I wanna be your little light
 

 
Goteja: coração. Há um poço de alegria dentro dele.
 
 
   
 
30.11.05
 
Depois eu mato o blogue e vocês reclamam!
Ninguém comenta meus posts, oras!
Here´s to shutting up:
 
O mundo vive em construção

- Oi. Eu vim buscar o meu cérebro.
- Você se lembra do número do chassi?
- Não.
- Hum, assim a senhora complica minha vida.
- Ah, eu lembro que ele funcionava muito bem antes de eu entrar naquela onda de drogas...
- Sim, naquela onda de injetar TCC. A senhora me contou o seu caso.
- Contei, né? E você poderia me devolver agora?
- A senhora vai ter de escrever uma petição.
- Como assim uma petição?
- É, uma petição. Terá que descrever seu cérebro, com detalhes, e arrumar a assinatura de duas testemunhas que concordem que aquela descrição é do SEU cérebro.
- Mas eu não me lembro como ele era.
- Não?
- Não.
- Então dificilmente você verá seu cérebro de novo.
- Como assim?
- A senhora já entrou na CNOSC. Sinto muito.
- CNOSC? O que é CNOSC?
- Crise Narco Obsessiva dos Sem Cérebro. Você não se lembra mais como é viver com cérebro. Os sintomas são simples e visíveis: se dispersa facilmente, não presta atenção em ações cotidianas como olhar para os lados antes de atravessar a rua, dorme mal, a comida fica sem gosto, a maior parte do tempo você apoia a cabeça na mão, quer se drogar a qualquer custo para tentar esboçar algum tipo de reação frente ao mundo, não sente mais alegria nem tristeza, briga fácil com qualquer pessoa, aceita fácil qualquer grosseria, não tem medo de nada, sente fraqueza em todo o corpo e no espírito, sente uma ossinho de galinha atravessado na garganta, tem falta de ar, acorda com sonhos muito velhos, sente muito sono, sente muita, muita, muita nostalgia...conheço bem o seu tipo.
- É assim mesmo! Meu Deus! Faça alguma coisa para me ajudar!
- Xi, Dona. Não tem muito o que fazer, não. Já tentou se jogar na vida?
- Não.
- Então se joga na vida. Quem sabe você se lembre de como era seu cérebro ou acabe formando um cérebro novo. O mais indicado, no seu caso, é que você tente formar novas idéias. Um novo jeito de pensar.
- Por que?
- Porque na sua ficha está escrito que você tinha o sistema nervoso.
- Hum...olha pela janela.
- O que, dona?
- O mundo está sempre em construção. Todo dia tem alguém com uma ferramenta na mão mudando alguma coisa no mundo. Todo dia tem uma cor nova, um prédio novo, uma placa nova, um caminho novo, um ônibus novo, um banco novo, árvores novas...como eu vou desenvolver outro cérebro se tem tanta coisa para ser guardada e essas coisas mudam tanto e tão rapidamente?
- Vixe, dona. Esse negócio de mudança é outro departamento. Não sei falar disso, não. Mas não se preocupe. O mundo muda, as construções aos seus olhos mudam. Mas há coisa que são imutáveis, como as configurações básicas do seu coração. Essas sim nunca mudarão. E se há uma coisa que dá certo nesta vida, dona, é ouvir o seu coração. Pode acreditar.
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29.11.05
 
Waking Life results: a ilusão como interpretação da vida.

Então passaram-se os dias waking life. Findaram. Ou não.
Há pesadelos que nunca terminam. Um desses pesadelos, vivido em fevereiro deste ano na companhia do meu execrável pai, parecia nunca ter fim. Foi durante este pesadelo em específico que eu vi: as coisas sempre podem piorar um pouco mais. Nunca duvide disto: nada está tão ruim que não possa piorar.
O período corrente está enquandrado em uma moldura negra de bolor, e nada que está dentro desta moldura pode-se ver claramente. Há brumas por toda parte.
Todas as noites, as cenas se repetem: acordo embrulhada de sonhos distantes, meio apagados, meio alegre e meio tristes. São sonhos. Brumados. Olhos estalados, puxo a máscara e olho em volta: tudo permanece na mesma posição, mesmo fora do quarto nada mudou. São seis da manhã. Algumas buzinas já ameaçam estragar minhas últimas horas de sono na Brigadeiro Luís Antônio, enquanto eu me esforço para lembrar de coisas boas que aconteceram durante aquele dia. Pego no sono novamente. Às vezes com dificuldade, às vezes como criança. Os sonhos voltam. São sonhos bonitos, na maioria das vezes. Quando não o são, acordo imediatamente.
Noite passada sonhei com Wayne Coyne e seu formidável cirquinho colorido no palco, sonhei com alguns amigos, camisas listradas, sonhei com a minha casa e sonhei que comia feijões com caruncho. Não consigo parar de pensar nos carunchos do meu feijão. Eles eram nojentos e gigantes e andavam pela minha língua.
Língua. Bela palavra. Língua. Gosto de língua. Há alguns dias, sonhei que havia crianças no meu apartamento e elas insistiam em usar minhas luvas vermelhas. Eu nunca usei minhas luvas vermelhas, eu acho. Como eu fumo, as luvas ficam cheirando mal. Então evito usá-las. Esta noite, a mesma coisa. Sonhos em cor e formas exuberantes. Sid e Nancy, os gatos estilosos e cheios de personalidade do Jardel, estavam lá. Gatos grandes, gordos, fofos, espertos. Sonhei com a faculdade e com meia dúzia de problemas que insistem em se comportar como um mar de ressaca na minha cabeça. Sonhei com a Trip e dentro da Trip tinha muitas teias de aranha.
Não entendo nada de sonhos. Não consigo intepretá-los. Penso em ler alguns livros de Carl Jung, alguns outros de psicanálise vagabunda e prestar atenção no que esses sonhos querem dizer.
Às vezes tenho medo de ter esvaziado minha vida e às vezes tenho medo de esvaziar os bons relacionamentos que tenho. Alguns casos são acidentes inevitáveis. Agregada ao esvaziamento, vem a raiva. Sinto raiva quando vejo alguma coisa vazia por minha culpa.
Me sinto tão vazia e tão preguiçosa em relação a vida. E isso está me deixando irritada.
Devia ter uma matéria no currículo escolar que ensinasse as pessoas a RESPEITAREM O LIMITE ALHEIO. Há limites para todas as coisas. Essa matéria ensinaria as pessoas a desenvolverem o famoso e pouco usado SEMANCOL, encenaria situações do dia-a-dia para que as pessoas vissem como agir, enfim, é provável que com esse tipo de educação o mundo ficaria mais respeitoso e pacífico.
Talvez seja por isso que eu ande sonhando tanto, dormindo tão mal e fazendo tão pouco por mim. Meu limite está todo invadido, 100% invadido por milhares de opiniões e pessoas que, em sua maioria, não me INTERESSAM. Se me interessa, eu peço. Eu não quero saber o que você pensa da minha pança de cerveja, do meu cabelo desgrenhando ou dos meus tênis furados, muito menos o que você pensa dos meus textos, das minhas idéias e dos meus sonhos. Como diz Adriano, "leu porque quis". Se eu não estou perguntando, para quem você está respondendo?
Concordo com a o lance de "falar na cara", termo usado pelos jovens do século XX para designar SINCERIDADE e CORAGEM de enfrentar o seu alvo de críticas.
Mas nem me venha falar mais nada. Quero só ficar com os meus camaradas mais um pouco no bar, fazer piada de coisa séria, ler orelha de livro e dormir feliz sabendo que eu capturei mais um dia.
Trocando em miúdos, como diria Clemente, "calaboca, não enche o saco".
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25.11.05
 
Você tem medo de que?

Você tem medo de que? Tem medo de perder as pernas?
Tem medo de deixar de ser amado?
Você tem medo de perder dinheiro? E medo de perder a dignidade?
Hein, me diga se você tem medo de perder a sua dignidade?
Por quanto você vende a sua ética?
Me diga se você tem medo de perder quem você ama. Aliás, você ama alguém de verdade, além de si mesmo?
Você tem medo de murchar? Seu corpo vai murchar com o tempo e cair com a gravidade. E o que tem dentro dele? Serragem?
Você confia nos motoristas dos ônibus que você pega todos os dias? Como você sabe que eles não vão jogar o veículo contra um poste?
Você tem medo de que? De morrer? De viver? De engordar? De perder hora?
Você tem medo que alguém te humilhe? Você tem medo que alguém te elogie?
Tem medo de se apaixonar? Medo de desapaixonar?
Você tem medo que alguém pense que você é burro? Mas e o medo de SER burro?
Você tem medo do fracasso? Tem medo do sucesso? Tem medo do escuro?
Tem medo de perder o seu empreguinho meia boca?
Tem medo do bandido e tem medo da polícia?
Tem medo de sair na rua de madrugada?
Por que você tem medo disso tudo?
Por que a vida tem tanta coisa pra gente ter medo?
Você tem medo de sentir saudade?
Tem medo de não sentir mais nada?
Você tem medo de fazer coisa errada? Tem medo de tomar pico? Tem medo de fumar um beck? Tem medo de dar o cu sem usar vaselina? Tem medo de mentir para os seus pais? Tem medo de passar fome? Tem medo de ter de cavar calha do tietê para tirar o seu feijão no fim do mês?
Você tem medo de ficar doente? Tem medo de ouvir a verdade? Tem medo de chorar?
Tem medo de falar em público?
Tem medo que a lata de coca estoure no congelador?
Tem medo de ser enganado, ludibriado, carregado por alguém?
Você tem medo de beber até vomitar? Você tem medo de limpar a caca que você fez no dia seguinte?
Você tem medo de que?
Diga, diga agora o que te mete medo. Fala sobre o que faz teu cérebro liberar imensas doses de adrenalina no sangue. Fala sobre o que te fecha a garganta e tira o ar de pânico. Fala sobre o que te tira o sono. Fala se você tem controle sobre a tua vida e sobre tudo o que foge desta ilusão de controle. Você tem medo de tudo que pode escorregar das tuas mãos? Você tem medo de não saber o que é certo e o que é errado? Você tem medo de ser tocado? Tem medo de fantasmas? Medo de bruxa? Medo de cigana? Medo do mendigo que dorme na calçada do teu prédio? Medo do moleque cheirando cola? Você tem medo de gente? Tem medo de sorrir pra quem você não conhece?
Você tem medo de se assumir? Você tem medo de virar gente e se assumir e assumir seus erros e acertos? É disso que você tem medo? Você tem medo de andar com a cabeça erguida?
Você tem medo de mandar tomar no cu? Que tipo de bundão é você, que tem medo de mandar alguém tomar no olho do cu? Você tem medo de virar homem e criar culhões e enfrentar essas babaquices de gente?
Junte seus medos, seus pânicos, seus espantos e seus litros de adrenalina e meta a bica. Tiro de meta, sabe? Chute como se você fosse cobrar um tiro de meta e pudesse MESMO fazer um gol. Chute esta merda desta bola.
Ter medo cansa. Se sentir cansado por muito tempo também cansa.
Você tem medo de ficar mais um ano na faculdade? Você tem medo de ter escolhido o curso errado? Você tem medo de recomeçar sua vida? Tem medo de voltar pro cursinho porque você não errou o MÉTODO, você errou o CAMINHO?
E medo de se trair, você tem? E medo de se tornar um idiota conformado que vai manter um emprego de merda pro resto da vida porque é "estável"? Medo de perder a estabilidade? Medo de sentir frio na barriga e ter de procurar outro emprego? E medo de ler sempre as mesmas coisa e ter sempre as mesmas opiniões sobre tudo, você tem? Você tem medo de se tornar aquele seu tio imbecil, um fracassado que só sabe apontar o fracasso dos outros por puro sadismo?
Você tem medo de ser feliz? Você tem medo de lutar alguns meses ou anos ou décadas para ser feliz? Você tem medo da luta? Você não tem medo da sua preguiça, que fagocita todas as chances que a vida te dá? Você tem noção que incutir o medo em alguém pode acabar em suicídio? E você não tem medo disso?
Por que você tem medo d'a vida te enrabar? Cada dia que você acorda, pega o lixo do ônibus lotado, trabalha feito um robô, come qualquer coisa sem gosto, volta pra casa e só pensa em dormir, JÁ ESTÁ DEIXANDO A VIDA TE ENRABAR. Quando isso está acontecendo, você poderia ser exterminado da face da terra, pois A SUA VIDA MEDÍOCRE NÃO FAZ A MÍNIMA DIFERENÇA PRO FUNCIONAMENTO DO UNIVERSO. E então você não vai passar de um amontoado de cocô que atrapalha o caminho de outras pessoas. Você não tem medo de ser isso? Ah, você prefere o medo de ser assaltado e perder uns trocos e então fica em casa ao medo de se tornar um bosta?
O medo é legítimo. O medo não é ilegítimo em nenhum caso. Cada um tem os seus e os carrega da maneira que lhe for mais conveniente.
Mas às vezes é bom pensar que alguns medos são fúteis, outros são sem embasamento. E é bom esquecê-los ou enfrentá-los. Antes que eles te engulam.
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23.11.05
 
reencontro.com.br

Oi, lembra de mim? Uma vez eu escrevi um blues pra você. Era como naquela canção dos Beatles:

Black cloud crossed my mind
Blue mist round my soul
Feel so suicidal
Even hate my rock and roll
Wanna die yeah wanna die
If I ain't dead already

Talvez você saiba o motivo.

Desfaz o bico que assim eu não entendo o que você fala.
Então você se lembra de mim...que bom.
Eu? Eu passei a inventar histórias na minha cabeça. Mentiras, pequenas mentiras, tudo para agüentar a vida.
Invento que vou pra Itália ano que vem, invento que eu vou ter um emprego legal algum dia, invento que o dinheiro não vai me preocupar mais, invento que estas lágrimas que insistem em cair em alguns dias lavam a terra que eu vou semear a concórdia e a paz do meu espírito, invento que se eu for embora daqui, tudo ficará mais fácil, invento de morar em uma casa com quintal e cães e jardim e alegria, invento de poder ler livros deitada em uma rede com o ar do fim da tarde batendo nos meus pés e tenho muito medo que um dia isso tudo domine minha mente e eu nunca mais volte a ver a realidade. Digo, quer dizer, na verdade, o que eu queria falar é que eu tenho medo de enlouquecer. De cair nesse mundo da invenção e nunca mais voltar. E daí quem vai cuidar de mim? Acho que é isso que eu tenho medo, de ninguém cuidar de mim e de eu cair na desgraça do mundo. E viver suja e com fome por aí. Mas, pensando bem, se na minha cabeça eu morar numa casa com jardim e cães na Itália, tiver um emprego legal, ter débito automático e cartão de crédito e uma rede e uns livros, tudo na minha cabeça, claro, eu nem vou ver o que estará acontecendo mundo afora.
Ah, você não entende...você não entende de sonhos...não sei porque falei disso pra você.
Olha, já sei! Vamos fugir. Vamos embora daqui. Vamos voltar a ser adolescentes e fugir de casa, do trabalho, das responsabilidades.
Ah, você não pode. Nem um pouquinho? Me leva embora daqui, por favor.
OK, OK. Então faz assim, você vai para o seu lado, eu vou para o meu. Eu vou lá continuar sonhando. E você vai matar os sonhos de outra. E eu vou achar alguém que pinte os meus sonhos de cor-de-rosa. Quem sabe um dia a gente se reencontra.
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Quer saber o que eu penso das pessoas que têm anorexia nervosa?
Penso que são umas duentiis imbecis, umas vacas retardadas. É isso que eu penso delas.
Mereciam morrer mesmo.
Tipo, não comer deveria ser o maior pecado do universo.
Pelamordedeus, que tipo de gente fala não pra uma barra de chocolate ou pra um hambúrguer?
Não, não, não, não respeito essa gente, não, viu?!
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21.11.05
 
*vê se me esquece, eu cansei. vê se me esquece, eu cansei.*

Cansei. Cansei de tudo. Cansei de tudo MESMO.
Vou embora. Não vou mais falar com metade das pessoas que eu falo hoje. Porque eu cansei.
É muito simples, simplíssima matemática katiana.
Gastrite hoje tá blaster. Alguma coisa vem dando errado. Porque, segundo meus planos, agora era a época que eu deveria estar muito, muito relaxada.
Mas eu estou pior do que semana passada, durante o fechamento do TCC. Estou pior do que se não tivesse entregue esta merda e fosse bombar.
A covardia também tá blaster. Fico querendo morrer, pura covardia.
O que está errado, meu deus? Que merda foi que deu errado neste caminho?
Por que você é puxa-saco?
Eu odeio os puxa-sacos. Meu deus, você não passa de um puxa-saco babaca, que fica fazendo moralzinha com gente de laia baixa. Só pra fazer moralzinha, pra fazer gracinha, pra ser puxa-saco. Porque o ser humano não segura o tranco de ter amigos sem ser um puxa-saco. Porque ele sabe que se ele não for um puxa-saco, ele não terá mais ninguém, porque é vazio feito um pacote de supermercado. Meu deus, como as pessoas todas são vazias! Estou muito revoltada com as pessoas vazias. Nossa, nossa, chega de pessoas vazias na minha vida. Els têm me tirado do sério com muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuita intensidade.
Não me peça para agüentar mais ninguém. Daqui pra frente é paunocu, não vou agüentar mais ninguém que não me agrade. Vou mandar se fuder mesmo.
Cansei. Vou ser o ser mais egoísta, mais egocêntrico, mais fascista e mais execrável da face da terra. Vou ser sozinha. Vou ser amarga e reclamona. Sozinha.
Que que eu soletre? Esse-ó-zê-i-ene-agá-a. Sozinha, três sílabas, paroxítona.
Não consigo mais lidar com o ser humano. Não sei lidar, não quero mais queimar neurônios para entender. Sofro muito. Cansei de sofrer. Quero ser uma pessoa sem sentimentos. Sabe aquele tipo que você olha e fala "é um crápula". Eu serei esse tipo. Um tipo escroto e insuportável.
Mas deixa pra lá. Já tô falando coisa demais.
Here´s to shutting up:
19.11.05
 
E então eu abri a caixa de velharias do meu antigo e-mail.
Lá está guardado e-mails legais (alguns nem tanto) de umas pessoas do passado. Ex-namorado, ex-caso, ex-ficante, ex-rolo, ex-amigo, amigo pra sempre, primo, e-mail de quando eu conheci o Du e tudo. E é engraçado lembrar do passado. Eu sou um tipo que revive as emoções, como eles chamam mesmo? Nostálgica. Sou nostálgica. (Parece uma doença, "oh, tenho nostalgia, estou tomando remédios para curar minha nostalgia aguda")
Tenho esse negócio aí. Mas é engraçado o quanto algumas coisas deixam de fazer sentido depois de um tempo. Li um e-mail que eu contava pro Zé Galinha sobre uma conversa com o Cassius. E sobre ele e o Henrique terem trocado a gente por "outra turma". Mas que porcaria de "outra turma" era essa? Não faz sentido pra mim. Tenho uma vaga lembrança dos meninos terem trocado a gente pelos "lusers", mas hoje é tudo uma coisa só. Todo mundo virou Doble Luser, que virou sei-lá-o-quê, que virou Clube do Dêva, que virou mais um monte de coisas. Me alienei tanto de Monte Alto que eu nem sei o que rola lá atualmente.
Bom, mas eu não lembro mais porque eu comecei a falar disso.
Preciso parar de fumar droguinha.
Como dizia Peagá Miranda (um gênio), "maconha mata (...silêncio) seus neurônios".
Entreguei o TCC e quero passar duas semanas na folia. Preciso compensar as três semanas namorando o computador e capturar os dias com a Anaí. Antes que seja tarde.
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16.11.05
 
Tese 4 - ou fato: (waking life results, agora é a hora da verdade)
Daqui 20 minutos a revista estará pronta.
Não me pergunte o que vou fazer nas próximas 72 horas. Isso só Deus sabe. E só Deus cuida.
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Tese 3 - ou fato: (waking life results, a síndrome de puta presa)
Puta solta fuma muito. Puta presa, então...
Então a frase mais recorrente de um ser humano que não faz parte da vida de meretrício, mas que está presa em casa fazendo uma revista horrorosa de música é "tô fumando mais que puta presa".
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15.11.05
 
Tese 2 - ou fato: (waking life results, o sexo como escape)
Quando a cabeça entra em estágio muito avançado de funcionamento, tipo quando chega no número máximo de rpms por segundo, alguma área do cérebro manda mensagens de sexo. É como se todas as amarras femininas que foram sendo costuradas durante toda a infância e adolescência fossem soltas pela exaustão completa de todos os nervos e músculos. Você fica incapaz de esboçar um sorriso, mas seus pensamentos são capazes de te levar a uma cama de hotel em Veneza, nude, sobremesa erótica e um Brad Pitt ao seu lado. Talvez isso tudo não seja exaustão, seja só hormônio agindo de modo que eu ovule esta semana e corpo pedindo para que este óvulo seja fecundado. Ainda bem que antes de filhos, tenho um TCC pra fazer. E depois do TCC, tenho que fazer outra faculdade, morar na Itália, trabalhar num desses jornais grandes que te morcegam, plantar árvores e escrever livros. Filhos podem vir quando eu parar com esta mania de trocar o dia pela noite.
Here´s to shutting up:
 
Tese 1 - ou fato: (waking life results)
Quando você bota o seu corpo para funcionar como se fosse uma máquina produtora de letras e riscos e leituras, e fica sem dormir, sem comer, o mundo fica com uma cor estranha, um bege acinzentado que faz com que o mundo pareça um imenso filme superoito sendo projetado na sua retina.
(não esquecer!)
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14.11.05
 
Waking Life

Quando eu acordar deste sonho, prometo que faço minha teoria de waking life.
Here´s to shutting up:
11.11.05
 
Queria muito encher o saco de alguém agora.
Tipo encher o saco, ficar pentelhando.
Tô me sentindo muito sozinha e limpa e sóbrea.

Quero ir pro bar encher a cara de vódega, cerveja e tudo que passar na minha frente este final de semana.
O Dani ligou. Dani é luz, muita luz. Queria passar a noite inteira com a Dani no telefone, mas custa caro e a gente ia ficar muito pobre se fizesse isso.

Minha cabeça tá doendo, mas não tem problema.
Queria encher o saco.
A Anaí foi dormir.

Queria fazer alguma coisa agora. Comer, sei lá.
Nem sei mais que dia é hoje. Tive que olha no meu celular pra lembrar que é quinta já.
Acho que eu vou pro Milo agora.

Droga! O Michael não quer ir comigo.
Então eu acho que eu vou dormir mesmo.
:P
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Fuck off is not the only thing you have to show

Mas por enquanto é.
Here´s to shutting up:
9.11.05
 
Tô com mágoa, sabe?
Mágoa é como resfriado. Fica aí causando, depois de umas horas ou dias, passa.
Passa, todo mundo sabe que passa.
Mas enquanto não passa, incomoda que é o cão.
Sabe...eu queria saber falar as coisas.
Queria saber falar com as pessoas.
Eu não sei falar com as pessoas.
Sou muito burra.
Eu gaguejo, eu sou nervosa.
Enquanto gaguejo, falo tudo errado. Não de dicção errada, de pensamento que sai errado.
Me sinto um lixo. Sempre que eu falo alguma coisa, percebo que não era nada daquilo que eu queria falar.
E quando eu não quero falar mas a coisa tá grande demais dentro de mim, eu xingo. Eu sou grossa.
Sou italiana demais. Falo alto, com as mãos, falo muito palavrão.
Meus bisavós vieram do sul da Itália. A gente é tudo assim.
Eu, minha irmã Ana, minha mãe, minha madrinha, minha avó.
A gente é tudo afetiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiivo demais.
Mas eu sou afetiva e emotiva demais e não sei falar.
Eu sei lá porque eu resolvi que eu incomodava as pessoas, então parei de falar. Deixo as pessoas em paz.
Mas aí eu vou me fudendo.
Minha gastrite tá uma coisa incontrolável. Gastrite nervosa é aquela coisa: não tem remédio nem dieta. Você não sabe se é uma xícara de café ou uma colher de sopa de mandioca que vai fazer o seu estômago doer feito úlcera perfurada.
Eu estou muito cansada, sabe?
Às vezes eu fico muito cansada da vida.
Mas agora juntou uma canseira da vida com a canseira do TCC.
Faz três semanas que eu durmo três ou quatro horas por noite.
Meu corpo dá uns sinais de fim de partida, de bateria arriada.
Sou um fusca arriado na subida.
Estou insone e, quando durmo, sonâmbula. Hoje eu acordei no meio do quarto, com a Anaí falando alguma coisa pra mim.
Não lembro o que sonhava.
Desliguei o relógio incotáveis vezes e não lembro de nenhuma. Não lembro d'ele ter tocado.
Tudo parece um sonho, ou melhor, um pesadelo. Não estou rendendo. Passo horas fazendo a mesma coisa e não consigo terminar.
E além disso tudo, juntou uma mágoa.
Queria ir embora, sentar com o Paulo Henrique na rede da minha varanda e passar a tarde dando risada da vida.
Depois a gente ia fazer a nossa caminhada clássica de 10km até o ginásio, ia brigar com os meninos que atiram pedras nas corujas e depois ia comer cachorro-quente no seu Vicente. Falando em seu Vicente, o Daniel poderia estar por ali pra gente dividir uma tubaína na Band. Depois a gente ia falar mal da Veja e discutir turbina de avião.
Depois a gente ia na casa do Kazu comer rabanada da tia Dilma, zoar o Dênis e brincar com os cachorros.
Depois a gente ia na Segredo tomar um chopp horroroso da Germânia, mas, vá lá, não importa o chopp quando a companhia é boa.
E a cidade estaria com o asfalto molhado, porque no interior chove em toda tarde de verão, mas estaria aquele solzinho laranja-claro, avermelhando o céu, deixando o crepúsculo saboroso que só.
E eu acho que estou com febre, porque tudo isso não passa de um delírio de quem está prestes a chorar de desespero e de mágoa no meio da redação.
Eu não queria falar bem isso, mas não passa de "vê se me esquece, eu cansei".
Aliás, não tenho nem vontade falar. Tenho vontade bater. Bater, bater até ficar roxo ou sangrar. Ou apanhar. Apanhar até entrar em estado convulsivo.
Cansei.

Here´s to shutting up:
 
Você me desconserta. Eu te vejo e tudo começa a desabar dentro de mim. Às vezes isso é bom, às vezes isso é tão ruim. Às vezes eu preciso de você mais do que de mim mesmo. E é tanta coisa junta, tanta coisa explodindo, eclodindo, confluindo, tanta coisa que fico reticente e boba. É tanta coisa que parece que eu vou morrer. Coisa assim acontece duas vezes: quando te encontro e quando passo muito tempo sem você. Me sinto tão bem ao seu lado e a felicidade dura tanto tempo nos dias que se sucedem, que talvez isso que me segure aqui, neste mundo. E às vezes você chega transbordando luz e contamina a mesa toda, como um vírus ultra rápido. Às vezes você chega todo paz, às vezes todo terror. A vida é assim: tem dias que dividir o mundo com tanta gente deixa nossa cabeça perturbada, tem dias que a gente fica tão livre anônimo no meio do mundaréu. Mas eu te vejo e que houver dentro de mim, desaba. Pode ser ódio, pode ser felicidade, tudo derrete. Você é como uma falha na matrix. Uma falha grave, e não há quem ou o que julgue isso bom ou ruim, porque não é efeito negativo/positivo que está em questão. A questão é que essa falha bota minha cabeça na pressão e dela sai qualquer coisa cozida, pensada, matutada. Você é a desconstrução binária botando minha cabeça, corpo, sentimentos, alma e coração em funcionamento frenético, dissimulado, mecânico e confuso. Você é o que eu preciso. Eu não vacilo. Meus pensamentos podem vacilar segundo a segundo, mas quando eu abro a boca, eu não vacilo. Eu sei do que eu estou falando. E por mais desconserto que você cause, porque eu preciso do som e da fúria, você me devolve a inconseqüência nobre dos apaixonados, uma das coisas mais fundamentais que existem nesta vida.
Muito obrigada. Por existir, principalmente.

*para um punhadin de amigos. Amoamoamo.
*Sou uma viciada. Principalmente nas pessoas que me fazem usar o cérebro e que deixam eu me expressar. Por mais que discordemos. ;)
Here´s to shutting up:
7.11.05
 
Eu quero ser feliz. E você?

Entre o turbilhão de coisas que estão me afogando nos últimos dias, minha cabeça arruma tempo para pensar outras tantas. Segundo a definição de um professor, meu cérebro borbulha. Não há trabalho no mundo que prenda tanto a minha atenção a ponto de eu esquecer o resto da minha vida. Nada me prende ou me prendeu com tanta força até os dias de hoje.
Eu sei que se eu descobrir o que me prende com essa força tamanha, eu vou ser feliz.
Ser feliz custa barato, eu sei. É, dinheiro não traz felicidade. Dinheiro traz felicidade para quem é fútil. E isso eu acho que eu não sou, não consigo ser.
Descobri que felicidade, para mim, é estar em contato com pessoas. Eu preciso muito de seres humanos para estar feliz. Tem gente que precisa de bicho, tem gente que precisa de planta. Eu preciso de gente. Eu não sou feliz escrevendo. O jornalismo não me traz pessoas. Traz uma meia dúzia de gente que não me tem a mínima importância. Que importância tem conversar durante 40 minutos com o vocalista da banda x que tá na capa da Mojo? Para mim não tem importância nenhuma. Nem para o entrevistado, que já enfrentou um decalhão de engomadinhos com um gravador na mão. Quero conversar com gente na rua. Só as ruas podem te trazer sabedoria.
Todos os namorados que tive brigavam comigo porque eu converso com mendigos, sem-teto e bêbados nas ruas. Confio no meu coração. Essas pessoas podem ser bem mais interessantes do que aquelas cheirosinhas e penteadinhas que te acompanham vida afora. Ou que você divide meia hora de papo numa entrevista.
Eu preciso de gente e o jornalismo me mete numa sala cinza, iluminada por tubos de lâmpadas frias, chão encarpetado e uma visão infinita de um mar de computadores e gente ao telefone. Eu não sou feliz assim. Pior, jornalismo, pelo menos para mim, não é isso. Não era isso quando eu entrei na faculdade.
Eu achava que ia viver nas ruas, achava que ia chegar nas pessoas, nos acontecimentos e passar meia hora na redação fazendo notícia. Ledo engano. Engano de gente novinha, que glamouriza a profissão. Que é exatamente o contrário: você passa meia horinha na ruas e o resto do dia na redação. Isso quando se vai pra rua.
Eu achava, também, que seria bem feliz se mudasse o mundo. Eu queria mudar o mundo. Ainda quero. Mas eu cresci, um milhão que coisas ruins cruzaram meu caminho e eu me tornei uma pessimista que chora quando pensa no Che Guevara. Não tem como mudar o mundo. Então me acomodei e mal mudo os móveis da minha casa de lugar.
E foi assim que eu deixei minha felicidade de lado. Eu parei de escutar as pessoas. Eu parei de falar com elas também. Deixei de me interessar pela coisa que mais me comove: as histórias. Eu quero saber da sua vida. Quero saber o que você está sentindo. Quero saber no que eu posso te ajudar pra botar um sorrisão no teu rosto. Não é uma prestação barata. Eu preciso estar com as pessoas. Estejam elas felizes ou tristes.
E ontem, enquanto meu peito beirava o colapso, pois estou há dias dialogando somente com um PC lento, percebi que a minha vida precisa ter sentido para eu ser feliz. Eu preciso ir pro bar para ser feliz. Eu preciso conversar com os mendigos na rua para ser feliz. Eu preciso descobrir todas as formas de entrar em contato com seres humanos para ser feliz.
E se eu não posso mudar o mundo como eu imaginava, eu posso mudar algumas vidas, que seja. Poucas ou muitas, o que importa é mudar. Porque você não sabe quem está perto de você e só precisa de um clique para ser o novo Gandhi.
Minha felicidade não custa nada. Eu preciso de calor, de toque, de amor, de diálogo, de cafuné. Um irmão me definiu muito bem: quando ela estiver nervosa, abraça, encosta a cabeça dela no ombro e faz um cafuné. Ela fica mansa na hora. "Acho que sou cachorro, sim". Ser humano é isso: bicho.
Sonhei com a minha mãe outro dia. E ela me juntava no colo dela, passava a mão na minha cabeça e dizia que me amava. E isso foi o suficiente pra eu enfrentar mais uma semana de trabalho.
Eu não gosto que fale mal de Beatles, porque eles têm verdades absolutas guardadas em suas canções. Como "all you need is love". Ninguém precisa de muito mais coisas se tiver amor e barriga cheia. É assim que se move o mundo: com muito amor e muita barriga cheia. E amor só tem em uma fonte: pessoas. Todo o resto é conseqüência. Felicidade, bom humor, altruísmo, tudo vem do amor.
Então é isso. Uma despedida. Vou ali ser feliz e não sei se volto. Também não sei se é "ali", ou se é lá longe. A felicidade deve estar em algum lugar, sentada, com um copo de milk-shake de chocolate na mão, balançando a perna calmamente, pronta pra pular em mim. E eu quero dividir esse milk-shake com ela. Você vem?
Here´s to shutting up:
3.11.05
 
Não, o blog não ressucitou.
Só vim até aqui dizer uma última coisa:
Eu odeio os indies.
Eu odeio MUITO os indies.
(Ah, antes que me acusem, sim, eu sou um deles.)
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