito aquela visita. Eu sei que eu deveria ter telefonado e marcado uma cerveja. Eu sei que eu deveria ter aparecido no seu aniversário. Eu sei que eu deveria ter dito que gosto de você. Sei também que deveria ter ajudado você a ficar bem. Eu sei de todas as minhas faltas. Se não as soubesse, não estaria aqui confessando. E se não estivesse aqui as confessando, não estaria me sentindo tão mal.
Eu sei que eu sou assim, mas não era. Foi o tempo que me deixou dessa maneira. Por isso faço terapia agora. Porque eu me isolei. Porque depois de algumas coisas que aconteceram, minha timidez e tristeza inata cresceram. E apesar de eu não parecer nem tímida nem triste, sou. Podem não acreditar, mas sou. E só quem está perto demais de mim o sabe.
Eu sei que eu queria vocês mais perto de mim, mas não sei como falar. Não sei nem como chegar. E isso dói, sabe?
E eu não queria que fosse assim. Não queria mesmo.
E havia domingos que eu acordava e estava sol e eu queria sair, andar de bicicleta, comer algodão-doce na rua, dar risada e terminar o dia sentada num banco de madeira olhado o crepúsculo. Mas nada disso acontecia. Daí eu deitava no sofá, fechava a cortina e ligava a TV. E assistia o Gugu, depois o Faustão, depois o Pânico, depois o Fantástico, depois a MTV e depois eu ia dormir.
Porque eu fechei a concha. Porque de dentro da concha ninguém me escuta. Não adianta gritar. Não adianta, tá fechado.
Não sei o que falar. Não sei o que fazer.
Here´s to shutting up:
Hoje eu tomei o ônibus Machado de Assis para fazer uma matéria no centro. Voltando, passei em frente ao Café Pirandello e à banca Homero.
Aaaaah, eu adoro essa cidade.
* * *
Sem contar que o centro da cidade é uma coisa magnífica. Absolutamente. É tudo muito bonito e muito feio ao mesmo tempo, tudo muito velho e muito impactante, é incrível. Fico pasmada olhando prédio por prédio, a arquitetura, a conservação, o que os prédios se tornaram. Me perdi no Vale do Anhangabaú tentando chegar no Páteo do Collégio e acabei passando por umas quebradas, pela Praça Ramos de Azevedo, pela Conselheiro Crispiniano, pela Líbero Badaró, pela Praça da Sé...
E fiquei olhando aqueles cinemas velhos, que agora viraram cinemas pornôs, e queria entrar e queria entrar na Galeria Olido e queria dar uma andada pela Galeria do Rock e quis dar uma volta pela Praça da República, mas eu precisava ir embora.
Amo o centro. Tem que revitalizar, tem que fazer renascer o centro meeeesmo.
Here´s to shutting up:
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