28.2.06
É estranho como uma pessoa pode ser tão importante num dia e simplesmente desaparecer no outro.
Esse é o resumo do meu carnaval.
Infelizmente.
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23.2.06
acho um pouco bom
Pois imagine você que eu meti em minha cabeça um fone de ouvido e coloquei Arcade Fire no talo. Não escuto um mísero ruído da redação. Maravilha. Era esse o intuito. Me isolar e isolar meus pobres ouvidos de tantas e tantas bobagens.
Só que o lance todo é muito perigoso. Porque quando começa a tocar aquela parte alegriazinha de Wake Up, eu tenho vontade de sair dançando.
E depois vem Arctic Monkeys. E depois vem CSS. E depois vem Devendra. E fudeu, nunca mais vou tirar os fones dos ouvidos. Graças a Deus.
O problema é que está me dando dor de cabeça. Fazia tantos anos que eu não usava fone. Não gosto.
Mas é que tá foda mesmo. Não dá mais. Minha gastrite tá louca no parque de diversões, meu pescoço dói e tudo. Bom é que logo eu estarei beeeem longe daqui. Logo, prometo.
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22.2.06
rrrrrrrrrrrrrrrrrr
Então hoje eu fui ao dentista.
Mas deixe-me contar a história pelo início, não pelo meio: há cerca de duas semanas minhas gengivas começaram a resmungar e doer e sangrar.
(Adendo: desde que me falaram que eu estava me tornando hipocondríaca, como minha avó e minha mãe, aos 16 anos, parei de tomar remédios e de saber nomes e sintomas de doença. Dados que eu colhia avidamente pois queria ser médica. Isso não é uma piada, então pare de sorrir.)
Ignorante que só, marquei lá meus 20 minutos de tortura e relaxei. Na verdade eu não relaxei: eu passei a escovar os dentes umas seis vezes ao dia e usava o fio dental de manhã e a noite. Coisa de gente paranóica e alucinada.
Porque, deus, tenho neurose com dentes e nariz. Que caiam minhas pernas, mas deixem meu nariz e meus dentes em paz. É tudo que eu mais gosto em mim.
Ontem eu fui pra balada. Cansada, lógico, porque eu ando fazendo balada toda noite e ando acordando cedo todo dia. Meu final de semana em Monte Alto se resumiu a muito poucas horas de sono e de domingo pra segunda, passei sete horas na cama tendo pesadelos e trombando com o Du e enlouquecendo de calor e de sede. Nem lembro quando foi minha última noite tropical dentro de casa. Minha barriga de cerveja está se tornando uma coisa gigante e horrenda, mas eu nem quero fazer nada quanto a isso. Deixa-a em paz, eu gosto dela esparramada por cima do cós das minhas calças que não servem mais.
Então ontem eu fui pra balada, praxe. Mas eu estava cansada como se tivesse acabado de sair do hospital (vocês já foram internados? Bom, ser internado é mais ou menos como ir para o inferno e não conseguir voltar e você gasta basicamente toda a sua energia tentando sarar e ficando irritada com aqueles quilos de medicamentos e gasta sua energia desejando a morte aos médicos e enfermeiros e blá, tá bom, é isso. E você vai embora cansado como se tivesse corrido a São Silvestre inteira sob um sol de 34° C) e mal conseguia viver. Então a balada foi legal, porque tava vazia e eu adoro lugares miados. Por mim, só ia em balada miada. Mas eu não tinha jantado, porque não deu tempo e fome e cansaço fazem de mim um monstro gigante que come criancinha.
Saí da balada com a Ná e fomos comer um sanduíche numa padroga que já foi fechada duas vezes pela vigilância sanitária (se alguém tiver a boa fé de me salvar desta vida, que o faça. Eu não consigo. Adoro uma salmonela, adoro sabores). Ao fim do sanduíche (que pingava gordura por todos os lados: gordura do tomate seco, gordura do queijo, gordura da carne e eu terminei o lanche e pensei seriamente em ir vomitar, porque aquilo me deu um nojo fodido) matei uma barata que insistia em aterrorizar a mim e a Anaí, fumei um cigarro e fui embora.
Chegamos em casa às 3:30 da manhã.
E eu acordei às 8:40 pra ir pro dentista, que fica lá na Faria Lima com a Cidade Jardim. Eu fui umas duas vezes na Faria Lima, não conheço nada. Desci na Rebouças e fui andando até a Cidade Jardim e me sentindo bem, porque a Faria Lima é a avenida mais bonita de São Paulo.
Cheguei por volta das 10:15. Crianças de uniforme da Rio Branco corriam pela sala de espera. A irmã mais velha, que devia ter uns onze anos, se comportava como a mãe, nojentinha, narizinho lá nas nuvens. Judiação. Senti muita pena, sabe? Criança não sabe o que é dinheiro, minha senhora. Criança não sabe o que é ostentação, nêga. Você deve ter destruído a vida desta menina enchendo-a de fru-frus e chapinha e esmalte aos sete anos de idade. Agora, aos onze, ela acha que é adulta.
(Discussão esta que tive com Adri ontem. Criança tem que usar roupa de criança, criança tem que ter INFÂNCIA, sabe?)
Bom, enfim, chegou a minha vez.
Eu fujo de dentistas. Sou escandalosa. Como fui no mesmo dentista durante 16 anos da minha vida, e ele é meu primo, eu soltava uns palavrões, gritava, mandava ele parar, essas coisas. Era até engraçado. Então eu fui na dentista diferente. Tô virando gente grande e arrumei médicos e dentista em SP. Durante toda a faculdade eu voltava pra Monte Alto pra fazer qualquer consulta ou tratamento. Patético.
Sentei na cadeira e a assistente me botou um babador gigante (que não serviu pra nada. Eu babei loucamente no meu ombro e braço) e começou a tortura. Desconfio que o curso de odonto descende de alguma raiz da tortura chinesa.
A moça me fez tirar umas doze radiografias. Então ela enfiava uma placa na minha boca e tirava. E mais uma. E mais uma. E milhares delas. Tomei tanta radiação que eu saí chapada do consultório. Depois ela veio com uma broca e ficou cavucando minhas gengivas em busca do tártaro perdido. Arranhou, arranhou, puxou, espetou, ui, quanto sangue, meu deus.
A segunda etapa consistiu, basicamente, na minha morte e ressurreição. Ela veio com uma rotoflex (adequada para dentes) e começou a lixar tudo: dentes, gengiva, obturações, língua. Nessa hora, eu vi uma luz lá no fundo e ouvi uma voz, que deve ser a de Deus, me chamando: "venha, Kátia. Venha para o lugar onde não existe tártaro, nem dentistas, nem motorzinhos". Bá, velho, pensei, esse daí tá tentando me levar pro lado celestial da força.
Eu torcia as mãos e os pés de dor. Eu gemia e bufava pra uma pessoa que eu nunca tinha visto na vida. Eu babava, chorava, engasgava. A assistente, penalizada com meu sofrimento, secava meu rosto e meu ombro com delicadeza. Então, de repente, o barulho parou. Eu levantei as pálpebras e espiei a sala de rabolho. Eu estava viva. Viva e tudo tinha acabado. Não. Ela voltou com uma mangueirinha que mandava um jato de uma solução aquosa de bicarbonato de sódio bem em cada dente.
E então acabou de verdade. Ela olhou as radiografias e minha boca e disse que minhas gengivas estavam saudáveis. Que o problema era eu não saber usar o fio dental direito. E me ensinou a usar o fio dental. Como eu já tinha aprendido umas cem vezes com meu outro dentista. E eu fui embora com dor, mas feliz porque eu tenho gengivas saudáveis.
E acabou a história, que ficou comprida demais.
Eu só queria falar que hoje foi a primeira vez que eu tive a sensação real de que a morte tava com a foice ali do meu lado. As outras vezes, as das ressacas, são fichinha pro que eu passei hoje. he.
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20.2.06
Apertou o dedo na coxa da menina. A pele descorou, dando forma ao apertão.
A menina se sentia um pouco mal. "Posso ir ao banheiro?"
O menino não respondeu. Ela levantou e foi. Sentou, de vestido e tudo, no vaso sanitário. A tampa, que parecia de madrepérola, fez barulho. Abriu as pernas, o vestido de chita azul marinho subiu cauteloso, a renda do arremate desenhando um caminho. Apertou a parte interna das coxas com as mãos. Não sabia o que fazer, não sabia nem se queria sair dali. Estava calor. Ela sentia as pequenas gotas de suor se formando em suas costas. Talvez fosse nervoso também. Talvez fosse tudo aquilo e um pouco mais.
Esperou que o ar voltasse enquanto as gotinhas formavam gotas maiores e escorriam, morrendo em sua calcinha.
Lembrou dos sonhos ruins que teve naquela noite. O irmão doente, magro feito um tísico, os vinis que não reproduziam som algum. Se desesperou. Depois pensou: foi só sonho. "Sonho é sonho em qualquer terra". Não poderia levar nada daquilo à sério.
Levantou com energia. Pousou as mãos viradas para dentro sobre a pia. Se olhou no espelho e não gostou do que vira. Aquele monte de espinhas e cravos e marcas de sofrimento, não gostava de si como gostava do menino que a esperava no quarto. Não entendia nem porque ele a esperava, se era tão feia. Mas continuou olhando. E olhou por um infinito de segundos, destes que a gente perde a conta de tão longos, até baterem na porta.
Ah, o menino a esperava. Ela podia não acreditar, mas ele a esperava. Sorriu sem conseguir responder. Ele bateu mais uma vez e peguntou se havia algo errado. "Está tudo bem. Só quero ficar mais um pouco..."
O menino concordou e, passou cautelosos, voltou ao quarto.
Ela não se segurou. Saiu em seguida. Se lembrou da gibiteca. Se lembrou da coleção de figurinhas da moranguinho. Se lembrou da antiga casa e do barulho de passarinhos que havia de manhã.
Quando não houvesse mais menino nem corredor nem timidez, quando ela estivesse segura na casa dela, talvez aquele mal-estar fosse embora.
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17.2.06
"A mulher que o trem matou, morreu,
Morreu pela primeira vez,
Morreu, que triste fim,
Morreu com o nariz fazendo assim:
Hum, hum hum, hum,
Hum, hum hum, hum.
Quando ela estava enterradinha.
O mundo inteiro quis saber: Morreu ?
Morreu, que triste fim!
Morreu com o nariz fazendo assim:
Hum, hum hum, hum,
Hum, hum hum, hum."
Ouro e Prata é uma dupla caipira muito, MUITO style.
Adoro essa música.
E a do casamento e do frango. Tipo "não sei se caso ou se compro um frango / a vida cara do jeito que está / se compro um frango fico sem dinheiro / e sem dinheiro como eu vou casar?"
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16.2.06
POR QUE
Acepções
■ conjunção coordenativa
1 conjunção explicativa
liga duas orações coordenadas, numa das quais se explica ou se justifica a asserção contida na outra; pois, porquanto, que
Ex.: entre, p. já é tarde
■ conjunção subordinativa
2 conjunção subordinativa adverbial
introduz orações que exprimem circunstância adverbial da oração principal, indicando:
2.1 conjunção causal
causa, motivo ou razão da ação contida na oração principal; que, como, visto que, já que
Ex.: a juventude às vezes erra p. é muito ansiosa
2.2 conjunção finalEstatística: pouco usado.
finalidade ou motivação da ação da oração principal; a fim de que, para que
Ex.: fez tal coisa p. o inimigo o visse e se assustasse com a sua fúria
Etimologia
prep. por + conj. que; f.hist. sXIV por q, sXV porque
Homônimos
por que (snt. que [conj. e pron.]), por quê (snt. quê[s.m.]) e porquê(s.m.)
Gramática
a) como conj. causal e como conj. final, porque deve escrever-se junto; o por e o que escrevem-se separados quando este tem função de pron.rel. (percebi logo a razão por que rias) ou de pron.int. (por que você não voltou logo?) b) não há diferença muito sensível semanticamente entre a explicativa e a causal; segundo os gramáticos, a oração coordenada explicativa ger. é separada da oração anterior por uma pausa, que pode ser expressa na escrita por vírgula, ponto-e-vírgula ou mesmo ponto final
(Fonte: Houaiss)
POR QUE as pessoas INSISTEM nessa coisa de me levar a SÉRIO???
Por que?
Por que essa chateação FODA de me levar a sério?
Sou uma fanfarrona, miguxos, uma grande fanfarrona.
E quando eu estiver falando sério, EU AVISO.
Saco!
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15.2.06
Ói, fío, vou falar e não faz mar de não ter vorta.
Sô carpira de nascimento de pai e mãe, sou carpira da terrinha.
Sô carpira no andar e no falar, de inducação e de crescimento.
Sô carpira com orguio de sê gente formada arando terra e criando gado.
E orguio de um dia pudê contar prá tudo os meus fío o quanto pai e mãe trabaiaro pra me mandá pra cidade grande pra mod'eu estudá e de ser arguém de valor neste mundo.
Mas a cidade grande, grande que é, engole tudo os nosso sonho e tudo as nossas andança de aprendizage dessa vida.
E a gente deixa de sê carpira sem deixá de sê. Porque os nascido nessa terra te trata como carpira, galhofa do sutaque e das manias besta que a gente traz da terra, de dá bom dia pros mais véio, de dá licença pro pessoar passá, de dá trela e cunversê pra gente que nunca vímo e não sabemô a graça. E os nascido na cidade faz a gente se senti vexado de sê carpira, então a gente deixa a caipirice de lado e fica tudo besta que nem os nascido aqui. Cum medo de bandido que só roba os troco do transporte ou a meia dúzia de cruzado pra cumê um prato de cumida pra mo'de pará em pé pra trabaia. Pruque nessa vida a gente aprendi que a terra dá cumida pra quem quisé cumê e que todo homi tem fomi e os nascido na cidade tem medo de perdê dinheiro pra quem só tá fazeno aquilo pruque precisa enchê a barriga.
Entonce, quando minha meia dúzia de fío nascê, eu vorto lá pra terra onde as vaca dão leite pro filho de todo os agregado.
Eu vorto pra cumê puêra mas deixo pá trás esse monte de fumaça de automóvi que enche o nosso peito de margura e disincanto.
Eu vorto pá acordá co'a galinhada fazendo o cocoricór das 5:00 da manhã, que nasce sempre bunita de doê, mesmo quando tá chuveno ou quando ou tempo tá seco pra dimais. Onde de noite o luar parece até fazer sol, de tanto que alumeia o terreiro.
Eu vorto pá cuida das mimosa, dos zebu, dos suíno, das penada, dos alazão que meu patrão tinha tanto gosto em vê banhado e escovado, com a crina pra lá de briante.
E boto a fiarada prá corrê discarço pela terrona vermeia viva, pra chupá manga no pé, pra coiê as fruta que eles tivé gostô de cumê naquela horinha, fresquinho; pra cuida dos cueinho e dos bitinho que nasce de mãe sortera pelo aradão.
E nóis vâmo sê tudo muito mais filiz carpira em terra de carpira, pruque árvore só dá fruto bão em terra favorávi, em terra que é mãe.
Me discurpe o palavriado, mas foi assim que fui inducado, no sítio.
E é de lá que nóis sumo e pra lá que nóis vortemo.
(...)
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
(...)
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
(Manuel Bandeira)
*Palugas, essa é pra tu, meu rei.
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14.2.06
*momentodiarinho on
A paciência é uma virtude.
A ira é pecado capital.
Homicídio qualificado dá de 12 a 30 anos de prisão.
Eu não SUPORTO mais a mina qua trampa comigo.
Cara, qualquer hora eu vou matar essa desgraçada.
Eu não suporto o jeito dela, eu não suporto as coisas que ela fala, eu não suporto a voz dela.
Pra piorar UM POUCO a situação, ela é uma puxa-saco. E é pra esse tipo de gente que eu desejo basicamente um câncer no reto.
A menos que ela troque o amendoim que ela tem na caixa craniana por um cérebro.
Eu preciso ir embora. Minha gastrite tá me fodendo a vida.
Qualquer hora eu tenho um treco. E isso é sério.
E eu tô com tanta raiva dela que estou chegando a maquinar COMO alguma pessoa NO MUNDO suporta esse ser.
Morre, desgraçada, morre.
*momentodiarinho off
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Hoje é dia de São Valentim.
Dia dos namorados na gringa.
Vamos comemorar?
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Tô numa fase de escrever texto prus miguxo, né?
Sou uma mulé de recados. haha.
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13.2.06
Jesus, don't cry
You can rely on me honey
You can combine anything you want
I'll be around
You were right about the stars
Each one is a setting sun
O sentimento é muito, muito maior do que eu.
Muito maior do que eu espero que tome meu peito de assalto.
Eu vou meter uma estrela na mão esquerda e aquilo vai marcar um pedaço da minha vida que está começando agora.
Eu não sou mais a mesma.
Eu sei o que eu sou agora e estou muito feliz com isso.
Aquela Kátia chorona morreu, provavelmente. Não choro há meses. Estou até orgulhosa de mim.
E - pronto - aquele medo todo de "coisa pra acontecer" se foi.
Está tudo acontecendo agora e é coisa boa.
Esse sentimento é maior do que eu, sabe?
Essa coisa aqui de dentro que sabe que, bom, daqui pra frente as coisas vão acontecer.
Perdi o medo. E podem acontecer, dar certo ou não, pode ser difícil, pode ser muitíssimo complicado. VEM NI MIM, beibe, não tenho medo de trabalhar, não.
Auto-sabotagem é coisa pra quem tem medo. E medo eu não tenho mais.
Agora vai. Quero ver quem vai ter coragem de segurar no rabo do foguete.
E pegar carona pras estrelas.
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10.2.06
Meu Deus, como eu amo aquele menino.
Não vou falar quem é, tenho vergonha, mas eu amo muito ele sem nem nunca ter ouvido a voz dele por mais do que 20 minutos ou meia hora.
Por isso a vergonha. O menino mal sabe que eu existo e eu fico me sentindo uma adolescente babaca.
Quando eu cheguei em São Paulo, fui num show da banda dele. (Quem conhece essa história vai sacar, tudo bem)
E fiquei olhando aquele menino com aquela guitarra e um all star de tigre da zoomp igualzinho o meu, igualzinho mesmo.
E ele tinha uma cara linda, lindos braços, lindo sorriso, tudo era lindo nele. Não que ele seja bonito, mas a aura dele é gigante e esparrama por todos os cantos do lugar que ele tá. E ele fica lindo de matar.
Acho ele tão foda.
E então fiquei lá olhando ele no palco do sesc pompéia, sem piscar, chutando as malditas indies que insistiam em dançar feito putinhas engaioladas na minha frente.
Achei que nunca mais o veria na vida.
Então um dia eu fui na torre e ele estava lá. Ele era host da torre e eu odiava tanto a torre. Ia lá pra pegar o Bezzi, essa é a verdade. Mas tinha dia que o Bezzi tava pouco se fodendo pra mim, então eu ficava naquela vitrine da torre fazendo ioga e taishishuam (não sei como escreve!) com ele. E a gente ria. Eu sabia o nome dele porque eu sabia o nome dele, oras, mas ele não sabia o meu. Acho que até o mês passado ele não sabia meu nome.
Então eu ia em todos os shows das bandas dele, ficava olhando com o coração cheio dele, completamente cheio da aura dele.
Era como se eu o conhecesse há mil encarnações.
Teve um dia que o Du brigou comigo e eu fui pro Ibotirama beber. Minha gastrite estava atacada, meu estômago doía horrorosamente.
Então ele entrou lá e parou no balcão. Eu fiquei tão feliz de vê-lo, me fez tão bem vê-lo ali perto de mim, que minha dor passou, meu humor voltou, parecia que ele tinha injetado 2000ml de vida bem no meu pescoço. Então imagine o que a energia dessa pessoa significa na minha vida.
E ele é engraçado, ele não deixa sentimento nenhum brotar. Ele finge que não tem sentimentos. Finge mal, porque é tão fácil ver que ele é todo fofo.
E eu não sei porque eu amo tanto ele. Só sei que eu sinto que ele tem uma coisa muito boa ali dentro.
Mas como uma boa bissa, ele não deve gostar de mim. As bissas não gostam de mim, já falei?
Só duas. Das milhares que existem no universo, só duas gostam de mim.
E eu só queria falar tudo isso pra ele, falar que ele tem uma aura gigante e eu sinto que o coração dele é puro.
E pronto, falei. E se alguém sacar quem é e colocar o nome dele no comentário, vai morrer.
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9.2.06
abra os olhos
oi. então, vamos ser gente grande agora?
é, a nossa brincadeira vai ser legal: eu sou adulta e você também e nós nos comportamos como tal.
seremos sérios e compenetrados e estaremos preocupados em ganhar dinheiro.
não ficaremos com palhaçadas baratas.
não preservaremos essas picuinhas, molecagens, chantagens de criança.
é, eu sei que existem adultos chantagistas.
mas eu quero ser um adulto de verdade, sem chantagens baratas, sem frases pequenas e inofensivas.
quando a gente é adulto, as ofensas ficam grandes.
eu não consigo te ver crescer.
eu só consigo te ver para sempre idiota, cérebro de moleque de 12 anos, atitude de menina de 12 anos. não me venha com suas pequenices outra vez.
não me tira do sério, por favor.
tenho tanta coisa pra ocupar meu HD, você ainda me aparece com essas mesquinharias.
meu deus, como você pode ser tão mesquinho?
eu tenho tanta preguiça de você.
não há nada pior no mundo do que alguém sentir preguiça de você.
e de você eu tenho preguiça, preguiça profunda, preguiça latente.
então, vamos ser adultos pra eu parar de ter preguiça de você.
senão não vai funcionar.
chantagem não funciona comigo.
criancice e psicológia reversa também não.
o que funciona comigo é adultice, é conversa, é açúcar, é troca livre e espontânea.
combinado?
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8.2.06
Era uma vez um texto.
Era uma vez uma idéia.
Alguém me salve da metafísica, estou enlouquecendo.
Era uma vez o saco cheio, o cansaço, a sensação de perda e a vontade de ir embora.
Meu deus, se eu não tirar os pés da areia movediça, vou afundar.
Eu prometo que estas são minhas últimas semanas desafogando os sonhos.
Depois vou colocá-los em prática e vou me jogar na liberdade.
Minha boca saliva quando eu penso em tudo.
E quando eu olho pra fora e vejo quanta vida há.
Nada é mais possível nesta terra do que sonhar.
E quando você disse ter descoberto todos os seus desejos (e que assim estavamos rezando; Deus haveria de escutar), parece que instantaneamente eu descobri os meus. Você balbuciou sua volta ao Brasil e meu coração já se encheu de alegria.
Um maluco só precisa de outro.
E baixamos um decreto: que, daquela noite em diante, seríamos nossas cargas, não nos abalaríamos nem com uma montanha despencando sobre nossas cabeças.
Só digo tudo isso porque lembrar das nossas intermináveis conversas ao telefone me fazem ter vontade de viver.
Então saiba que estou desafogando meus sonhos pra quando você chegar.
E estou me livrando dos carvões, estou dando adeus pra toda essa gente mórbida que estava por perto pra me piorar.
Quero que esteja tudo pronto e limpo pra você ficar feliz.
E, então, nós vamos escutar um jazz, com uma dose cavalar de um bom metal a la Coltrane ou Davis ou Coleman.
E vamos comer pizza. Dar risada. Fumar um cigarro. Morar junto. Dar mais risada.
Como nos bons e velhos tempos.
*Te amo, A.
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7.2.06
Esquecer-se de quem você é, ou foi, ou quer ser, isso pode custar caro.
Isso pode custar-lhe uma vida inteira de amargura.
Não engula seus sonhos, não anule seus projetos, não deprecie seus pensamentos.
Não se demore: fechar os olhos para si pode custar caro.
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6.2.06
Não estou com vontade de fazer nada hoje.
Vontade de fazer compras, pode?
Vontade de comprar uns livros pra dar de presente (tipo: Kátia incentiva a leitura - Brasil, um país de todos), comprar umas bebidas com bastante álcool, comprar discos novos de samba, comprar filmes caros e bons pra minha lomo e comer biscoito de côco com doce de leite (tenho lombrigas, caras, tenho lombrigas enormes!).
Minha chefe chegou da zooropa e trouxe uma caixa de DOIS QUILOS de Lindt e nós estamos comendo chocolate até morrer.
Então, bom, boa semana pra todo mundo, com muita pax e chocolate.
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3.2.06
Me diz quantas vezes na vida a gente sente a liberdade, tanta liberdade, que parece que você vai sair flutuando?
Liberdade tão grande que parece tátil, parece que ela está te abraçando e te levando pra um outro estágio de sentidos, um estágio que deve ser similar ao nirvana tão intensamente buscado pelos meditadores?
Me senti assim ontem. Livre e de tão livre eu poderia ser a Maga, a Nhinhinha ou Arturo Bandini, cada um com seus defeitos e qualidades e - sim - eu poderia ter todos aqueles defeitos e qualidade se quisesse - era livre. Então eu decidi que era Bandini, Bukowski ou qualquer personagem/escritor de histórias beatniks - apesar de odiar a literatura beat como um touro odeia o pano vermelho. Olé!, eu poderia ser minha própria tourada, eu poderia ser o touro ferido balançando as milhares de lanças nos ombros, eu poderia ser o toureiro que espera as rosas vermelhas tocadas pelos doces lábios das nobres damas nos camarotes.
Eu poderia ser qualquer coisa enquanto apertava o escapulário contra o peito e desejava que Deus estivesse ali comigo, para batermos um papo e rirmos. Então Deus estava ali, porque foi assim que eu quis, e um sorriso persistente morou em meus lábios por muitos minutos.
E após a subida do cemitério, me faltava o ar e me faltava força para continuar com aquela palhaçada de liberdade, mas o gosto dela me deixava louca, me deixava viciada e eu não queria mais largar aquilo. E puxando o ar com força para não desfalacer numa calçada cheia de baratas e cal e areia e lajotas pela reforma que já dura meses e por ser ali um cemitério - e que cemitério, meu Deus, deveria ter ali mais de 50 mil mortos - continuei andando até o próximo orelhão e pensei em chamar alguém para tomar uma cerveja. Já passava das duas da manhã. E liguei para algumas pessoas e, enquanto ia para o bar, ficava tentando selecionar as melhores drogas que existem neste planeta e bradava, contente que só: cafeína, adrenalina e açúcar. Nada era melhor do que estas três drogas. Mas mal sabia que liberdade era droga tão pesada e tão boa: cheguei, depois, a compará-la a uma boa dose de heroína marrom, puríssima, que te toma as veias com a destreza e discrição de gato que troca de telhados e te enche o cérebro de ótimos pensamentos, de leveza e alegria, de desprendimento de sonhos e pensamentos.
E então, quando cheguei no bar, a cerveja não tinha graça. Aquele monte de gente falando alto, aquele cheiro horroroso de incenso de mirra, aquela música, o gosto amargo de ter precisado sentar e tomar aquela água amarela; aquilo tudo matou o que eu estava sentindo antes.
Quando cheguei em casa, minhas unhas encravadas latejavam. Xinguei meia e tênis, arranquei-os e sentei no sofá. Acendi um cigarro. Traguei sem vontade. Não tinha a mesma graça do cigarro na calçada do cemitério. E minha cabeça, vazia, repetia quatro palavras que ecoavam e voltam, ininterruptas: cafeína, adrenalina, açúcar e liberdade.
Here´s to shutting up:
2.2.06
Vou fundar a ONG Malucos com Pedigree.
Porque, cara, tem cada maluco neste planeta, maluco com pedigree mesmo, com carimbo de pureza.
É lógico que vai ter o Henrique, a Anaí, o Daniel CMFDP, o Michael, o Happy, o Cotis. Tudo gente doida com atestado.
Pronto, falei.
Here´s to shutting up:
Ah, acho super legal quando fica tocando uma música na minha cabeça e eu não sei o que é.
(editado)
Lembrei! É Turn it On do Flaming Lips haha.
Here´s to shutting up:
1.2.06
Agora eu sou uma pessoa com muitos e muitos projetos e ando muito ocupada.
Mais hora menos hora eu volto.
E tenho um fotolog pra botar minha lomoooos.
www.fotolog.net/rockthistown
Vai lá visitá.
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