8.31.2005
faz assim não que eu sofro...
Little Girl - Syndicate of Sound
Be Bop Kid - Suicide
Orange Skies - Love
Octopus - Syd Barrett
Meu Machucadinho - Os Megatons
Bocoché - Baden e Vinicius
There is no reason - Velvet Underground
29 Beijos - Novos Baianos
Chuif. Páááára!
Here´s to shutting up:
8.30.2005
NÃO TEM TEXTO NOVO HOJE.
VOLTA OUTRO DIA, TÁ?
haha, monstro viciado, leia meus lábios: não tem texto hoje.
Pelamor, tá achando que isso aqui é o quê?
Kátia Daily News?
Tá achando que eu tenho o quê falar todo santo dia?
Num tenho, fío.
Faz meses que eu não abro um livro pra ler. Sério, mais de dois pra falar a verdade.
E quando eu não leio, eu não escrevo. Fato.
Vou lá ler. "Hoje só amanhã", já diria o Simão. Rárá.
Here´s to shutting up:
8.29.2005
Kaeru
Kaeru, em japonês, significa sapo e também voltar.
Idéia fixa em volta.
Tudo o que vai, volta. Pense nisto.
Acordei com o peito estranho. O porquê de a felicidade me causar estranhamento é fato novo. Acho que fazia tanto tempo que eu não acordava feliz, que eu estou me sentindo estranha.
Resolvi escrever um livro. Ah, como se fosse assim "vou escrever um livro" e pronto, acabou. Não.
Mas minha chefe disse uma frase perfeita agora há pouco: se você quer que as coisas funcionem do seu jeito, faça por si.
Não adianta 25 pessoas virem dizer ao seu ouvido: você precisa mudar, você precisar acreditar nas coisas, se você não quer mudar.
É como um vício. Sem força de vontade você não vai sair daquele círculo.
queria dizer para uma pessoa que ela está vivendo errado, mas não vai funcionar. É como falar com portas ou elefantes, eles não te entendem. A mensagem não pode ser decodificada por um receptor que não está preparado para aquilo.
Ele não aceitaria minhas palavras. Falaria, enfim, com paredes.
E pensei, também, no peso que uma palavra carrega consigo.
E descobri a coisa que eu mais odeio no mundo. Não é mentira, falsidade, ou qualquer um dos clichês que rondam a cabeça das pessoas de boa-fé. É comportamento bipolar. Deixe-me explicar, assim todo mundo entra na minha viagem: a pessoa, quando está só com você, é uma coisa. Conversa normalmente, não te trata mal, é sua amiga. Mas quando está na frente de outras pessoas, ela se tronsforma num pequeno monstro insuportável, que faz pose e graça para quem está na frente, pagando de macho ou de fodão ou de engraçadinho. Como se os outros fossem espectadores daquele espetáculo esdrúxulo.
Eu saco em dois segundos um bipolar. E eu nem preciso ser o alvo da chacota ou da "machisse", posso ser a espectadora; saco na hora.
É a coisa mais detestável em um ser humano: o que tenta brilhar pela depreciação alheia. A pessoa só consegue significar alguma coisa para as outras se ela humilhar todos os que estão perto dela. Ou ela acha que consegue; na verdade significar alguma coisa para alguém é algo meramente psicológico, vaidoso.
Quem gosta de você de verdade não te ama pelas suas roupas, pelo seu emprego, pelo seu dinheiro, pelos seus discos, pelo seu cabelo, pelo seu tênis ou pelo seu carro. Ela te ama porque você, nu em pêlo, é amável.
E se você ama alguém pelo o que a pessoa tem ou representa, você não passa de um idiota paga-pau. É isso, você nunca vai passar de um fracassado que não tem ou faz nada por si, mas que fica amando a coisa alheia.
Eu acredito que todo mundo que tem comportamento bipolar, paga. Paga pela idiotia. Paga por não ter personalidade. Paga por não passar de um fraco.
É sempre assim. A pessoa só briga comigo quando tem gente perto. Só grita comigo quando tem gente perto. Só é macho quando tem gente perto.
E eu vou ficar queimando neurônio com nervoso? Não. de agora em diante eu sinto pena.
Pena, o sentimento mais execrável e insuportável que alguém pode sentir por você. PENA. Sinto pena por você precisar POSAR o tempo todo. Por você não pode ser você, ter que ser alguém que deprecia os outros para impôr respeito. Você não cosegue ganhar respeito sozinho. Pena, pena, pena. Coitado de você.
E saiba também que tudo o que você repara nos outros, é o que você é. Você não passa de um alvo de si mesmo. E eu não posso sentir nada além de pena. Tomara que um dia você consiga se livrar deste comportamente e ser uma pessoa normal. Como todas as outras.
Here´s to shutting up:
8.26.2005
Depois de Lulina Cristalina e Lulina Bolina, deveria vir o Lulina Impregna, porque, cara, eu sou capaz de ficar uma semana inteira com uma música de Lulina na minha cabeça, tocando lá fundo, sem parar. E ficar cantarolando sem parar. Hoje eu acordei e fui escutar "Do You Remember Laura?", porque faz dias e dias que eu estou repetindo "quando era pequena, achava que era grande. Quando cresci, eu encolhi" ou "eu juro que eu vi um cometa, bater na minha janela, eu juro que era neve na minha porta..." Nem sei se eu coloquei um "virundum" aqui, porque eu nunca vi a letra desta musga. Lulina Impregna poderia vir com Balada do Paulista, Birigüi, Baygon, Do You Remember Laura, Sangue de ET, entre outras.
Ménina, não sei se te escuto demais porque te amo, ou se te amo porque te escuto demais!
* * *
Quanto tempo você demora para perceber que alguma pessoa não gosta de você?
E quanto tempo você demora para aceitar o fato?
Ou quanto tempo você perde pensando "será que não é só impressão"?
Nessas horas eu penso em fazer psicologia. Mas estudar a psique humana a fundo, descobrir as relações psicológicas entre sorriso e empatia, entre olhar e simpatia, em descobrir porque o ser humano reage tão mal na frente de quem/o que não lhe agrada, qual a motivação real da falsidade comportamental (como naquela canção dos Smiths "why do I smile at people who I'd much rather kick in the eye"), se há ligação química em gostar à primeira vista (aquele lance de bater o olho e, na hora, saber que aquela pessoa é muito legal), se simpatia é algo que deve ser construído (ou destruído) ou se é natural (talvez o esforço em causar simpatia em alguém possa fazer mal) etc. etc.
Os assíduos leitores já perceberam que, cada vez que eu percebo que uma pessoa não gosta de mim, entro nessas crises de querer entender.
Talvez seja somente um caminhão de vaidade que carrega questões idiotas como "por que ele não gosta de mim, sou tãããão legal?"
Ou talvez seja uma falha na matrix do cérebro, como "eu gosto dele, por que ele não devolve o amor?", como se as relações humanas pudessem ser comparadas à uma feira de escambo sentimental.
Não existe amor desinteressado, isso é fato. FATO. A gente sempre quer alguma coisa de volta. Vá, confesse, se você não quisesse nada, já teriam te canonizado. Madre Teresa de Calcutá, Gandhi, essa galera; você definitivamente não é um deles. Nem eu, pelamordedeus, nem quero ser.
Por que somos seres civilizados e diplomáticos? A gente não seria mais feliz se mandasse se foder quem a gente deseja que se foda, não olhasse na cara de quem não gostamos etc.? Então por que a gente se esforça para não causar má impressão ou para simplesmente não magoar? Por que a gente se submete a essa merda toda? Porque somos seres diplomáticos e civilizados, oras! Somos um bando de interesseiros, isso sim. Temos é medo de precisar do fulano depois.
Me prolonguei demais, né? Chega.
* * *
O show de ontem foi ótemo, eu acho. Não escutei direito, porque eu não tinha retorno, então eu tinha que fazer tanto esforço para me concentrar e escutar o que tava fazendo que não prestei muita atenção no resto. Mas as covers ficaram boas (essas eu escutei!).
O Mêngo gravou, tô louca pra escutar o resultado. E a Anêlena lomografou o show todinho (obrigada, Ana!).
Foi bom. Não tem como descrever, sabe? São 9 pessoas fofas fazendo barulhinho bom a la maher. E eu só posso esperar que tenham muitos e muitos shows do Prelinger, porque é legal ensaiar e tocar com eles. E tomar muito suco de cajá, pra manter o flow. he.
Here´s to shutting up:
8.25.2005
Não perde, porque vai ser bom: Prelinger Archives Orchestra na Milo hoje.
Aparece lá pelas 11:30 e veja o combo que o Du montou pra fazer o Maher brasileiro!
Here´s to shutting up:
8.24.2005
Tenho uma capacidade incrível de assustar pessoas.
E não é de agora. É coisa antiga, faz tempo que eu meto medo.
E se não meto medo, meto em constrangimento.
Eu e minha inexorável capacidade de constranger pessoas.
Não gosto, mas também não faço força pra mudar.
Nós, os desastrados...
* * *
Tinha escrito muito mais coisas, mas esse assunto é muito chato.
Deixaprálá.
Here´s to shutting up:
8.23.2005
Eu tinha acordado triste.
Hum...mulheres tem um hormônio diferente, o hormônio do surto. Nunca se sabe quando esse hormônio será liberado, mas sabe-se que a liberação se dá no hipotálamo. Ele é produzido nos ovários. Por isso que só mulher tem. Mas é sempre algo que consegue atravessar o lobo frontal, a massa cinzenta e alcança, sinapse por sinapse, o escondido hipotálamo.
Daí, filhão, um abraço. Elas surtam. Elas ficam descontroladas. Como um cavalo ou um macaco sem domo.
Acordei com hormônio do surto regando cada veia e cada artéria do meu corpo. Fui pra faculdade emburrada, assisti aula bocejando, peguei ônibus bicuda.
Um bom termometro para o meu mau humor são os vendedores ambulantes de ônibus. Mano, se eu não comprar nada, é porque eu estou muito mal humorada MESMO.
Cheguei na casa do Du pra almoçar. Sem fome nenhuma. Daí o Bruno tava lá.
Sentei pra ler o jornal. E o Bruno tava tão feliz e tão bem humorado e com uma energia tão boa que eu saí de lá feliz. Eu fiquei feliz de tão feliz que estava o Bruno.
É, talvez o que eu preciso é só de gente bem humorada falando comigo. Gente do bem, com aura boa.
Simples assim.
Mulheres são bichos bem simples, na verdade.
A meu manual de instruções, por exemplo, diz:
- Mantenha seu estômago cheio (ela fica injuriada quando está com fome)
- Mantenha seu humor em banho-maria em tempos de TPM.
- Leve-a ao cinema. Nada faz seus olhos brilharem tanto quando uma tela cheia de franceses chatos.
- Ria de suas piadas (ela veio ao mundo com um ego grande demais para ser ignorada)
- Mas não precisa rir de todas. Ela sabe quando as piadas são ruins.
- Dê chocolates à pequena, como naquele poema do Fernando Pessoa ("Come chocolates, pequena;/Come chocolates!/Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates./Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria".)
- Não a leve a sério. Só quando ela pedir.
Somos bichos simples, bichos de cio, frio e fome.
Bicho que precisa de colo, de atenção, de cafuné (quantas vezes eu vou ter que falar em cafuné, mesmo?), bicho atávico.
Vai falar que tu não é?
Here´s to shutting up:
- O amor é mesmo essa merda?, disse a garotinha loira de vestido de chita.
- Acho que sim, disse o garoto.
- Só isso?, questinou, tentando superar Freud e o que mais lhe orbitava a mente.
- É, não passa dessa merda, disse o garoto, tentando se livrar de maiores explicações.
- Mas e seu eu achasse que o amor é muito maior?, perguntou a incansável garotinha.
- Você estaria achando errado, respondeu o garoto.
- Mas e aquilo de ontem?, disse a menina.
- Aquilo não era nada, nem amor, respondeu o menino.
Mas a menina não cansaria. Não cansaria porque o amor não poderia ser só aquilo.
Ela sabia que não era só aquilo. Era nó na garganta, era dor de barriga, era falta de ar, era mãozinha trêmula, era coração saltando pelas entranhas e muitas, muitas outras coisas, como só mais tarde descobrira. Como só mais tarde sentira.
* A Menina Santa não faz bem, definitivamente.
Here´s to shutting up:
8.18.2005
tomorrow's much too long
Amanhã a gente foi ao parque. E comemos algodão-doce sentados num banco de madeira, na frente de uma árvore enorme e antiga, toda envolta por cipós e fungos milenares.
E amanhã a gente falou de cinema, música, literatura e nenhum de nós dois foi soberbo, pedante ou entediante.
E amanhã eu toquei flauta pra você e a gente quase se afogou de rir porque eu não sei tapar os buracos direito e desafino a cada nota. E porque amanhã a gente nunca se levou a sério.
E amanhã construímos uma história inteira, que poderia ser contada de trás pra frente, de tão bem costurada que era.
E depois, amanhã a gente não hesitou ao decidir faltar no trabalho pra ir ao cinema. Amanhã eu perdi meus óculos. E você estava sem os seus. Não somos tão míopes assim, mas a gente brincou de adivinhar o que acontecia no final da estrada, ou o que era aquilo lá perto da casinha de madeira.
Amanhã a gente foi pra casa escutar vinis ruins. E escutamos milhares deles, porque é só isso que tenho em casa, uma pilha velha de vinis ruins. Mas amanhã a gente também escutou a Arca de Noé do Vinicius. E falamos bem do Vinicius, gostamos do Vinicius poeta, do Vinicius músico, do Vinicius boêmio, do Vinicius amante. Que deus tenha Vinicius em um bom bar, na beirada da praia do paraíso, afofando a areia com os pés e mexendo o uísque com o dedo.
E amanhã questionamos se deus existia mesmo. E onde Ele estaria naquele exato momento em que você enrolava meu cabelo nos seus dedos e meu corpo arrepiava cada vez que você tocava meu couro cabeludo. E amanhã chegamos à conclusão que Deus só poderia estar ali, entre a ponta dos dedos e os cabelos, naquele momento mágico que se construia cada vez que você me tocava.
Amanhã a gente brincou de sentir novos gostos, por mais velhos que eles fossem para o paladar. Cereja, café, queijo, uva, creme, chocolate, damasco, saliva.
E amanhã você falou para eu não quebrar o seu coração e eu prometi que guardaria ele junto com esse amanhã, pra sempre dentro de mim. Junto com as lembranças mais nobres, que vão diretamente para uma caixinha de música que tem dentro do cérebro.
E amanhã a gente tirou o dia para eu ser um pedacinho de você e você ser um pedacinho de mim.
E amanhã a gente matou de inveja quem está fora de sintonia.
Porque o amanhã nunca morre. Por mais que nasçam novos dias, o amanhã sempre vai existir.
Here´s to shutting up:
8.15.2005
Lembra quando a gente não tinha nada pra fazer e saia na rua do centro pra correr e pular e bater nos toldos?
Eu lembro. Você era mais alta do que eu e sempre ganhava de mim na conta final.
Eu lembro quando você ficou com o meu primeiro namoradinho antes de ele ser meu primeiro namoradinho. Eu fiquei brava com você, escrevi uma carta gigante terminando o nosso "relacionamento". Mas não consegui entregar. Depois que você fez isso eu parei de andar com meninas. Não queria mais que roubassem meus namoradinhos.
Lembra quando a gente tinha 12 anos e ficava deitada no quintal de casa olhando as estrelas e sonhando com o dia em que a gente seria grande e iria para a balada dançar muito?
Eu lembro. A gente sempre dava um jeitinho de ir pra boate escondido dos nossos pais.
Lembra quando eu fugi de casa e fui pra sua e, dez minutos depois, meu pai estava no seu portão gritando "kátia, você tem três segundos para entrar no carro"?
Lembra quando a gente saia pra tomar chuva no Centro Cívico?
Lembra do nosso primeiro porre?
Lembra quando eu mudei de colégio e eu fugia quase todo dia e ia pra sua casa e chorava que queria estudar com você?
Eu lembro.
E lembra que a gente achava que ia ser amiga para sempre?
A gente não fazia nada separadas. A gente encasquetou uma época que a gente era um clone, bem naquela época da Dolly, lembra?
E eu lembro que você cuidava ds minhas choradeiras por causa do Fábio, que hoje não passa de um viciado.
E lembra que a gente ia no pula-pula só pra causar com a molecada?
Eu lembro. Eu era uma boa amiga? Eu não deixava você ficar com os meninos feios. E nem com os bonitos, porque eu tinha ciúme.
Era bom, né?
Eu lembrei disso por causa disso:
"No they´ll never catch me now
no they´ll never catch me
No they cannot catch me now
We will escape somehow".
Eles nunca pegariam a gente.
Ninguém alcançaria a gente.
Nada pegaria a gente.
Nada poderia estragar aquela coisa boa que a gente vivia.
A gente era tão feliz, nada nos alcançaria.
A não ser o tempo e a distância.
Here´s to shutting up:
8.11.2005
Já passa da meia-noite.
Nenhuma linha da coluna escrita. (quarta-feira é dia de escrever a coluna, porque na quinta tem batidão e não sobra tempo.)
E o que eu tô fazendo? Comemorando a vitória dos bananas, oras.
Quem são os bananas? haha
República dos bananas
(conseguimos botar a mina pra correr. vamos estourar aquela champagne velha, maicou?)
Olha como somos *lomogênicos*.
Here´s to shutting up:
8.10.2005
Cachê do Los Hermanos: 43 mil reais.
hahahahaha. Que palhaçada.
Here´s to shutting up:
8.9.2005
Confluência de sentimentos.
Cigarettes tocando.
Fal-ta de a...r...
Tristeza, café e nervoso.
Parece que posso me ver: olhos estalados como um cão assustado, pescoço duro e esticado, tentando alcançar imagens em cima do computador, soslaio desconfiado, agonia pura transbordando poro a poro.
É muito simples: eu preciso falar o que eu não consigo que seja falado.
Precisa acontecer alguma coisa na minha vida nos próximos cinco ou seis dias antes que seja tarde, antes que eu desista de novo, antes que eu namore o suicídio de novo.
Parece que eu vou explodir. Aqui, agora, como um travesseiro de penas de ganso. Tufffff...
Sim, tem alguma coisa errada comigo. E é comigo. Não é nas instituições, nos ônibus, nos hotéis, nas baladas, no trabalho que as coisas estão erradas. É aqui dentro.
E parece que eu estou presa. Na verdade eu estou. Você já sentiu seu peito como se tivesse metros de corda de nylon muito bem preso ao seu corpo? Então.
Liberdade é um lance muito estranho.
Estava pensando nisso ontem.
Quando eu chego no meu prédio, preciso esperar o porteiro abrir o portão. Daí eu chego na porta de vidro do meu bloco, abro a mochila, pego a carteira, tiro o cartão magnético de lá de dentro, passo no leitor ótico e entro no hall. Pego o elevador, chego no meu andar, destranco a porta, entro e tranco a porta. Que vida é essa?
E entrar no meu prédio é só uma alegoria. Saca, tem cada vez mais portões e muros e tetos e a gente vê cada vez menos o sol. E respira um ar cada vez pior, passa cada vez mais horas dentro do carro, faz cada vez menos coisas que gosta por questão de tempo e segurança. Segurança de CU É ROLA, meu filho.
Que segurança, o que?
Quero ir embora. Vou lá pro interior de Minas. Pro interior do Rio Grande do Sul. Isso não é vida. Ficar com a bunda quadrada, com a cara enfiada no computador o dia inteiro, agüentando gente que não merece nem a minha catota de nariz é coisa pra gente muito corajosa. E isso, infelizmente, eu não sou.
Vou comprar umas vacas, criar umas galinhas, plantar batata, milho e cana. E tomar leite de verdade. E comer fruta no pé. E andar descalça na terra molhada depois da chuva. E no final da tarde, quando eu estiver bem cansada de arar a terra e alimentar o gado, eu passo um café, deito na rede e escuto Neil Young.
Alguém mais quer ir?
Here´s to shutting up:
8.7.2005
As pessoas não gostaram muito do disco novo do Los Hermanos, né?
Mas eu gostei.
Quer ler? Clicaqui.
Here´s to shutting up:
8.5.2005
Aaaaaaaaaah, que ressaaaaaaaaca.
Sinto os movimentos de rotação e de translação da terra com fidelidade sob meus pés.
Jesus.
Já já tem coluna nova no site da Super. Daqui a pouco eu linko.
Here´s to shutting up:
8.3.2005
fuckforeveeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer
Eu acordei com os cabelos em pé. Como se tivesse dormido de ponta-cabeça.
Mas não, né? Perdi os tampões de ouvido pelo quarto. Não faço a mínima idéia de onde eles estejam neste momento.
A minha márcara estava no meu pé esquerdo. Só deus sabe o que eu aprontei pela cama esta noite.
A camisa do meu pijama sumiu. Revirei a casa em busca dela, mas não encontrei.
Tenho vontade de matar a menina que mora lá. Ela soltou uma frase assim domingo: "se eu estiver com raiva de você sou bem capaz de jogar um disco seu pela janela".
Na maior. Senti ódio. Apareceu um buraco na minha caixa do Velvet. Coisa que ninguém com a amor à arcada dentária faria.
O Sacudim do Jorge Ben desapareceu há mais de um mês. Ninguém viu.
Tomei café e fui pra aula. Uma benção. Encontrar as pessoas e conversar.
O Crepúsculo morreu na semana passada. Aurora tentou se suicidar. Compramos o Meio-dia para que ela flerte novamente. Mas acho que eles não se gostaram muito, mesmo porque o Meio-dia é bem mais novo, menor e mais laranja que a Aurora.
Almocei e peguei ônibus: uma combinação bombástica para o meu sono. A barriga cheia, depois o trepidar do buso. Eu pesco.
Cheguei no trabalho e logo me deprimi. Queria estar em casa, deitada no sofá, assistindo uma pornochanchada e tomando um chá.
Agora ligaram o ar condicionado. O que, em meio segundo, pensa minha cabeça? Adivinhou.
Fuck forever.
Here´s to shutting up:
8.2.2005
Alívio do mundo
As suas palavras sempre me deixam aliviada.
De quê?
Eu não sei.
Mas me deixam.
Como se lavassem a minha alma.
Como se fizessem justiça aos meus sentimentos mais verdadeiros.
E fazem nascer dentro de mim esperança.
De que a ternura existe.
De que a sinceridade existe.
De que o amor existe.
Alívio do mundo, saiba você.
Alívio de saber que você existe.
De que você existe dessa maneira doce.
Alívio de ter a certeza que eu te amo e que você me ama.
E que pouca coisa importa além disso.
Here´s to shutting up:
8.1.2005
tomefôlego.doc
sextafeira.doc
E então depois de tomar café com o Jardel e depois de ver o vurlinha e de dançar com Léo, Mary e Bruno e de chorar um rio no toninho e freitas por causa de besteira misturada com vodka e tristeza e medo e saudade e amor e raiva, fui dormir. E acordei na sexta sem ressaca nem nada, acordei pra viver, simples assim. Não que acordar pra viver esteja sendo um negócio muito lucrativo para mim. Apesar de que as coisas vêm melhorando. (difícil soltar uma frase desta sendo pessimista. Meu deus. Tá melhorando mesmo!)
- - - pula o dia - - -
Fui pro bar encontrar aquelas pessoas lindas e coloridas e de sorrisão rasgado até as orelhas o tempo todo. E toda vez que eu encontro essas pessoas, meu coração fica cheio de som e amor. Depois fui pra casa do Du tomar champanhe e comemorar a *colunanova* êêê.
sábado.doc
A noite eu e o Du fomos ver A Fantástica Fábrica de Chocolate. E é lindo. Eu choro, sabe? Choro pro Charlie achar o bilhete dourado, choro quando a avó louquinha dele fala "nada é impossível", choro quando ele fala pro Wonka que prefere ficar com a família dele do que ficar com a fábrica e fico com aquele sorriso bobo de criança o filme todo. E as músicas que os oompa-loompas cantam cada vez que uma criança faz coisa errada são incríveis, tipo rock-psicodélico, música latina, eletrônica, uau. E os esquilos são lindos. E alguém me explique para quê serve a lã das ovelhas rosa porque eu não entendi...
E depois fomos no Hobby tomar milk-shake de brigadeiro. Delícia cremosa.
domingo.doc
Eu, o Du e o Pereira fomos destruir uns bois num rodízio. Depois a gente foi pra Milo. Prelinger Archives (hum, adoro esse menino do Prelinger...) foi surreal, com Eduardo tocado teclado com a testa e outras coisas desse tipo. Depois o show da Lulins. Lulina. Lulinda. Com todas as músicas incríveis do disco novo, com fãs ensandecidos pedindo canções, com contagem regressiva e Cidra Cereser, com Sangue de E.T. (que, segundo Lulins, é sangue podre que sobra de hemodiálise, logo, nenhum ET é prejudica por causa da venda da bebida) com gosto de jujuba e pegada incrível dexy's e (quase) todos os hits foram tocados.
O show de Recife vai ser fodão, tipo pessoas de queixo caído e invasão de camarim e multidão gritando Lulina!, Lulina!
E o Michael voltou pra casa são e salvo e minha busca acabou. Pronto, Michael está sob meu controle novamente. ufa.
Here´s to shutting up:
|