30.12.05
Tô férias. Inclusive de computadores.
haha.
Here´s to shutting up:
20.12.05
Cara, eu me divirto muito fazendo a coluna.
É muito legal.
Agora eu tô fazendo a lista das melhores músicas de 2005.
Tô aqui, baixando umas, analisando, fazendo o ranking.
Me divirto.
Quer uma, quer?
Vila Maria Mariana, do caxabaxa.
haha. Eu sou o tipo de pessoa que leva diversão super a sério.
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19.12.05
Precisa falar?
Precisa mesmo?
Ninguém tá sabendo?
Quer que repita o hino?
"Saaaaalve o tricolor paulista
Amado clube brasileiro"...
É TRI, GAMBAZADA.
VAI COMEMORAR O BRASILEIRÃO, VAI.
SPFC É TRI MUNDIAAAAAL.
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15.12.05
(editado)
Eu lembro bem de você. A gente sentava uma de frente para a outra e você sempre pousava uma mão sobre a outra, entre as duas pernas. Isso é o que eu mais me lembro de você, as mãos pequenininhas, sempre justapostas. E você tinha uns cabelos louros bem bonitos e eu, que tinha os cabelos estragados e feios, queria ter cachos como os seus. Enquanto eu queria muito dar meu primeiro beijo, você queria muito esperar por alguém especial. Mas em momento algum discordávamos da postura uma da outra. Morria de ciúme de você e lhe tinha fidelidade canina. Talvez eu me lembre quando as coisas começaram a dar errado, mas depois falo sobre isso. Uma época achei que fosse apaixonada por você, porque não conseguia tirar o olho do seu peito. Oras, eu não tinha e era curioso demais vê-los crescer. Queria saber como era. Você, porque tem dois anos a mais do que eu, se desenvolveu primeiro. Não queria que nada daquilo acontecesse comigo, mas adorava ver acontecer com você. Mas não tava apaixonada, né? Toda minha experiência gay ser resume a estas semanas que eu achava que estava apaixonada por você.
Se a gente não tivesse parado de se falar, você seria a minha amiga mais antiga. Te conheci quando tinha três anos, você cinco. Lembro quando o seu irmão nasceu. Eu tinha uns quatro anos. Ele tem o mesmo nome que o meu irmão. A gente queria brincar de boneca com ele, lembra?
É, a gente era as filhas gêmeas da Ana, a gente era duas irmãzinhas que não se desgrudavam por nada no mundo.
Tinha uma menina na nossa turma que era muito invejosa. E eu briguei com ela e falei várias verdades e disse que se ela continuasse falando mal de você, ela apanharia.
E a gente tinha vários tipos de diversão diferentes, como abrir a porta da geladeira e morrer de rir de sei-lá-o-que.
Bom, a verdade é que seguimos camihos diferentes. Você tinha lá suas amigas que eu não gostava muito. E talvez eu quisesse, naquela época, descobrir a vida com muito mais voracidade que você e você se assustou com o meu comportamento. A verdade é que éramos muito diferentes, seria inevitável tomarmos caminhos diferentes.
Mas o que é mais chato, no final das contas, é que você entrou no orkut e não veio atrás de mim. Você tinha tudo para vir falar comigo e não veio. Nem me adicionou.
É muito estranho como as coisas podem acabar pra sempre. Como a Dri disse, o orkut é a memória perdida que a gente não precisaria recuperar.
Talvez eu não precisasse saber que você não nutre nem um pinguinho de consideração por mim.
A vida é muito estranha. Seu irmão foi no velório da minha mãe, todo lindo, todo fofo, chorou, me abraçou. E você nem telefonou.
Fiquei sabendo que você casou.
Você era a minha Tatá linda e a gente não se fala mais. A vida é realmente muito estranha.
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14.12.05
Duas tristezas
Volta e meia me pego sentindo raiva das pessoas que não evoluiram.
Raiva não é propriamente o sentimento que eu tenho por essas pessoas. Tenho um misto de pena, asco e tristeza, que transborda por todos os meus poros. É involuntário como um soluço que brota durante o choro.
Pense nos seus amigos do colégio. Pense nas pessoas que cruzaram seu caminho nos últimos 10 anos. 10 anos é uma memória que todos que lêem esse blogue devem ter: uma memória longa porém não-remota. Vejo pessoas que simplesmente não evoluiram. Tivemos as mesmas oportunidades (uns mais, outros menos), assistimos as mesmas aulas na escola, poderíamos ter sofrido as mesmas influências, escutávamos os mesmo discos, falávamos dos mesmos filmes etc. O que aconteceu no meio do caminho para que alguns ficassem parados e outros continuassem caminhando?
Não falo que eu sou eu ser mais evoluído que os outros, nem que ninguém aqui o seja, falo de quem continuou caminhando, porque evolução é se manter caminhando, é escolher entre vários caminhos (não entra em questão caminhos errados ou certos. Quem erra aprende a acertar.)
Pessoas que falam dos mesmo assuntos desde 99, pessoas que você, logo que olha, vê um futuro medíocre e deprimente. Não que desejamos que estas pessoas tenham esse destino, simplesmente sentimos nos seus olhos que elas não querem sair daquela situação, porque é confortável ser preguiçoso, porque é confortável levar uma vida medíocre, sem questionamentos ou problemas maiores do que buscar o carro na oficina no final da tarde ou trocar a lâmpada do banheiro.
Eu não tenho muito o que fazer por essas pessoas. Na verdade, tenho muita PREGUIÇA dessas pessoas.
Quando encontro alguém que continua a mesma coisa de três anos atrás, com o mesmo comportamento, as mesmas piadas e as mesmas pautas, sinto uma preguiça enorme e trato de fugir logo daquela situação constrangedora.
Pelo orkut, espio a vida de algumas pessoas. E nada mudou. Elas não conseguem nem trocar o poema que resume a vida delas, muito menos o assunto do dia-a-dia. Elas não lêem um livro, não compram um disco novo, não vasculham uma nova cultura, não se interessam por ciência e tecnologia, não assistem nada que não tenha sido feito na Califórnia, ou qualquer coisa que o valha. Elas não fazem nada pela própria evolução.
Por que eu devo ter estima por essas pessoas? Nem estima, nem consideração, nem respeito, nem NADA.
Não devo ter nada por essas pessoas, porque na minha cabeça elas não passam de um amontoado de parasitas que entopem o mundo, como um câncer que infesta um corpo.
Não suporto as pessoas que SÓ VIVEM. Desculpa. Ninguém tá aqui só pra viver! Ponha-se no seu lugar de bicho de uma cadeia alimentar e veja que você não passa de um porco que vive na lama e come lavagem! Você é um bicho que Deus teve a bondade de dar INTELIGÊNCIA e SAPIÊNCIA, e você, parasita que é, NÃO USA!
Enfim, sai, raiva. Devo mesmo é ter pena. Pena porque essas pessoas não passam de umas amebas. Menos até. Amebas são organismos capazes de se multiplicar, impossível para um parasita que não consegue nem ler um livro.
* * *
Deve ser bem legal ser menininha, né?
Assim, menininha, esse bicho idiota que se comporta como uma iguana, ri como uma hiena e vive como uma baleia encalhada na beira do mar.
Ah, eu odeio a maioria dos seres humanos do sexo feminino.
Mulher bicho idiota, tálôco.
(Um dia eu explico, prometo)
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13.12.05
Não tem muitas alternativas senão voltar a sentir.
Tudo acabou, minhas costas doem, meus braços doem, minha perna esquerda dói.
Chega de sentir raiva, não é?
O última sentimento que vem pulsando em mim é a raiva.
Tem alguma coisa errada porque não deve ser assim.
Deve ser o contrário, deve ter mais amor e mais ternura e mais paciência do que raiva dentro de mim.
Deve ser o contrário, também, o meu ódio, aversão, repulsa e asco que tenho dos seres humanos. Não. Deveria amar os seres humanos, seres humanos são figuras incríveis, engraçadas, cheias de coisas a serem descobertas.
Gosto só de uma dúzia de pessoas no mundo.
E deveria ser o contrário. Eu deveria odiar só meia dúzia. O resto eu amaria.
É, eu tenho que consertar as coisas dentro de mim.
Antes que a gente monte outro bingo e você rode nesta história. Ou empate, o que pode ser ainda mais perigoso para todos nós.
Bái. Vou me entupir de chocolate agora.
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12.12.05
Medo
Cara, acabei de comprar um batom de muitos reais.
Acho que eu tô mesmo virando mulherzinha.
*Meu celular tá sem bateriiiiaaaa. Lá pelas 8 eu tô em casa, daí vocês ligam lá, tá?!
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"É a dança da alforria-ia-ia-ia-ia...é a dança da alforria-ia-ia-ia-ia".
Eeeeeee.
Valeu, Brasil.
Bái, Cásper Líbero. Até nunca mais.
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8.12.05
Então, ele tinha de beijá-la profundamente, incitá-la a novas brincadeiras e ela, reconciliada, voltava a crescer debaixo dele e o arrebatava, entregando-se, então, como um animal frenéticocom os olhos perdidos e as mãos torcidas, mítica e atroz como uma estátua andando por uma montanha, arrancando o tempo com as unhas, entre gemidos e queixumes que duravam eternamente. Certa noite, a Maga cravou-lhe os dentes, mordendo-lhe o ombro até sair sangue, pelo simples fato de ele já estar um pouco cansado, um pouco perdido, o que resultou num confuso pacto sem palavras. Para Oliveira era como se Maga esperasse a morte dele, algo nela que não era o seu eu desperto, uma forma obscura reclamando uma destruição, a lenta facada de baixo para cima que rasga as estrelas da noite e devolve o espaço às perguntas e aos terrores. Essa vez, e só essa vez, excitado como um matador mítico para quem matar é devolver o touro ao mar e o mar ao céu, maltratou a Maga numa longa noite da qual pouco falaram mais tarde, fez dela Pasífae, dobrou-a e usou-a como a uma adolescente, conheceu-a e exigiu-lhe as servidões da mais triste puta, magnificou-a em constelação, teve-a entre os braços cheirando a sangue, fez com que bebesse o sêmen que corre pela boca como um desafio ao Logos, chupou-lhe a sombra do ventre e do sexo, erguendo-a depois até o seu rosto, para untá-la de si mesma, à mulher, exasperou-a com pele e pêlo e baba e queixumes, esvaziou-a até o máximo da sua magnífica força, lançou-a contra um travesseiro e um lençol e a sentiu chorar de felicidade contra o seu rosto que um novo cigarro devolvia à noite do quarto e do hotel
* Para mim, esta é a cena de sexo mais rica e deliciosa que eu li até hoje. Está em O Jogo da Amarelinha, do Julio Cortázar. Este livro é foda, muito foda.
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Então, tô começando a usar o MSN.
Não curtia muito, sabe?
Me add, miguxo: katia_ka@hotmail.com
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7.12.05
Bom, acho que eu já falei um milhão de vezes que o mundo orkutiano é beeeeeeem bizarro.
Bem bizarro mesmo!
Bom, hoje, vasculhando a vida alheia como de praxe, vi que um amigo fazia parte de uma comunidade chamada "Não existe hora para comprar lã". Isso mesmo. Como se lã fosse lá uma coisa muito normal e fácil de se comprar. Instigada, cliquei na comunidade. Para minha surpresa, as comunidades relacionadas estavam todas no mesmo nível de absurdice: Sou mais novo que meu pai, Formigas lavam a minha louça, Eu moro em latitude ímpar, Nunca morri jogando bola, entre outras. E Todas as comunidade, percebi, eram de um mesmo dono, Thiago "O Thiago". Está escrito assim, oras. Quer que eu desenhe?
Entrei no perfil do cara. Ele tem 26 comunidades, todas desse naipe. Já comi o anel de Saturno, Extra-clã do pingüim listrado, Espeto, Empatei no bingo, Papai Noel japa tocando gaita, Comunidade ruim, Comunidade péssima e, por fim, a mais sensata, Tiago, pára de criar merda!
O desgraçado tem 26 comunidades que não dizem absolutamente NADA. E quase todas tem mais de 1000 pessoas.
Fui pro scrap dele. Fui lendo e, na quarta página, vi que tinha um scrap curto e grosso: "O Golias Miranda é melhor".
Aaaaaaaah, meu Deus, quem é Golias Miranda?
Fui lá ver qual era a do Golias Miranda. Este filho da puta tem 62 comunidades, entre elas Fui perseguido por fogo fátuo, Ê Descartes velho de guerra, Confundi as compras com o lixo, Escondo minha herpes com batom, Comidas babacas, Jogos para drogados, Sou Mórmon e estouro bexiga, Sugestões Google, Meta: pôs Eno na caneca do Jô, As opiniões de manequins etc. etc.
A única comunidade que ele está e que não foi ele que criou é "Golias Miranda: o Rei-Mago".
Mas as comunidades dele são super falidas. Algumas têm só umas 40 pessoas.
Mas ele tem a melhor comunidade do orkut inteiro: "O mito Maldonado Granero". Este senhor tem só 16 amigos, mas está em 533 (and couting!) comunidades relacionadas ao CHAVES E CHAPOLIN!!!!!!! Todas. Ele tá em comunidades tipo Racha Cuca, Festival da boa vizinhança, até na Eu odeio o Chaves!
Meu, essa gente é muito duenti.
Muito doente. Mas imagine que rola essas disputas or quem faz as comunidade mais babacas e engraçadas.
Eu prefiro as comunidades do Tiago. As do Golias apelam um pouco.
Pensando bem, eu não prefiro nada.
Eu prefiro esquecer que tem gente que gasta tanto tempo com internet!!!!
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Quem quer que a coluna volte põe o dedo aqui, que já vai fechar.
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6.12.05
Sabe, eu nunca tive uma relação muito boa com ídolos. Aliás, nunca os tive, nunca cultivei ídolos. Meus ídolos estão mortos. Meus heróis morreram de overdose.
Chorei quando vi, bem de perto, os olhos azuis do Brian Wilson. Não consegui piscar quando sentei em frente ao Julian Casablancas. Fiquei feliz quando ouvi a voz do Gerard Love. Jeff Tweedy quebrou meu coração com I'm Trying to Break Your Heart no Rio. Quase gozei com o Iggy Pop na introdução de Dirty. Fiquei berrando com a ternura de Wayne Coyne. Mas não tenho uma relação muito maior do que essas que escrevi com meus ídolos. Na verdade, acho até melhor evitá-los. Ídolos são figuras perigosas. Conhecendo, você pode admirá-los ainda mais ou se decepcionar profundamente.
Sábado me falaram que o Daniel Johnston está no hospital. Olha, o nó na garganta volta no mesmo momento que penso.
Eu não quero que o Daniel Johnston morra.
E eu, que pensava ter construído outra relação com a morte, me abalei.
É, pois penso que a morte é só a continuação da vida. Desencarnar não deve ser ruim. (isso é relativo demais, mas não vamos falar de religião e espiritualidade aqui).
Mas eu não queria que o Daniel Johnston morresse. Tenho um amor sem tamanho por ele. E o máximo que me aproximei dele, além de escutar suas músicas, é por uma foto em um CD. Engraçado como a gente pode amar tanto uma pessoa sem nem conhecê-la.
E não é só pelas músicas músicas dele. Eu gosto do Daniel. Tipo quando o Yo La Tengo gravou Speeding Motorcycle com ele pelo telefone. Aquilo é fofo demais. O Daniel é fofo demais.
Queria que ele ficasse mais um pouco. Queria dar um abraço nele. Só um. Queria só dar um abraço nele e dizer que ele é muito especial e que as músicas dele são muito lindas. E que eu prometo que não vou chorar quando escutar Devil's Town, Good Morning You ou "I'm having dreams about you. I wanna scream about you" em Dream Scream.
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Tímidos e arrogantes Cia. LTDA.
Eu desço duas vezes ao dia para fumar um cigarro. Um por volta das duas e meia, acompanhado por um belo copo de café, para dar aquela energia, e outro às seis da tarde, hora que nem é pra ir embora e também não tem muito mais o que fazer.
Sempre tem alguém no quintalzinho fumando seu cigarro. Sempre. São raros os momentos do dia em que não tem ninguém lá embaixo.
Tem um menino da Trip que parece o Pacey do Dawson's Creek, só que um pouco mais feio. Claro.
Encontro com ele às vezes. Na segunda vez que dividimos o capenga banco de madeira, tentei engatar uma conversa. Porque, sabe, são pessoas que encontramos com certa freqüência, não custa nada trocar meia dúzia de palavras. Eu sou assim, converso com qualquer um, indiscriminadamente. Quem anda comigo sabe, converso com qualquer um. Gosto de conversar. Pessoas são figuras muito interessantes, têm visões muito particulares do mundo, têm opinião sobre isso e eu gosto de ouvir essas opiniões. É como ir no estádio: a torcida é formada, basicamente, por técnicos de futebol. Todos opinam o tempo todo, brigam com os jogadores, com o juiz e até com Deus. Adoro essas manifestações.
Bom, voltando ao Pacey. O Pacey às vezes tá lá embaixo. Dividimos o mesmo ambiente e o mesmo cinzeiro. A tentativa de engatar a conversa foi frustrada. O garoto não respondia as coisas que eu dizia. Assunto genérico, falei sobre o paisagismo cafona do seu PL e sobre cultivar plantas em casa. Ele esboçou um sorriso amarelo e eu não ouvi o timbre da sua voz em nenhum momento. É muito constrangedor falar com alguém que não responde às suas questões ou opiniões.
Alguns dias depois, quando apararam a grama do quintalzinho, voltei no assunto. Ele não respondeu de novo.
O que será que passa na cabeça de uma pessoa que não responde a uma conversa que só iniciou porque ela estava ali?
Dou bola para velhinhas no elevador, compro balas na rua, bato papo no ônibus, puxo conversa nas filas e, veja bem, sou tímida.
Acho engraçadas as pessoas que não acreditam que sou tímida. Mas sou, pode acreditar.
Tem um outro rapaz, este eu nunca puxei conversa porque ele nunca nem ficou perto de mim no quintal. Às vezes ele fala comigo. Respondo e sou simpática, acho eu. Pelo menos tento ser. Tem dias que ele passa ao meu lado, olha na minha cara, mas não cumprimenta. É como se eu fosse uma pessoa nova na redação e ele nunca tivesse me visto mais gorda.
Ah, não, mas desse tipo tem váááários, pelo menos aqui na Trip. Tem uns quatro ou cinco que bem que podiam ser extintos da face da terra.
Mas tem gente que eu nunca troquei nem um olharzinho e me cumprimentam e são muito simpáticas e são fofas e eu quero que essas pessoas sejam muito felizes vida afora.
Queria que alguém explicasse esse meu sentimento tão intenso de medo e raiva com quem é arrogante e o sentimento tão intenso de ternura por quem é simpático.
Mas o lance é: queria virar para o Pacey e perguntar: você é arrogante ou tímido?
Porque a timidez e a arrogância desembocam praticamente no mesmo comportamento fechado, repulsivo e sociofóbico.
Tenho um amigo tímido que é o exemplo máximo (na minha vida) do comportamento humano de um tímido.
O tímido adora um verborrágico, porque assim o tímido não precisa falar nada que não queira. Mas o verborrágico tem que ser fino no trato, pois pessoas tímidas geralmente são muito sensíveis. E a coincidência é essa: o arrogante adora um verborrágico, porque assim ele tem alguém para quem empinar o nariz ou deixar falando sozinho.
Eu legitimo a existência dos arrogantes. Sabe por que?
Primeiro lembre-se daquela passagem do Pequeno Príncipe: "para o vaidoso, todos os outros são admiradores" ou "para o rei, todos os outros são súditos". Para um arrogante, todos os outros são ignorantes esperando um pouco de sua imensa sabedoria respingar sobre eles. Então, existindo e falando, legitimo e existência deles.
Nessa horas eu tenho tanta vontade de odiar a humanidade...e tanta vontade de matar todo mundo e ir embora daqui...
Por que o mundo precisa ser tão complicado? E eu, tímida que sou, não sei como agir frente aos arrogantes.
Mas me diga, Pacey. Você é tímido ou se acha a última coca-cola do deserto?
Você tem vergonha de dar sua opinião ou você acha a sua opinião boa demais pra alguém tão idiota como eu escutar?
Não consigo lidar com humanos. Humanos são muito difíceis.
Mas não sei se eu desisto ainda. Por enquanto eu consigo dormir com esse barulho. Mas que incomoda, ah, como incomoda...
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5.12.05
Amanhã é dia de doar sangue. Adoro o dia de doar sangue.
É muito legal pensar que um saquinho de sangue pode salvar a vida de alguém.
:)
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Dia de princesa
Alguém que lê este blogue poderia 'estar realizando' um desejo meu?
Faz um dia de princesa comigo?
Ó, a gente começa assim: acorda umas dez da manhã e vai pro Ibirapuera comer algodão doce e curtir o sol que atravessa as folhinhas das árvores.
Daí a gente vai almoçar no indiano-vegetariano da paulista.
De lá, a gente passa na 2001 e aluga uns quatro filmes do Truffaut, de preferências os da série do Antoine Doinel (menos Os Incompreendidos, porque n'Os Incompreendidos o Antoine Doinel ainda não é gatsinho e aquele filme é triste DEMAIS!!), e vai pra casa assistir todos os filmes alternando umas bolas bem gordas de Haggen Dazs Triple Chocolate (pode ser o Eggnog também, com cobertura de chocolate) com marshmellow e pipoca de microondas de queijo, daquelas bem fedidas (quanto mais fedida, mais saborosa!).
Daí, depois do Truffaut, a gente pode tomar um banho e comer peixe cru e cogumelo frito num restaurante japa da cidade. Daí a gente vai pra balada pra dançar, dança, dança, dança, saí, vai pra uma ofner 24h comer um casadinho de camarão e um cheescake e, depois de tudo isso, com a pessoa aqui feliz e realizada e com o coração cheio, vamos pra casa dormir.
Alguém se dispõe? Muito grata!
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1.12.05
Eu não vi novembro passar. Percebi isso agora, no momento em que todos estão falando da trip nova e eu não tenho nem a edição passada.
Já é dezembro. Quando eu não durmo no ônibus, aproveito pra olhar a decoração de natal.
Sabe aquela frase "one day one dollar"?
Então, comigo é "One day one trouble".
Problema todo dia.
Parece um imenso inferno astral.
Apesar de tudo, ainda faço algumas piadas.
Quer saber?
O TCC vai passar. Pode carvonizar, capetada, pode falar mal, pode fazer o que quiser: a revista vai passar, vai passar mesmo. Eu sei.
Eu sei, alguma coisa bem aqui no fundo do meu peito diz que a gente tá livre da Cásper no ano que vem.
Sabe esse barraquinho todo aí que você armou?
BARRAQUINHO DE MERDA, MEU FILHO.
Da próxima vez, faz direito. Você foi muito amador.
One day one trouble. Valeu, Brasil.
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